<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631</id><updated>2012-03-14T07:58:26.770-07:00</updated><title type='text'>Papo com o Machado</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>64</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-4638198724191762404</id><published>2012-03-08T07:19:00.003-08:00</published><updated>2012-03-08T07:36:53.795-08:00</updated><title type='text'>DIA DA MULHER</title><content type='html'>&lt;div class="Livro" style="text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;st1:personname&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Andreza&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;, trinta e dois anos com ares de vinte e cinco, mulher bem sucedida, administradora de uma empresa bem colocada no mercado, dormiu até mais tarde, pois havia participado de uma reunião na noite anterior, depois uns drinques com alguns clientes e membros da equipe. Levantou-se, saiu do quarto e foi direto pra cozinha tomar um café. Continuava morando na casa dos pais, junto com o irmão mais novo. Só o do meio havia se casado e montado um pequeno apartamento com a ajuda do pai, porque ainda não havia terminado a faculdade. A mãe, como sempre, na cozinha, cuidando das coisas do almoço, dando uma ordem ou outra pra empregada e se queixando de que a moça nunca fazia as coisas direito e que depois ela mesma tinha que refazer tudo. Em cima da mesa, um buquê de rosas. No buquê, um cartão que fez&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;st1:personname&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;st1:personname style="text-indent: 24.1pt;"&gt;Andreza&lt;/st1:personname&gt;&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;lembrar que estavam no dia 8 de março:&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Feliz Dia da Mulher&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;.&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;st1:personname&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;st1:personname style="text-indent: 24.1pt;"&gt;Andreza&lt;/st1:personname&gt;&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;riu.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;- Foi o pai que te deu isso?&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;- Não, foi um namorado que eu mantenho há vinte anos e que agora você acabou de descobrir, destruindo para sempre a família. - ironizou a mãe.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;- Pode brincar. Mas o pai brincou mais, né?&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;- Por que? Porque me deu flores?&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;- Dia da Mulher, mãe? Pra você?&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;- Ué... Eu acho que mereço mais do que muitas! Mais do que você!&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;- Fala sério, né, mãe? Eu sou uma mulher batalhadora. Desde bem novinha, já saí pra cuidar da minha vida, estudei, me formei, tenho uma profissão, uma carreira, entrei numa empresa e lutei lá dentro até chegar no topo, comando minha vida, tenho minha liberdade e meus direitos garantidos e alcançados por mim mesma, tenho vida social e amigos, não fico fazendo comidinha nem passando roupinha pra homem, não sou uma criatura submissa e obediente, dentro de uma casa, limpando e cuidando de filhos. Você passou a vida inteira nessa cozinha, só passeava quando o pai levava, só saiu de casa com filhos em volta, só sei de você trabalhando nos projetos do pai onde ele cresceu e você voltou pra casa e pra cozinha. Mãe, acorda! O Dia da Mulher não tem nada a ver com você!&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;A mãe sorriu. Aquele sorriso complacente que só mães, em sua paciência infinita, conseguem fabricar num rosto cansado.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;-&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;st1:personname&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;st1:personname&gt;Andreza&lt;/st1:personname&gt;&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;, você está enganada. O dia de hoje é mais pra mim do que pra você.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;- Quem te disse isso? O pai?&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;- Não. A vida. Você está com a visão errada da minha. Eu também estudei. Também me formei. E, um dia, me apaixonei. E decidi que iria construir uma vida com aquele homem. E ele também queria construir uma vida comigo. Foi só o que fizemos. Eu não desisti de uma carreira profissional por submissão. Só troquei de carreira. E não tenho nenhum arrependimento. Cuidei de construir um lar agradável para aquele homem ter vontade de voltar e onde ele pudesse se sentir seguro e renovado pro dia seguinte. Pra continuar construindo um sonho. Não o dele. O nosso! Nos mantive felizes, saudáveis, harmoniosos. Perdoei falhas, não sendo inferior, sendo bondosa. E amorosa. Enquanto ele construía nosso sonho financeiro, eu construía nosso sonho familiar. Tive três filhos. Cuidei dos três. Amei os três. Os três cresceram, se formaram, construíram suas vidas, tudo com o apoio de um pai batalhador mas com a minha presença em tempo integral. Quando ajudei seu pai em negócios foi porque ele precisava de alguém da maior confiança dele pra um começo e só existia eu nessas condições. Eu não era a Obediente. Eu era a Especial! E a Essencial! Quando me retirei e voltei pra casa foi porque decidimos juntos que o negócio já não precisava de mim ou que o negócio não ia mesmo dar certo e que eu era mais importante dentro do castelo e perto de vocês três. Hoje estamos bem de vida, temos reservas, temos nossos filhos bem criados e resolvidos, nosso projeto de trinta e cinco anos atrás deu certo! Eu não abandonei coisas da vida pra me colocar sob as ordens do seu pai. Eu troquei um projeto de vida por outro e ele foi um sucesso! Me deixou feliz!&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;- Mas a vida que você teve nem se compara com a que eu tenho. Eu escolho minha vida! Eu decido o que é bom pra mim! Eu não me submeto nas relações, se não for como eu quero, um abraço. A fila anda. Isso é a mulher moderna. Essa é a mulher homenageada. A guerreira!&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;- Engano seu filha... Você pode ficar triste com o que vou dizer, mas essa mulher que você é não está sendo homenageada hoje. Hoje não é o Dia Internacional da Mulher? Pois então... O que eu fiz? Também estudei, também me formei, criei uma família do nada, também trabalhei, também batalhei pela vida, lado a lado com quem escolhi, usando os conhecimentos que adquiri quando estudei, peguei três criaturinhas que só choravam e se sujavam e transformei em três seres humanos crescidos, saudáveis, inteligentes e preparados para a vida, transformei uma mão na frente e outra atrás em uma vida segura, garantida pra cinco pessoas e mais uma funcionária, administrei o que seu pai trazia da maneira certa e necessária, sem mim ele não teria o que nós temos hoje, mantive toda essa gente unida e a maior parte do tempo feliz por mais de trinta anos! O que você faz,&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;st1:personname&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;st1:personname&gt;Andreza&lt;/st1:personname&gt;&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;, qualquer homem faz! O que eu fiz, só uma mulher é capaz de fazer. Logo, o dia é mais meu do que seu.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Enquanto&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;st1:personname&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;st1:personname&gt;Andreza&lt;/st1:personname&gt;&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;saía balançando a cabeça, a mãe deu o golpe de misericórdia. Mães são complacentes, pacientes, amorosas, dedicadas, abnegadas, mas jamais provoque uma mãe! Elas sabem ser cruéis quando é preciso...&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;- E ainda tenho um homem que me dá flores logo de manhã, mesmo depois de trinta e cinco anos de casamento. Cadê o seu?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-4638198724191762404?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/4638198724191762404/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=4638198724191762404&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/4638198724191762404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/4638198724191762404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2012/03/dia-da-mulher.html' title='DIA DA MULHER'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-4640900111911633484</id><published>2012-02-21T08:33:00.002-08:00</published><updated>2012-02-21T13:11:10.964-08:00</updated><title type='text'>ASCENÇO E A ELITE ESCOLAR</title><content type='html'>&lt;div class="Livro" style="text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;- Sabe o que me deixa estressado?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Ascenço, o mais estressado dos meus amigos, atacava de novo. Quando vinha essa pergunta, qualquer um que o conhecesse já sabia que, em seguida, vinha discurso. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;- Não sei, mas com certeza, você vai dizer, assim que...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;- Assim que você parar de falar! - atalhou o Ascenço.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Abrindo parênteses... Eu sempre quis usar o verbo ATALHAR em um texto. Quero agradecer, de público, ao meu amigo Ascenço por me proporcionar essa oportunidade. Fechando.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;- É o tal do preconceito escolar. Todo mundo combate todo tipo de preconceito, hoje em dia, menos esse. Na verdade, todo mundo estimula esse preconceito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;- Não entendi. Que preconceito escolar é esse?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;- Todo praticante de algum preconceito, na verdade, está dizendo &lt;b&gt;&lt;i&gt;Seja igual a mim&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;. O que ele pensa é &lt;b&gt;&lt;i&gt;Quem não for igual a mim, não é digno de respeito&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;. Preconceito contra gays se resume em &lt;b&gt;&lt;i&gt;Seja hetero como eu&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;. Contra negros em &lt;b&gt;&lt;i&gt;Devia ser branco como eu&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;. Homens contra mulheres e vice-versa. Religiosos contra ateus e vice-versa. Enfim, todos os preconceitos partem do princípio de que &lt;b&gt;&lt;i&gt;só é bom ser como eu sou&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Eu ia pedir pro Ascenço falar um pouco mais baixo, mas, desta vez, ele nem me deu tempo de começar. Consegui apenas explodir levemente o P do &lt;b&gt;&lt;i&gt;Por favor&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; e ele já estava falando de novo. Ninguém atalha como o Ascenço!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;- Portanto, exigir escolaridade à toa é só preconceito. Só estão dizendo &lt;b&gt;&lt;i&gt;Você só é bom se tiver o mesmo conhecimento que eu tenho&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;- Mas ninguém exige escolaridade à toa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;- No caminho pra cá vi um anúncio pedindo EMPREGADA DOMÉSTICA e exigindo OITAVA SÉRIE!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;- Mas isso é o mínimo, né, Ascenço?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;- Mínimo, uma ova! Isso é preconceito. E você, pelo que estou vendo, também é da elite escolar preconceituosa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;- Eu? Elite? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;- É sim! Onde já se viu condicionar o trabalho de uma pessoa a um estudo que nada tem a ver com o trabalho? É coisa de elite se achando o máximo porque acredita que está ajudando a levar as pessoas à escola, o que tem que ser uma grande coisa já que eles passaram um terço da vida dentro de uma e isso precisa ter uma justificativa. A única que eles conseguem produzir é essa: restringir a vida de quem não fez o mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;- Raciocínio exagerado e tendencioso, Ascenço.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;- Diz pra mim, honestamente... - Ascenço aumentou mais um pouco o volume da voz, gerando alguns suspiros indignados do sujeito sentado ao nosso lado. - Pra que uma empregada doméstica precisa de oitava série? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;- E eu que sou o preconceituoso? Se é empregada não pode ter estudo?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;- Eu não disse que NÃO PODE. Estou dizendo que NÃO PRECISA. Estou dizendo que é maldade condicionar o direito ao trabalho a isso. Ela vai encerar chão, lavar vidros, limpar banheiro, tirar pó de móveis, passar roupas, fazer almoço. Nessas atividades, qual a importância de saber resolver uma equação de segundo grau ou saber que o quinto presidente do Brasil foi Rodrigues Alves ou o que é uma oração subordinada substantiva? No que saber ou não saber isso interfere no bom desempenho do trabalho dela?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;- Mas hoje se pede oitava série até pra trabalhar como lixeiro!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;- E vocês, elite escolar, acham isso muito justo! Se exigissem que fosse branco ou que fizesse academia três vezes por semana ou que fosse católico, tinha marchas pelas ruas em protesto. Mas como exigem oitava série, a turma que organiza marchas acha muito justo. Afinal, eles também fizeram, tiveram que cumprir anos de regulamentos e pressão, qualquer um que não tenha passado por isso é menor, é indigno e não merece ganhar a vida nem mesmo como lixeiro ou empregada doméstica! Preconceito!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;- Mas esse contratante está ajudando, Ascenço! Ao forçar que a pessoa vá à escola, está ajudando no crescimento dela. Ela vai seguir e se formar em alguma coisa melhor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;- Mais preconceito. O conhecimento que você tem e o trabalho que você faz são melhores do que o conhecimento dela e o trabalho dela. Meu caro, você pode saber tudo sobre Teatro Grego ou cada passo do processo de sonorização de um filme, mas sabe como se prepara uma galinha ao molho pardo? Sabe qual é o melhor produto à disposição no mercado pra conservar a madeira da sua estante cheia de livros? O que leva você a acreditar que a sua cultura é melhor ou mais digna do que a dela? Você acha que o que você sabe é cultura e que o que ela sabe não é, só porque a sua cultura você foi buscar na escola e a dela veio de outro lugar. Elite escolar!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;O Ascenço, cada vez mais estressado, foi aumentando o volume da voz, aquilo já estava se tornando um palanque anti-elite escolar. Como estávamos dentro de um cinema, como o filme já estava começando e como eu percebi que, por engano, entramos na sessão não dublada, fiquei com receio de que houvesse muitos representantes da elite escolar por ali e que uma reação em grupo pudesse ocorrer. Levantei e fui levando o Ascenço pra fora da sala. Ele continuou esbravejando, tão estressado que nem percebeu que estava saindo do cinema.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Perdemos o filme. Mas eu não ia aguentar ver mesmo. Detesto legendas!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-4640900111911633484?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/4640900111911633484/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=4640900111911633484&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/4640900111911633484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/4640900111911633484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2012/02/ascenco-e-elite-escolar.html' title='ASCENÇO E A ELITE ESCOLAR'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-7299875169927798904</id><published>2012-02-16T18:50:00.001-08:00</published><updated>2012-02-16T18:52:54.597-08:00</updated><title type='text'>OFICINA DE DUBLAGEM!</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;CLIQUE NA IMAGEM!&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-N9QnzAxkl1A/Tz3ALin5u-I/AAAAAAAABBw/wQktQGBQT2Q/s1600/Divulga%C3%A7%C3%A3o.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-N9QnzAxkl1A/Tz3ALin5u-I/AAAAAAAABBw/wQktQGBQT2Q/s320/Divulga%C3%A7%C3%A3o.jpg" width="219" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-7299875169927798904?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/7299875169927798904/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=7299875169927798904&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/7299875169927798904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/7299875169927798904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2012/02/blog-post.html' title='OFICINA DE DUBLAGEM!'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-N9QnzAxkl1A/Tz3ALin5u-I/AAAAAAAABBw/wQktQGBQT2Q/s72-c/Divulga%C3%A7%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-1231560221639760703</id><published>2011-12-15T10:17:00.000-08:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.862-08:00</updated><title type='text'>TALVEZ...</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 30.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Aqueles que cometem erros às claras, talvez não considerem aquilo que cometem um erro. Talvez seja um erro só aos nossos olhos intolerantes. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 30.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Aqueles que cometem erros às escondidas talvez só sejam identificados por olhos dissimulados, olhos de quem comete os mesmos erros mas ainda não foi apanhado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 30.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Talvez nossas intolerâncias e dissimulações também sejam percebidas por todos e talvez não sejam delatadas por medo, amizade ou respeito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 30.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Talvez todas as coisas que consideramos faltas, crimes, ofensas, dentro de poucos anos sejam coisas consideradas naturais. Talvez algumas até virem obrigatórias. Como a mini-saia, o samba, o comunismo, a capoeira e a liberdade pra falar mal do governo. Tudo isso um dia já foi crime e era exigido do homem de bem que reprovasse e denunciasse.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 30.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Talvez um dia todos percebam que mazelas, querelas, opiniões e posições não valem nem podem valer um abraço honesto, um beijo sentido, um sorriso franco, uma confidência... um amigo... um amor!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 30.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Talvez um dia os regulamentos não se sobreponham ao senso de humanidade das pessoas e as pequenas quebras deles não se tornem motivo de discórdia, amargura, sofrimento, julgamentos, dedos apontados e execuções sumárias.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 30.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Talvez um dia o único regulamento necessário e o único de que todos serão cobrados seja: SEJAMOS FELIZES!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 30.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Talvez um dia notemos que se cada elemento de uma comunidade for feliz, a comunidade será feliz. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 30.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Talvez um dia... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 30.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Talvez já em 2012! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 30.0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Que ele chegue logo, então!&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-1231560221639760703?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/1231560221639760703/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=1231560221639760703&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/1231560221639760703'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/1231560221639760703'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2011/12/talvez.html' title='TALVEZ...'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-7119148508583651269</id><published>2011-09-14T06:34:00.000-07:00</published><updated>2011-12-07T06:25:23.360-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="300" src="http://www.youtube.com/embed/UcnJPF20I8U" width="480"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-top: 6.0pt; mso-pagination: widow-orphan lines-together; text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://catarse.me/pt/projects/271-depois-do-fim-do-mundo-parte-2"&gt;&lt;img border="0" height="66" src="http://1.bp.blogspot.com/-PdQqP5DJNrQ/Tm-YCNs1YpI/AAAAAAAAAGc/LLiLbuKObDU/s200/fimdomundo.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial;"&gt;Neste programa apresentamos trechos de execuções da música Moto Perpetuo de Nicolo Paganini em diversos instrumentos. Se você quiser assistir aos vídeos inteiros, os links estão abaixo:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial;"&gt;ACORDEOM - &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=i7rx7IlL5gs"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=i7rx7IlL5gs&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial;"&gt;CLARINETA1 - &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=5k8z7g1DP-o"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=5k8z7g1DP-o&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial;"&gt;CLARINETA2 - &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=KvhcQhCm24c"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=KvhcQhCm24c&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial;"&gt;GAITA - &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=hpK6BLAczVg"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=hpK6BLAczVg&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial;"&gt;GUITARRA1 - &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=nNX3pamy-6c"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=nNX3pamy-6c&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial;"&gt;GUITARRA2 - &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=zV1F59GYf40"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=zV1F59GYf40&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial;"&gt;VIOLÃO - &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=ba714t1f5Oc"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=ba714t1f5Oc&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial;"&gt;VIOLINO - &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=dPRWshWq9E4"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=dPRWshWq9E4&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-7119148508583651269?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/7119148508583651269/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=7119148508583651269&amp;isPopup=true' title='25 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/7119148508583651269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/7119148508583651269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2011/09/neste-programa-apresentamos-trechos-de.html' title=''/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/UcnJPF20I8U/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>25</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-506072982790839300</id><published>2011-09-02T07:56:00.000-07:00</published><updated>2011-12-07T06:25:23.373-08:00</updated><title type='text'>SHIFTMAN</title><content type='html'>&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;A vizinha do apartamento ao lado declarou na delegacia que tinha ouvido a voz dele dizendo “Cobra de Fogo” bem alto.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;A esposa explicou que devia ter sido a televisão.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;- Isso acontece sempre. Meu marido é dublador. Toda hora a voz dele está na TV. A gente acaba pensando que ele está em casa.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;- Dublador?&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;O policial designado para procurar Alceu Antunes depois de dois dias de sumiço ficou curioso.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;- Ele dubla personagens de filmes, de desenhos, essas coisas?&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;- É. “Cobra de Fogo” é uma voz de comando de uma série que ele dubla.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;- Eu sei. Meu filho assiste. É o Shiftman, né? Aquele cara que grita avisando pro bandido cada golpe que ele vai dar, né?&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;O filho de Alceu, fã da série, se animou.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;- Esse mesmo. Ele tem golpes da hora. E cada vez que muda o civil, tem golpe novo.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;- Filho, deixa a mãe falar com o guarda.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;- Investigador, dona.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;- Claro, desculpe. É que estou muito nervosa. Já faz dois dias. Já liguei pra todos os estúdios em que ele trabalha.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;- Dublador trabalha em muitos estúdios, é?&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;- A cada dois anos outra pessoa vira o Shiftman. Esse herói é assim. &lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;- Filho, fica lá fora um pouquinho. Dublador não tem contrato. Trabalha por chamadas. Cada dia é um estúdio que chama. Às vezes tem dois ou três estúdios no mesmo dia.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;- Vida corrida, hein?&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;- E cada novo Shiftman tem alguma coisa do outro. O segundo Shiftman tinha o mesmo cabelo do primeiro. Da mesma cor, do mesmo tamanho...&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;- Filho!&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;- Quando a senhora viu o seu marido pela última vez?&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;- Foi anteontem. Ele saiu cedo pra ir dublar. Eu precisei sair à tarde, mas ele disse que ia buscar o Zinho na escola e que ia ficar em casa depois disso.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;- E ele foi buscar o garoto?&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;- Meu pai foi me buscar na escola sim. Mas, olha, o terceiro Shiftman foi escolhido porque não tinha o dedinho da mão esquerda, igual ao segundo que perdeu o dedo na luta contra os Invasores de Kyron.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;- Filho, isso não tem importância. Estamos procurando o seu pai!&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;- Eu sei, mãe. É que isso...&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;- Chega! - a mãe já estava perdendo o controle - Você só fica falando dessa maldita série que seu pai dubla! Acho até que a culpa do sumiço é da série!&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;- Como assim? A senhora acha que alguém do estúdio fez alguma coisa com seu marido?&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;- Não. Mas essa série acabou deixando o Alceu famoso. Ele é chamado pra convenções, eventos, palestras. Todo mundo conhece o Alceu Antunes, “o eterno Shiftman”, como os fãs dizem. E muita gente acredita que ele é rico por causa disso. Vai ver que sequestraram ele.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;- É improvável, senhora. Se fosse esse o caso, teriam sequestrado o seu filho pra que seu marido pagasse. E já teriam entrado em contato.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;- Na última temporada disseram que estava na hora do Shiftman se...&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;A mãe explodiu.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;- Sai daqui! Deixa eu conversar com o investigador. Seu pai desaparece e você só quer ficar falando de televisão! Vai lá pra fora!&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;O menino foi pro corredor. Um tanto chateado. Ninguém ouve criança! Ele não estava só falando de televisão. Estava tentando ajudar. Ele sabia o que tinha acontecido com o pai. A vizinha não estava enganada. O pai tinha ido buscá-lo na escola. Calado. Olhar meio perdido. A única coisa que disse no caminho pra casa foi “Quando o chamado vem, o forte não se furta a atender”. Era a frase de abertura do Shiftman. O pai sempre repetia essa frase nos eventos e palestras a que era chamado. &lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;Chegaram em casa, o pai se trancou no quarto. Gritou “Cobra de Fogo”, como a vizinha disse, e não foi mais visto.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;É claro que o garoto sabia o que tinha acontecido. Estava triste com o sumiço do pai, mas, ao mesmo tempo, estava orgulhoso. O chamado tinha vindo. Afinal, Alceu Antunes tinha uma coisa igual ao Shiftman anterior. Ele tinha a mesma voz!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-506072982790839300?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/506072982790839300/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=506072982790839300&amp;isPopup=true' title='28 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/506072982790839300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/506072982790839300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2011/09/shiftman.html' title='SHIFTMAN'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>28</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-8230175733117238385</id><published>2011-08-28T17:06:00.000-07:00</published><updated>2011-12-07T06:25:23.386-08:00</updated><title type='text'>ESPECIAL</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Fiz a letra. Pras minhas três filhas. Já faz tempo!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;st1:personname&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Mauro Castro&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt; fez a melodia. Nunca aprendi a tocá-la. Por isso nunca pude mostrá-la.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;O Mauro, ás vezes, toca por aí, mas eu nem fico sabendo. Ele bem que podia gravar pra gente postar o áudio aqui.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Mas já que não consigo mostrar cantando, que fique registrada aqui, até eu aprender aquela quantidade enorme de dissonantes que o Mauro faz no violão quando toca!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Especial...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Uma espécie de prazer,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;te ver&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;livre a dançar!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Especial...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Especificando, é bom&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;o som&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;ao te ouvir falar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Você sonhar&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;é natural...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Especial!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Especial...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Uma espécie popular.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;É comum você se dar,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;se entregar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Uma grandeza natural.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Carinho oculto, especial.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Especial...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Uma espécie racional.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Tanto a planejar!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Especial...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Segurança tão normal...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Banal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Vive pra brilhar!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Tão forte e tão&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;colegial...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Especial!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Especial...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Uma espécie de paixão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Cabem três num coração,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;numa canção.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Como um arranjo instrumental.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Como uma orquestra pessoal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Especial!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-8230175733117238385?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/8230175733117238385/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=8230175733117238385&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/8230175733117238385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/8230175733117238385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2011/08/especial.html' title='ESPECIAL'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-5278043870228171512</id><published>2011-08-25T04:35:00.000-07:00</published><updated>2011-12-07T06:25:23.398-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object height="300" width="480"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/tmPg4wxoN1k?version=3&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/tmPg4wxoN1k?version=3&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="300" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Neste programa comentamos o evento &lt;b&gt;Anime-Hai&lt;/b&gt;, realizado em Goiânia e, na &lt;b&gt;Hora do Ferro&lt;/b&gt;, vamos mostrar o evento &lt;b&gt;AnimePlace&lt;/b&gt;, do Rio de Janeiro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-5278043870228171512?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/5278043870228171512/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=5278043870228171512&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/5278043870228171512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/5278043870228171512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2011/08/neste-programa-comentamos-o-evento.html' title=''/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-6030308465890509843</id><published>2011-07-15T08:26:00.000-07:00</published><updated>2011-12-07T06:25:23.411-08:00</updated><title type='text'>TERREMOTO!</title><content type='html'>&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;- Sabe o que me deixa estressado?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;- A você, quase tudo. A mim, poucas coisas. Uma delas é gente que liga pra mim antes de eu acordar. - respondi com o mau humor matinal habitual.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;O Ascenço, meu velho amigo e a pessoa mais estressada do mundo pediu desculpas do jeito dele:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;- Você dorme muito! - e continuou - Mas os jornais estão me deixando estressado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;- Dessa vez por que, Ascenço? - resmunguei.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;- Você viu a notícia do terremoto no Japão?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;- Claro que vi, Ascenço. Já tem meses que isso aconteceu. Você só soube agora?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;- Taí. Dorme demais, fica desinformado. Teve outro essa noite.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;Comecei a acordar. O mau humor começou a passar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;- Caramba! Outro? Coitados dos japoneses!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;- É coitados, mas eles já sabem o que fazer. Estão acostumados, né? Afinal, terremoto no Japão não é novidade. Toda hora tem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;- É. Isso é verdade. Mas morte sempre incomoda, né? Ninguém se acostuma com parentes morrendo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;- Nesse não morreu ninguém.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;- Felizmente! Muita gente machucada?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;- Nenhum ferido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;- De qualquer maneira, prédios derrubados, veículos amassados, coisas pessoais perdidas...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;- Não houve nenhum dano material, de acordo com a notícia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;- E depois o abalo sempre atinge o mar e provoca aquelas ondas enormes que invadem as cidades...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;- Não tem alerta de tsunami, então não atingiu o mar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;- Alguma usina nuclear atingida?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;- A Usina de Tokai que fica na região do terremoto estava com o reator desligado, mas, de qualquer maneira não foi atingida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;Aí eu já estava totalmente acordado. A irritação de ser acordado pelo telefone cedo demais já tinha dado lugar à curiosidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;- Mas, Ascenço? Se está tudo bem, por que você está estressado?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="mso-bidi-font-size: 12.0pt;"&gt;- Você não percebe? Ontem à noite teve um terremoto no Japão, lugar onde tem terremoto a toda hora, portanto, não é novidade. No terremoto não morreu ninguém, não teve danos materiais, não há risco de tsunami, nenhuma usina atômica foi atingida, ou seja, não aconteceu nada! Ocuparam uma página de jornal pra noticiar que ontem, no Japão, não aconteceu nada! Essa imprensa estressa ou não estressa?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-6030308465890509843?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/6030308465890509843/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=6030308465890509843&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/6030308465890509843'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/6030308465890509843'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2011/07/terremoto.html' title='TERREMOTO!'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-1035909022791949288</id><published>2011-07-12T05:26:00.000-07:00</published><updated>2011-12-07T06:25:23.423-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="303" src="http://www.youtube.com/embed/RLcEOkx9UWM" width="480"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/div&gt;Neste programa temos &lt;b&gt;&lt;i&gt;A Hora do Ferro&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;, desta vez sem repetições.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E temos um papo com &lt;b&gt;&lt;i&gt;Mário Lúcio de Freitas&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;, músico, ator, diretor, criador do lendário estúdio Gota Mágica. Ele vem falar de um antigo projeto de Marcelo Gastaldi, o seriado Feroz e Maumau.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se quiser saber mais sobre Mário Lúcio de Freitas, acesse o site:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;www.marioluciodefreitas.com.br&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-1035909022791949288?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/1035909022791949288/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=1035909022791949288&amp;isPopup=true' title='37 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/1035909022791949288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/1035909022791949288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2011/07/neste-programa-temos-hora-do-ferro.html' title=''/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/RLcEOkx9UWM/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>37</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-1260280351482637249</id><published>2011-06-18T21:37:00.000-07:00</published><updated>2011-12-07T06:25:23.435-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="303" src="http://www.youtube.com/embed/UMKTJYEKno4" width="480"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Neste programa falamos de palavrões nos filmes, de aberturas de animês, de energia nuclear, temos a participação de &lt;b&gt;Alexandre Nagado&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Sandra Monte&lt;/b&gt; e a volta da &lt;b&gt;Hora do Ferro!&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 14px; line-height: 20px; text-align: center;"&gt;Mensagens para o programa pelo link&amp;nbsp;&lt;b&gt;&lt;u&gt;COMENTÁRIOS&amp;nbsp;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&amp;nbsp;abaixo.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 14px; line-height: 20px; text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 14px; line-height: 20px;"&gt;&lt;b&gt;NÃO ESQUEÇAM DE COLOCAR CIDADE E ESTADO ALÉM DO NOME!&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-1260280351482637249?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/1260280351482637249/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=1260280351482637249&amp;isPopup=true' title='53 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/1260280351482637249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/1260280351482637249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2011/06/neste-programa-falamos-de-palavroes-nos.html' title=''/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/UMKTJYEKno4/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>53</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-1639545907887266484</id><published>2011-05-30T16:03:00.000-07:00</published><updated>2011-12-07T06:25:23.447-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="303" src="http://www.youtube.com/embed/zcKjUHtFTrU" width="480"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;ALAMO ENCERRA SUAS ATIVIDADES!&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por que a Alamo está fechando suas portas? O que acontece com o mercado de dublagem no Brasil? Não haverá mais grandes estúdios? E esse encerramento de atividades de um dos maiores estúdios de dublagem do país, é definitivo? Haverá uma volta?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem responde a essas questões no Papo com o Machado é &lt;b&gt;&lt;i&gt;Alan Stoll&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;, proprietário da Alamo, filho do fundador &lt;b&gt;&lt;i&gt;Michael Stoll&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;. &amp;nbsp;E ainda temos os comentários dos profissionais que, no decorrer dos anos, ocuparam o cargo de Coordenador Artístico da empresa: &lt;b&gt;&lt;i&gt;Orlando Viggiani, Nair Silva, Eduardo Camarão, Angélica Santos e Wendell Bezerra&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Mensagens para o programa pelo link &lt;b&gt;&lt;u&gt;COMENTÁRIOS &lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&amp;nbsp;abaixo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 14px; line-height: 20px;"&gt;&lt;b&gt;NÃO ESQUEÇAM DE COLOCAR CIDADE E ESTADO ALÉM DO NOME!&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-1639545907887266484?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/1639545907887266484/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=1639545907887266484&amp;isPopup=true' title='29 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/1639545907887266484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/1639545907887266484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2011/05/alamo-encerra-suas-atividades-por-que.html' title=''/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/zcKjUHtFTrU/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>29</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-3984885747890080437</id><published>2011-05-17T12:55:00.000-07:00</published><updated>2011-12-07T06:25:23.461-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="303" src="http://www.youtube.com/embed/EfFjQkxeCUE" width="480"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;A partir deste mês, o Papo com o Machado não estará mais na página da Capricórnio e sim aqui neste blog e em&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/capricorniotv"&gt;http://www.youtube.com/capricorniotv&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Como eu já informei pelo Facebook e pelo Twitter, haverá um programa novo após 1000 acessos ao programa anterior.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;As mensagens para o programa passarão a ser enviadas pelo link de comentários que fica logo abaixo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;NÃO ESQUEÇAM DE COLOCAR CIDADE E ESTADO ALÉM DO NOME!&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-3984885747890080437?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/3984885747890080437/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=3984885747890080437&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/3984885747890080437'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/3984885747890080437'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2011/05/partir-deste-mes-o-papo-com-o-machado.html' title=''/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/EfFjQkxeCUE/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-8671684929376885610</id><published>2011-05-10T00:13:00.000-07:00</published><updated>2011-12-07T06:25:23.475-08:00</updated><title type='text'>E SE?</title><content type='html'>&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align: auto; mso-vertical-align-alt: auto; punctuation-wrap: hanging; text-align: justify; text-autospace: ideograph-numeric ideograph-other; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial; font-size: 10.5pt; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Trinta e cinco anos depois eles se reencontraram. Por acidente. Na sala de espera de um dentista. Os dois estavam sentados, esperando. Ela folheava uma revista com a tranquilidade de quem vai com frequência ao dentista só pra ouvir que está tudo bem, os dentes continuam perfeitos e nada precisa ser feito. Ele com o pavor que sempre teve de dentista, tentava se distrair olhando pra todos os lados. Quando olhou pra ela, sentiu uma coisa estranha. Ela parecia alguém. Mas ele não tinha certeza. Não até a recepcionista nova chamá-la. A funcionária, pra não errar o cliente, chamava todos pelo nome completo. Aí ele teve certeza. Ele nunca esqueceu aquele nome. Era ela!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align: auto; mso-vertical-align-alt: auto; punctuation-wrap: hanging; text-align: justify; text-autospace: ideograph-numeric ideograph-other; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial; font-size: 10.5pt; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Tinham sido namorados. Há trinta e cinco anos. Ele foi namorado dela por quase um mês. Sem ela saber. Ela foi namorada dele por um dia. E se assustou. Afinal, aos dezoito anos perceber que está começando a namorar um rapaz de dezenove, casado, era assustador! Tudo terminou mesmo antes de começar. Um capítulo no livro de duas vidas que foi pulado, ficou sem final.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align: auto; mso-vertical-align-alt: auto; punctuation-wrap: hanging; text-align: justify; text-autospace: ideograph-numeric ideograph-other; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial; font-size: 10.5pt; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Ele não resistiu. Cancelou a consulta, esperou que ela saísse e a abordou. No começo ela não se lembrou dele. Quando ele deu alguns detalhes, sem tocar no capítulo delicado, ela se lembrou. Se lembrou de tudo! Mas a princípio fingiu que se lembrava vagamente. Ela a convidou para um café. Se sentaram, pediram seus cafés, começaram a conversar. No começo amenidades, lembra de fulano, o que aconteceu com beltrano, depois contaram suas vidas um pro outro, como tinham sido aqueles trinta e cinco anos pra cada um... Aos poucos foram ganhando confiança pra falarem do assunto. O capítulo sem fim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align: auto; mso-vertical-align-alt: auto; punctuation-wrap: hanging; text-align: justify; text-autospace: ideograph-numeric ideograph-other; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial; font-size: 10.5pt; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Como teria sido a vida deles se o capítulo sem fim tivesse se desenvolvido em um livro inteiro? Ele gostava dessa brincadeira de&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial; font-size: 10.5pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial; font-size: 10.5pt; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;E se?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial; font-size: 10.5pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial; font-size: 10.5pt; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;E se em vez disso, acontecesse aquilo? O que mudaria na vida? Ele sempre fazia esse joguinho mentalmente, com tudo. Ela não tinha muita prática disso. Ele começou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align: auto; mso-vertical-align-alt: auto; punctuation-wrap: hanging; text-align: justify; text-autospace: ideograph-numeric ideograph-other; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial; font-size: 10.5pt; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Ele teria se separado de qualquer forma, como realmente aconteceu. Livre de impedimentos, ele seria extremamente encantador para ela, conquistaria até a alma dela. Logo iriam morar juntos, ele sentindo que agora sim estava vivendo o grande amor e que, por esse amor, tudo valeria a pena. Ele faria qualquer sacrifício pra que tudo desse certo e fossem felizes para sempre.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align: auto; mso-vertical-align-alt: auto; punctuation-wrap: hanging; text-align: justify; text-autospace: ideograph-numeric ideograph-other; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial; font-size: 10.5pt; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Mas tudo aconteceria à revelia da família dela que jamais aceitaria a situação. E ele não teria a primeira filha que teve no primeiro casamento. Não se separaria pra viver sozinho, como tinha acontecido. Não conheceria o mundo solitário da noite e não teria os amigos que teve, nem seguiria os caminhos que seguiu. Iria viver de outras coisas, já que ela tinha outros hábitos, outras necessidades e ele se sentiria na obrigação de suprir. Por não seguir a vida nos mesmos lugares, não conheceria aquela que mais tarde seria sua esposa definitiva e não teria mais uma filha com ela. As filhas não cresceriam e não dariam a ele os netos que tem hoje em dia. Por não ter vivido no ambiente que viveu, ele não teria a carreira que teve, não iria crescer e se tornar conhecido naquele mundo profissional. Como era nisso que ele estava destinado a se dar bem, nunca se daria muito bem em nada, hoje estaria aposentado, em casa, irritado com seu passado, ressentido com sua vida e descontando tudo em cima dela, culpando-a por tudo de bom que poderia ter acontecido e não aconteceu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align: auto; mso-vertical-align-alt: auto; punctuation-wrap: hanging; text-align: justify; text-autospace: ideograph-numeric ideograph-other; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial; font-size: 10.5pt; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Era a vez dela.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align: auto; mso-vertical-align-alt: auto; punctuation-wrap: hanging; text-align: justify; text-autospace: ideograph-numeric ideograph-other; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial; font-size: 10.5pt; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Ela ficaria receosa por ter participado de uma separação, mas ele seria tão encantador, tão dedicado, tão carinhoso que logo ela se entregaria de corpo e alma àquela aventura romântica que sempre parece eterna quando se tem dezoito anos. Aquela atração e aquele interesse cheio de curiosidade pelo mundo novo que ele representava fariam com que ela se apaixonasse irremediavelmente. Tudo valeria a pena. Ela faria qualquer sacrifício para que tudo desse certo e fossem felizes para sempre.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align: auto; mso-vertical-align-alt: auto; punctuation-wrap: hanging; text-align: justify; text-autospace: ideograph-numeric ideograph-other; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial; font-size: 10.5pt; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Mas ela teria brigado com a família por causa dele, sairia de casa magoada e magoando e se passariam anos até que conseguisse retomar algum relacionamento, nunca mais o mesmo, com todos os que amava antes de amá-lo. Quase que imediatamente teria que sair da faculdade cara, a melhor da cidade, porque o pai diria que não iria colaborar com um centavo na vida daquele casal que ele não aprovava. No começo ela quase não ligaria, mas o tempo iria passando e ela perceberia que a vida ficava cada vez mais difícil e que não retomaria de onde parou nunca mais. Não se formaria, não conseguiria melhores empregos naquilo que queria fazer, já que o que ela queria fazer exigia formação universitária. A dificuldade da vida geraria medo e o medo tolheria a vontade de ter filhos, portanto, ela não teria a filha que hoje tem. Com um emprego menor e ele ganhando tão pouco numa carreira de fracassos, ela não teria as roupas que teve, não moraria nos lugares onde morou, não faria os passeios que fez, não viajaria pro exterior como viajou. Hoje estaria aposentada em casa, irritada com seu passado, ressentida com sua vida e descontando tudo em cima dele, culpando-o por tudo de bom que poderia ter acontecido e não aconteceu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align: auto; mso-vertical-align-alt: auto; punctuation-wrap: hanging; text-align: justify; text-autospace: ideograph-numeric ideograph-other; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial; font-size: 10.5pt; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Não... Definitivamente não deviam mexer com o passado. Tudo o que aconteceu era pra ter acontecido exatamente do jeito que foi. Se mudassem um gesto, um dia, um segundo, uma decisão, tudo mudaria e nada seria como é hoje. E os dois gostavam da vida como estava. Não queriam mudar as coisas de maneira definitiva. As duas histórias já tinham sido escritas e mudar algum capítulo seria jogar as duas obras fora.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align: auto; mso-vertical-align-alt: auto; punctuation-wrap: hanging; text-align: justify; text-autospace: ideograph-numeric ideograph-other; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial; font-size: 10.5pt; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Mas o futuro ainda não tinha acontecido. O dia seguinte ainda não estava escrito. E mesmo que um ato de hoje possa ter enorme influência nas coisas de daqui a dez anos, nada está definido. Essa obra ainda não está pronta. O capítulo final do futuro está muito distante. E os dois sabiam que, mesmo com a certeza de que não seria bom mexer no passado, o capítulo inicial de um passado que não aconteceu tinha sido escrito. Isso nunca incomodou de verdade a nenhum dos dois até aquele momento, até se encontrarem, até estarem frente a frente naquele café. As mãos esbarraram quase que sem querer sobre a mesa, os olhares se cruzaram por uma fração de segundo e naquele momento os dois souberam que nada, mas nada mesmo, na possível história futura poderia impedir o que iria acontecer dali a poucos minutos.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-layout-grid-align: auto; mso-vertical-align-alt: auto; punctuation-wrap: hanging; text-align: justify; text-autospace: ideograph-numeric ideograph-other; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial; font-size: 10.5pt; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Aquele velho capítulo merecia um final feliz.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-8671684929376885610?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/8671684929376885610/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=8671684929376885610&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/8671684929376885610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/8671684929376885610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2011/05/e-se.html' title='E SE?'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-1118470867242055285</id><published>2011-05-02T20:12:00.000-07:00</published><updated>2011-12-07T06:25:23.489-08:00</updated><title type='text'>NO MÊS DE MAIO</title><content type='html'>&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;Ela até teria motivos pra comemorar o mês. Não um dia. Não uma semana. O mês! Afinal, era maio e ela, sendo negra e ativista, sempre se sentiu compelida a comemorações no dia 13 de maio.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;Tendo uma carreira de sucesso na empresa, sempre disposta, ativa, arrojada, adorava o posição de mulher que trabalha e sentia que o dia Primeiro de Maio era uma homenagem a ela. &lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;Sendo mãe de um rapaz de 19 anos que ela criou sem o marido, que havia morrido quando o garoto tinha apenas 8 anos, ela se sentia orgulhosa e merecedora quando era presenteada no segundo domingo de maio. Este ano, a data caía no dia 8, dia de seu aniversário. &lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;Ela teria todos esses motivos pra comemorar o mês. Mas naquele momento não queria comemorar nada. A negra era olhada por brancos com piedade, o que feria seu brio ativista. A profissional se arrependia por ter dedicado tantos anos à carreira e tão pouco tempo pra si e pra sua casa. A mulher se sentia bem mais velha do que estava se tornando naquele dia porque a mãe sofria a mais atroz das dores: o velório de seu filho.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;Garoto forte, bonito, bem educado, criado com todas as facilidades que a mãe, profissional bem remunerada e em ascensão, podia e queria proporcionar. Boas escolas, boa cultura, boa educação, boa alimentação, boa saúde. Sem um pai presente e com a mãe trabalhando cada vez mais, o garoto cresceu com boa formação, mas um tanto solto. Encarava o mundo meio como parte de suas propriedades. Tinha um certo senso de responsabilidade e boa índole, mas o mundo é o mundo. Não se vive solto nele impunemente. Pequenos problemas na escola quando criança, leves delinquências na adolescência, uma certa impunidade já que a mãe não estava presente pra se irritar.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;Dois meses antes daquele velório, no final de março, pelas mãos de um colega da faculdade, foi apresentado ao seu algoz: o crack!&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;Em poucas semanas a vida dele começou a se alterar de forma irreversível. Ela havia percebido mudanças no filho, mas não tinha tempo para prestar muita atenção. Chegava tarde e exausta do trabalho. Saía cedo porque tinha compromissos. O rapaz andava meio calado, um tanto rebelde, um péssimo humor. Ela comprou um computador novo pra ele. Dois dias depois o equipamento não estava mais na casa. Defeito na configuração, foi o que ele alegou. Estava com um amigo que ia dar um jeito. Quando ela chegou a perceber que a máquina não voltava nunca do conserto, quando começou a notar o emagrecimento do filho, quando sentiu falta de algumas coisas na casa como quadros ou pequenos aparelhos domésticos, já havia se passado mais de um mês. Uma noite tentou uma conversa e recebeu apenas um “Quem é você?” como resposta antes que ele saísse batendo a porta. Foi a noite de 6 de maio. Ela se lembrava, enquanto chorava ao lado do caixão, que havia sentido uma coisa estranha naquele momento. Uma compulsão de sair correndo atrás dele, de puxá-lo de volta pra casa. Mas decidiu esperar pela volta dele colocando em dia seus relatórios no notebook. &lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;Quando estranhos colocaram a tampa no caixão para que fosse carregado, ela se lembrou de que havia caído no sono abraçada ao notebook naquela noite. De manhã, a cama dele nem estava desfeita. Poucas horas depois, quando ia ligar pro escritório para avisar que não iria trabalhar naquele dia para procurar o filho, recebeu a visita da polícia. Uma briga. Pequenos traficantes e alguns estudantes. Um tiroteio. E agora ela estava ali, olhando o caixão com a tampa colocada sendo carregado para o local de onde nunca mais seu filho sairia. Ela chorou. Alto. Aos gritos. Chorou de dor. De tristeza. De abandono. Mas, principalmente, de arrependimento.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;Acordou chorando. E gritando. Com o filho ao lado, chamando, tentando acordá-la. Ainda atônita, ouvia o filho dizer que ela teve um pesadelo, pra ela se acalmar, que já estava na hora de ela ir trabalhar e que ele estava saindo.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;Ela olhou instintivamente para o rádio-relógio. Viu que eram oito e quinze da manhã. Viu que a temperatura estava em 23 graus. E viu que era dia 8 de março!&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;Um sonho! Daqueles sonhos que se sonha em poucos minutos mas nos quais se passam horas e dentro dos quais se lembra de meses de fatos que não ocorreram.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;Sempre foi uma mulher de decisões rápidas. Naquele dia mesmo pediu as férias que não tirava havia anos. Dali mesmo ligou para o celular do filho e disse pra ele trancar a matrícula na faculdade. Eles iriam viajar. Por dois meses. Pra onde? Não importava. Os lugares que ele quisesse. A idéia entusiasmou o rapaz e ele fez o que ela pediu. Dois dias depois estavam embarcando para lugares que ele imaginou que só visitaria quando fosse um profissional de respeito, igual à mãe. Ele feliz. Ela ainda em dúvida. Estaria fazendo a coisa certa? O sonho teria algum sentido? Evitaria mesmo acontecimentos que estariam por vir? Ou tudo não passava de bobagens, de superstição? Bem, por via das dúvidas...&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;Semanas depois, exatamente no dia 8 de maio, dia do aniversário dela, Dia das Mães, eles tomavam um táxi em Cumbica para voltarem pra casa. Ele mais feliz do que quando partiram. Ela mais satisfeita consigo mesma do que jamais havia se sentido.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;A negra ativista contente com o que viu pelo mundo e com o tratamento recebido nos lugares onde esteve. A profissional recompensada por perceber que todos aqueles anos de luta tinham proporcionado a ela a possibilidade de fazer o que fez. A aniversariante se sentindo presenteada por ter o filho ao seu lado, vivo e saudável, o que dava à mãe a sensação de utilidade e de eficiência na função. A mulher com a certeza de ter tomado a decisão certa e feliz por ter feito isso no dia 8 de março.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;Mas lá dentro dela, maior do que todas as sensações, mais do que o orgulho da negra, mais do que a satisfação da profissional, mais do que a alegria da aniversariante, mais do que o alívio da mãe, mais do que a confortante confirmação de posicionamentos feministas, havia nela um conhecimento que a tornava maior do que tudo, grande, gigante, universal. E fazia com que o tempo fosse dela. Não o dia. Não a semana. Nem mesmo o mês. O tempo. Eterno. Porque ela sabia que dali por diante, todas aquelas facetas eram apenas partes de uma coisa maior e sem nome. Simplesmente um ser, sem cor, sem sexo, sem profissão, sem ativismos, apenas um ser vivo capaz de tudo e com sabedoria suficiente pra estabelecer prioridades e, para sempre, proteger sua cria.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-1118470867242055285?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/1118470867242055285/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=1118470867242055285&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/1118470867242055285'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/1118470867242055285'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2011/05/no-mes-de-maio.html' title='NO MÊS DE MAIO'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-2107772273182784542</id><published>2011-03-31T05:20:00.001-07:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.864-08:00</updated><title type='text'>ALENCAR</title><content type='html'>&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;Confesso que não tinha muito conhecimento de quem era José Alencar até ele virar vice-presidente. Em se tratando de um político, isso até que pode ser uma boa referência. Afinal, os políticos só frequentam nossos jornais quando fazem coisas ruins, já que a política da nossa imprensa é a de que boas notícias não vendem.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;Mas a morte de alguém importante já é má notícia boa o suficiente pra ganhar primeiras páginas impressas e boas chamadas do tipo “não percam, hoje, no Jornal Tal” televisionadas. E aí entrevistam amigos, parentes, correligionários. Claro, todos ressaltam as virtudes do morto. Como é um político, isso passaria pra História assim e o assunto estaria terminado.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;Mas não pra nossa imprensa. Nossa imprensa tem que sugar até o último centavo que puder tirar daquele defunto. Como sabem que depois do funeral a notícia acabou, precisam ir cavar mais fundo. Dá pra faturar por mais uns dois ou três dias com o assunto. Se achar (ou criar) uma sujeira das boas, o falecido ainda vai render uns trocados por algumas semanas!&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;Como não conseguiram cavar nada mais recente, foram procurar a tal da filha ilegítima! Uma mulher que nasceu em 1954! Quando o Alencar tinha 23 anos e tinha uma lojinha em Caratinga! Diz a notícia que ela entrou com pedido de paternidade em 2001 (aos 47 anos!), quando Alencar já era um grande empresário em Minas e senador da República. Claro, houve aí uma falha da parte dele ao se recusar a fazer o exame de DNA. Mas diz a notícia que a Justiça deu ganho de causa a ela e que a autorizou até mesmo a usar o sobrenome oficialmente.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;Pronto! Toda uma vida de sucesso e de acertos vai sendo jogada fora. Nada do que se diz do homem deve ser verdade, já que ele engravidou uma namorada quando tinha 23 anos! Abaixo da notícia, nos comentários, dezenas de mulheres escandalizadas recriminando o vilão machista! Bom, tem lá um ou dois rapazes também, tá bom. E a maioria gritando sobre direitos feministas e que se a rica fosse a filha e o pobre fosse o pai, ela já teria ganhado a causa. Que o cara não era tão bom assim, que era um safado que “pulava cerca” e não queria assumir.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;Não é possível! Será que as pessoas não sabem mesmo ler? A matéria está dizendo que ela já foi reconhecida pela justiça! Além disso, tudo aconteceu em 1954! Ele tinha 23 anos! Não "pulou cerca" nenhuma! E nem era o homem que conhecemos hoje. As moças e rapazes que estão lá botando suas crises pra fora (na verdade estão recriminando seus parceiros, prevenindo para o caso de acontecer o mesmo), essas pessoas são as mesmas de quinze anos atrás? Todas agem, pensam, vivem, como viviam quando tinham oito ou nove anos? Todos que um dia quebraram uma janela de vizinho aos dez anos concordam em pagar uma reforma naquela casa agora, aos 30? Por que exigem que um homem de mais de 70 anos consiga lidar com facilidade com um evento ocorrido cinquenta anos antes?&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;Enfim, o nosso jornalismo é feito assim e leva as pessoas a se sentirem inteligentes, cultas e engajadas se ajudarem a falar mal de tudo, a reclamar de tudo, a jogar a auto-estima de sua própria gente na lama, somos dirigidos a achar que tudo o que é nosso não presta. E o que aparentemente presta deve ser desmantelado pra parecer que não presta.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-align: justify; text-indent: 24.1pt;"&gt;No fim, ficam no ar as perguntas: em quê essa matéria contribuiu para alguma coisa no país? Em que a vida do brasileiro vai melhorar por ter sido informado disso? Pra que serviu isso? Que importância tem esse fato na vida sócio-político-econômica dos leitores? Que espécie de jornalismo é esse?&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-indent: 24.1pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-2107772273182784542?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/2107772273182784542/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=2107772273182784542&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/2107772273182784542'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/2107772273182784542'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2011/03/alencar_31.html' title='ALENCAR'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-4209544004105112768</id><published>2011-03-18T08:52:00.001-07:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.864-08:00</updated><title type='text'>SEUNEGÃO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-indent: 24.1pt;"&gt;Atílio Sampaio dos Anjos. Esse era o nome verdadeiro. Mas todo mundo só descobriu isso no dia da prisão. &lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-indent: 24.1pt;"&gt;Na vila onde morava era conhecido como Seunegão. Quase dois metros de altura. Preto, filho de pretos, neto de pretos, bisneto de pretos... Por uma coincidência histórica, na família do Seunegão nunca houve miscigenação. E ele gostava da definição “preto”. Achava que essa história de negro ou afro-não-sei-quê era metidice de branco com faculdade pra não parecer racista. &lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-indent: 24.1pt;"&gt;- Se eles dizem que não tem diferença, pra que ficar inventando nome diferente pra cor? Se o branco é branco, então o preto é preto. O resto é frescura.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-indent: 24.1pt;"&gt;Mas não gostava que chamassem de Negão. Achava que era muita intimidade. Ele não estava nem aí pra esse papo de politicamente correto. Só queria respeito.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-indent: 24.1pt;"&gt;- Negão não! É Seu Negão!&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-indent: 24.1pt;"&gt;De tanto que insistiu, virou o nome dele: Seunegão. &lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-indent: 24.1pt;"&gt;Marquinho, sujeito baixinho e folgado do bairro, insistia em não respeitar Seunegão. Achava um absurdo um camarada que vivia no mesmo lugar, do mesmo jeito, com os mesmos problemas, ficar com aquele papo de respeito em cima dos outros. Só porque tinha quase dois metros de altura? Só porque era forte? Só porque dizia a lenda que Seunegão, quando jovem, tinha lutado boxe amador? Só porque a mão do Seunegão parecia uma tábua de bater carne das grandes? Ora, ele que viesse! Marquinho se garantia! Todo dia, depois da quarta ou quinta cachaça no boteco da vila, ele fazia esse discurso. Várias vezes Seunegão ouviu o discurso, mas nunca ligou. Só se importava quando o Marquinho, não vendo que ele estava no bar, se referia a ele apenas como “o negão”.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-indent: 24.1pt;"&gt;- Seu Negão! – ele dizia lá de trás, sem levantar muito a voz, num baixo profundo que fazia Marquinho pagar a conta rapidamente e sair fingindo que não ouviu.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-indent: 24.1pt;"&gt;Seunegão não circulava muito na vila. Só ia ao boteco de vez em quando, tomava uma cerveja quieto, sozinho, e ia embora. Os moradores o respeitavam mas tinham muita curiosidade de saber mais sobre ele. De onde tinha vindo? O que fazia na vida? Pra onde ia quando sumia da vila? Mas ninguém tinha coragem de perguntar. Seunegão exigia respeito e bisbilhotar a vida dele seria altamente desrespeitoso.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-indent: 24.1pt;"&gt;Mas, se dizem que o mundo é pequeno, imaginem uma simples cidade como São Paulo! Marquinho estava do outro lado da cidade, fazendo um bico numa entregadora. Saiu do serviço, foi beber com colegas, perdeu a hora, perdeu o ônibus, não tinha como voltar pra vila e resolveu esperar andando e parando em bares abertos até passar o primeiro ônibus da madrugada. Viu um movimento danado na porta de um lugar todo pintado de roxo. Uma gritaria, uma alegria, uma festa! Chegou mais perto e percebeu que era uma casa de balada. Ficou olhando o movimento até que uma imagem despertou mais seu interesse. Uma criatura de quase dois metros de altura, negra como a noite, num vestido longo, sapatos de salto, uma peruca curta num estilo antigo, na linha black-power, ao lado de uma criaturinha magrinha, vestida com uma saia bem curta e um top que mal cobria os pequenos seios de silicone auto-injetado. Marquinho correu e se colocou em pé no meio da calçada, de frente pros dois.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-indent: 24.1pt;"&gt;- Aí, ô negão!&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-indent: 24.1pt;"&gt;Seunegão, mesmo de vestido, por instinto, já se virou para corrigir com seu profundamente baixo “Seu Negão!”. Ao ver o Marquinho, teve um segundo de hesitação. O baixinho aproveitou. A quantidade de cachaça ingerida dizia que naquele momento ele tinha tamanho pra enfrentar qualquer coisa.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-indent: 24.1pt;"&gt;- Tanta palhaçada lá no bairro, pagando de macho, de valente e aí de noite vem pra cá de vestidinho. A galera vai ficar sabendo dessa, ô bicha!&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-indent: 24.1pt;"&gt;Todo mundo tem celular. Até o Marquinho. Ele tirou o dele do bolso e apontou pra fotografar. Seunegão se aproximou. A magrinha tentou evitar.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-indent: 24.1pt;"&gt;- Deixa pra lá, vamos entrar.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-indent: 24.1pt;"&gt;- Não, peraí, Tombinha. Deixa eu falar com esse folgado. – deu dois passos em direção ao Marquinho, mas dois passos do Seunegão quase percorreriam o quarteirão. – Bicha não, Marquinho.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-indent: 24.1pt;"&gt;- Que papo é esse? – Marquinho estava às gargalhadas – É bicha sim! Bicha! Bicha! Bicha! – e acionou o celular.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-indent: 24.1pt;"&gt;A luz do flash foi a última coisa que o Marquinho viu na vida. Em seguida sentiu como se tivesse levado uma pancada da direita para esquerda na cabeça dada com uma tábua de bater carne das grandes empunhada por um ex-lutador de boxe. &lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-indent: 24.1pt;"&gt;Seunegão não saiu do lugar. Nem reagiu quando a polícia chegou. Foi pra dentro do camburão sem dizer uma palavra. O policial interrogou Tombinha, cuja cédula de identidade dizia que se chamava Carlos Eduardo.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-indent: 24.1pt;"&gt;- Por que ele fez isso?&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-indent: 24.1pt;"&gt;- Ah, o baixinho abusado chamou ela de bicha.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-indent: 24.1pt;"&gt;- Mas isso é motivo? O cara é bicha mesmo!&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-indent: 24.1pt;"&gt;- Ah, mas todo mundo aqui na boate sabe que não pode chamar ela assim. Ela fica brava. Sempre diz pra todo mundo: É Dona Bicha!&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="line-height: normal; text-indent: 24.1pt;"&gt;Não importava em que situação. Seunegão era coerente. Não estava nem aí pra esse papo de politicamente correto. Só queria respeito.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-4209544004105112768?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/4209544004105112768/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=4209544004105112768&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/4209544004105112768'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/4209544004105112768'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2011/03/seunegao_18.html' title='SEUNEGÃO'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-481586621168648758</id><published>2010-08-23T15:18:00.001-07:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.864-08:00</updated><title type='text'>A FICHA DA DILMA!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não aguento mais receber corrente com a “ficha criminal” da Dilma.&lt;br /&gt;Não voto na Dilma. Só porque não fui com a cara dela. Brasileiro é assim. E também porque não sou petista. Votei no Lula. Na segunda vez. Depois da experiência. Pra mim ele passou. Então sou lulista, confesso! Admiro mesmo o sujeito e se armassem um terceiro mandato, votaria nele de novo.&lt;br /&gt;Não posso votar no Serra porque sou paulista e paulistano e vi de perto o estrago que ele fez por aqui nos curtos períodos de prefeitura e governo de estado, já que ele não cumpriu nenhum dos mandatos. Não gostaria dessa hipocrisia de elite grassando pelo país. Agora o homem faz até “Ah, moleque!”. E virou fã do Lula!!! Fala sério!&lt;br /&gt;Minhas saídas são Marina ou anulação. Ainda não resolvi.&lt;br /&gt;Mas vamos ser honestos: os tucanos não conseguem achar mais nada pra falar da Dilma? Haja saco! São meses e meses da mesma coisa! É o cofre do Ademar e aquela ficha tão mal-feitinha em Photoshop que até eu faço uma melhor com qualquer nome e foto que quiserem colocar ali! Está ficando feio! Não conseguem dizer nada de bom sobre si mesmos e só conseguem dizer isso de ruim sobre a outra? Que ela roubou os ladrões? Acham que isso escandaliza alguém? Todo mundo ama Robin Hood, Zorro e quetais. Tentar usar isso como propaganda contra ela é o famoso tiro no pé!&lt;br /&gt;E todas as correntes começam com “Brasileiro isso”, “Brasileiro aquilo”, “Brasileiro é bobo”, “Brasileiro é burro”, “Brasileiro é um tolinho facilmente enganável”... Estão falando tudo isso DE MIM!!! Eu sou e gosto de ser brasileiro! Alguém acha que pode ganhar algum brasileiro dizendo que ele é um idiota se não correr atrás de tucano? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;ASSISTA AO PROGRAMA&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;&lt;strong&gt;"PAPO COM O MACHADO"&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://www.tvcapricornio.com.br/"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;strong&gt;www.tvcapricornio.com.br&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-481586621168648758?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/481586621168648758/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=481586621168648758&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/481586621168648758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/481586621168648758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2010/08/ficha-da-dilma_23.html' title='A FICHA DA DILMA!'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-4553140257507178633</id><published>2010-06-22T09:37:00.001-07:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.864-08:00</updated><title type='text'>BONS TEMPOS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não eram legais os tempos em que o que importava numa Copa era trazer a Copa?&lt;br /&gt;Bons tempos em que ninguém ligava se o Garrincha enchia a cara depois do que fazia magicamente em campo.&lt;br /&gt;Jogadores e técnicos mal sabiam falar. Não precisavam ser politicamente corretos com emissoras onipotentes. Mas batiam um bolão!&lt;br /&gt;Quando um Pelé, um Sócrates, um Zico fazia ou dizia alguma besteira, não virava matéria de capa. Nossos heróis eram preservados! Nossos heróis eram heróis de todos nós. Todos. Os jornalistas da época também se consideravam brasileiros e também torciam pra que tudo desse certo. Boas notícias sobre jogadores, técnicos ou dirigentes também vendiam jornais.&lt;br /&gt;O que será que aconteceu? Será que as faculdades estão ensinando a esses meninos que o sujeito tem mesmo que ser grosso, invasivo, mal educado pra conseguir uma matéria que preste e que quando ele recebe algum revide, algum troco, alguma represália por isso, tem que ser vingativo e usar o poder da imprensa pra destruir o abusado, mesmo que isso signifique destruir a imagem da própria terra e dos próprios heróis? Ou será que são instruídos para não terem terra, não se sentirem parte de nenhum país e, principalmente, não terem nenhum sentimento para com sua gente?&lt;br /&gt;O caso Dunga é tão claro que só devia ser comentado na emissora que está cheia de raiva porque ele não trata os deuses como deuses. Ninguém mais devia se importar com o assunto. Mas aqui estamos nós todos, o país inteiro falando a respeito. E, honestamente, tirando os interessados e apaniguados, o país inteiro está gritando “É isso aí, Dunga”. E nem assim o corporativismo jornalístico se rende.&lt;br /&gt;Hoje os jornais falam de quem saiu com quem, das preferências etílicas, sexuais ou religiosas dos jogadores, inventam histórias altamente prejudiciais ao andamento de treinos e ao moral dos atletas, fulano está mal, beltrano está machucado e não vai jogar, o técnico é uma besta, o técnico é burro, o técnico não sabe o que faz, não escalou aquele astro que nós já tínhamos contratado o ano passado pra dar exclusivas pra nós, fazem da vida deles um verdadeiro inferno, um Big Brother de 24 horas por dia, todos os dias da vida. E quando alguém desabafa todo esse ataque e essa pressão, em volume baixo, para si mesmo, como qualquer ser humano normal faz a toda hora, amplificam o som até rachar, colocam legendas explicativas, chamam leitores de lábios, mais invasão, mais falta de educação, mais olhos enfiados em buracos de fechadura. E mais destruição da imagem da própria gente frente ao mundo! Um prazer de exercer um poder que, se esquecem, acaba no vencimento do contrato ou na demissão sumária. Quem tem o poder de verdade está pouco se lixando pros soldadinhos que botam suas caras na tela e fazem ar de indignados.&lt;br /&gt;Pra mim, o simples fato de alguém estar conversando ao celular enquanto estou concedendo uma entrevista coletiva já seria motivo suficiente para perguntar se alguma coisa estava errada.&lt;br /&gt;Todos sabem que o Dunga está levando porrada de todo lado porque não se curvou a acordos feitos entre federações e emissoras, porque disse que quem manda no time do qual ele é o técnico é ele. Está pagando pela ousadia. E os atingidos não vão poupar esforços até o final da Copa. Lamentavelmente, é muito claro que torcem para que o Brasil perca vergonhosamente para poderem por em prática sua vingancinha que já deve até estar gravada, editada e com a locução pronta.&lt;br /&gt;Sempre ligaram a palavra escola à palavra educação. O resultado de um pessoal formado em escolas não me parece muito compatível com o conceito de educação em nenhuma instância. Talvez agora, que a exigência corporativista de faculdade para esse exercício foi abolida, voltemos a ter gente interessada na notícia, na informação, na verdade, no que importa. Talvez as novas gerações de jornalistas resgatem o respeito que essa profissão sempre teve e sempre mereceu.&lt;br /&gt;Ainda tenho esperança de abrir um jornal, ligar um rádio ou uma TV, acessar um site de notícias e descobrir que voltamos aos bons tempos!  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;ASSISTA AO PROGRAMA&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;&lt;strong&gt;"PAPO COM O MACHADO"&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://www.tvcapricornio.com.br/"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;strong&gt;www.tvcapricornio.com.br&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-4553140257507178633?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/4553140257507178633/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=4553140257507178633&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/4553140257507178633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/4553140257507178633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2010/06/bons-tempos_22.html' title='BONS TEMPOS'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-4421792728751407568</id><published>2010-03-07T07:17:00.001-08:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.865-08:00</updated><title type='text'>AMÉLIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Nunca vi fazer tanta exigência, nem fazer o que você me faz. Você não sabe o que é consciência nem vê que eu sou um pobre rapaz.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Com essas palavras Mário Lago iniciou a letra de uma música que se tornou emblemática (embora eu deteste essa expressão). A música falava da Amélia, a mulher de verdade. Durante anos, essa música e essa personagem foram citadas como exemplos da mulher submissa, da mulher menor, da coitadinha oprimida pelo jugo machista que deveria ser protegida e conscientizada pelas hostes feministas desde a década de 60. Conscientizada ou sumariamente eliminada para servir de exemplo: mulher do tipo “Amélia” tem que ser espécie em extinção.&lt;br /&gt;Uma vez vi uma coisa muito triste: Mário Lago se explicando na TV frente a uma equipe de jornalistas feministas, quase que pedindo desculpas por ter escrito aquele sucesso. Digo muito triste porque, ao que me parece, as legiões anti-machos resolveram distorcer tudo de maneira politicamente correta, no sentido da maneira que os políticos acham correto. Ou então esse pessoal não entendeu nada mesmo.&lt;br /&gt;Vamos brincar de colégio e fazer uma rápida análise da letra.&lt;br /&gt;As primeiras estrofes, lá em cima, descrevem a mulher atual do cantor. Uma mulher chata, exigente, que reclama de tudo, que não percebe a condição real de seu homem, tanto econômica quanto etária. Um pobre rapaz.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Você só pensa em luxo e riqueza. Tudo o que você vê você quer.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Aí completamos a imagem! Uma mulher fútil, perdulária, sem consciência da sua real posição e sem piedade do homem com quem vive e a quem, supostamente, deveria amar, apoiar, ajudar. E aí ele, sem saída, acaba fazendo comparações com a anterior. Não se sabe se ela se separou dele ou se morreu. A música não esclarece isso. O que importa é que não está mais com ele.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Ai, meu Deus, que saudade da Amélia. Aquilo sim é que era mulher. Às vezes passava fome ao meu lado e achava bonito não ter o que comer.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Primeiro há uma exaltação à tal da Amélia, não uma diminuição dela. “Aquilo sim é que era mulher!” Nada existiu, não está existindo e, com certeza não existirá mulher como Amélia. Se trocarmos o nome por GILDA seremos remetidos a Rita Hayworth e à imagem de mulher fatal e inesquecível com a mesma frase. Por que quando dizemos Amélia achamos que é depreciativo? Por achar bonito não ter o que comer? Por achar que o amor e a dedicação do casal um pelo outro poderia suprir uma crise temporária? “Não ter o que comer” não é o mesmo que “passar fome”. E é muito evidente que OS DOIS não tinham o que comer. E ele não tratava isso com descaso, como veremos adiante.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;E quando me via contrariado dizia “Meu filho, que se há de fazer?”&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ele ficava contrariado com a situação. E ela dava força a ele. Não submissa. Não coitadinha. Na verdade, até um pouco superior. O tratamento era “meu filho” e não “meu amo e senhor” como querem que pareça. E, na verdade, ela não acumulava aborrecimentos na cabeça do marido para que ele pudesse se concentrar na solução.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Amélia não tinha a menor vaidade. Amélia é que era mulher de verdade!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Um elogio! Um reconhecimento! Aquela mulher forte, sem vaidades fúteis, que não pressionava pra comprar tudo o que via, que sabia compreender um momento ruim e sabia dar a força necessária para que o superassem juntos, uma mulher superior e até um tanto maternal, essa, para ele, é que era mulher de verdade.&lt;br /&gt;E quem poderia contestar isso? Quem é que acha que “mulher de verdade” é a outra, a que faz exigências e quer torrar todo o dinheiro suado da casa com futilidades, com luxo, com frivolidades? Em nenhum lugar da letra de Mário Lago achamos a tal “Amélia” que o feminismo denegriu e transformou num capacho, uma criatura espancada com a barriga no tanque e cheia de crianças passando fome, vaquinha de presépio de um marido carrasco e vagabundo.&lt;br /&gt;Que nesse dia 8, louvemos as mulheres de verdade. As companheiras, as parceiras e não as patroas, as donas, as cobradoras.&lt;br /&gt;E que façamos um minuto de reflexão pedindo perdão a Mário Lago por termos permitido que ele fosse obrigado a se retratar publicamente por uma coisa que ele não fez.&lt;br /&gt;Mário Lago não tinha que pedir desculpas. Ele escreveu um hino descrevendo o que toda mulher moderna diz que é: companheira, compreensiva, atuante, forte, protetora... A mulher de verdade! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;ASSISTA AO PROGRAMA&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;&lt;strong&gt;"PAPO COM O MACHADO"&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://www.tvcapricornio.com.br/"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;strong&gt;www.tvcapricornio.com.br&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-4421792728751407568?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/4421792728751407568/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=4421792728751407568&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/4421792728751407568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/4421792728751407568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2010/03/amelia_07.html' title='AMÉLIA'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-4187128149135449170</id><published>2010-02-06T07:48:00.001-08:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.865-08:00</updated><title type='text'>ELA!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ela ainda não achou a cura pro câncer.&lt;br /&gt;Ela ainda não achou a cura pra AIDS.&lt;br /&gt;Ela ainda não achou nem mesmo a cura pra gripe!&lt;br /&gt;Ela ainda não explicou como o Universo começou.&lt;br /&gt;Nem deu uma explicação razoável de por que pesquisar isso.&lt;br /&gt;Ela ainda não achou o tal macaco do qual ela diz que nós viemos. E a tal da teoria que ela usa pra alegar isso continua sendo chamada de teoria.&lt;br /&gt;Ela ainda não sabe o que faz o coração bater, o cérebro pensar, resumindo, ainda não descobriu o que é a Vida. Nem sabe o que fazer com a Morte.&lt;br /&gt;O homem ocidental descobriu a China e não parou mais de fazer coisas por lá. O homem oriental criou a bússola e ninguém mais parou de usá-la. O homem mundial, através d’Ela, alega ter ido até a Lua e nunca mais fez nada com isso. E cinquenta anos depois não foi a mais lugar nenhum além da Lua.&lt;br /&gt;Cada coisa que Ela cria, inventa ou descobre, supostamente em prol da Humanidade, imediatamente é usada para produzir muito dinheiro ou muita morte pelo mundo. Em geral, as duas coisas.&lt;br /&gt;Ela gritou por todos os cantos que a maneira como os humanos eram criados e educados nos últimos, digamos, dez mil anos, estava completamente errada. Ditou novas regras e, com isso, criou-se a tal geração Lexotan. E esta está criando as crianças que formarão a próxima humanidade.&lt;br /&gt;Ela disse ontem que ovo fazia mal. Hoje diz que faz bem.&lt;br /&gt;Ela disse anteontem que o leite era imprescindível, ontem disse que era pernicioso, hoje diz que é essencial.&lt;br /&gt;Ela, ontem, proibiu terminantemente as crianças de tomarem café. Hoje ela recomenda o café como uma boa ajuda para os estudos.&lt;br /&gt;Ela alega que qualquer coisa, idéia ou princípio que Ela não comprove não existe. Elimina todos os sonhos e esmaga as esperanças do imaginário Humano.&lt;br /&gt;Ela promete dor, morte, calor, inundações.&lt;br /&gt;Ela diz que o sol vai nos matar, nos tira debaixo dele e nos vende produtos que irão suprir a falta que ele vai fazer.&lt;br /&gt;Ela cria motores e rodas que irão nos movimentar em velocidades cada vez maiores, alega que um tipo de solo é essencial para a utilização disso tudo, deixa impermeável o chão de áreas imensas e quando a água da chuva não escoa diz que a culpa é nossa e daquele papel de bala que nosso filho jogou no chão.&lt;br /&gt;Mesmo com tudo isso, grande parte das pessoas ditas inteligentes têm uma fé cega e absoluta n’Ela.&lt;br /&gt;Uma fé baseada apenas em teorias e dogmas antigos escritos por homens que já morreram há muito tempo ou em escrituras modernas cuja veracidade é atestada por amigos e correligionários dos que as escreveram.&lt;br /&gt;Uma fé que entrega o futuro dos filhos, o tempo de lazer, o modo de trabalhar, a maneira de se alimentar e até mesmo a própria vida nas mãos d’Ela!&lt;br /&gt;De todas as formas de fé religiosa, a fé n’Ela, A Ciência Moderna, é a mais inexplicável.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;ASSISTA AO PROGRAMA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;&lt;strong&gt;"PAPO COM O MACHADO"&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.tvcapricornio.com.br/"&gt;www.tvcapricornio.com.br&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-4187128149135449170?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/4187128149135449170/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=4187128149135449170&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/4187128149135449170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/4187128149135449170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2010/02/ela_06.html' title='ELA!'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-2407611686646142416</id><published>2010-01-28T04:47:00.001-08:00</published><updated>2012-01-03T04:00:55.050-08:00</updated><title type='text'>A RUIVINHA DA ENGUAGUAÇU</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="Livro" style="text-indent: 24.1pt;"&gt;Só por estar sentado naquele ônibus a caminho do litoral, ele já se sentia muito contente. Passara toda a infância em Santos, quando a cidade ainda era toda de areia, quase cinquenta anos atrás. Voltar lá era sempre um ritual. Cada prédio antigo, cada nome de rua, cada pequeno detalhe era como um velho amigo reencontrado.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="text-indent: 24.1pt;"&gt;Uma mulher percorreu o corredor do ônibus e se sentou ao seu lado. Ele calculou que ela tivesse uns quarenta e cinco anos. Não muito alta, ainda bonita e, detalhe mais importante: cabelos muito vermelhos e o rosto cheio de sardas. O que ele sentia por pessoas ruivas só não podia ser classificado como tara porque era dirigido a “pessoas” ruivas, não só a mulheres ruivas. Era mais uma admiração. Aquela composição de cabelos vermelhos em volta de pintinhas marrons sobre uma pele de um branco incomum o fascinava.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="text-indent: 24.1pt;"&gt;O ônibus partiu. Ele inclinou o banco, virou para o lado e fingiu que dormia pra que a mulher não percebesse que fazia parte de seus pensamentos. De onde vinha essa adoração pela imagem ruiva? Ele tinha a impressão de que tudo havia começado na sua infância, em Santos. A ruivinha da rua Enguaguaçu. A menina que morava a duas ou três quadras de distância da casa dele. Quando a viu pela primeira vez, ele devia ter uns oito anos. Ficou encantado com a imagem. Nunca tinha visto uma ruiva. A menina, de uns seis ou sete anos, passou com a mãe, voltando da escola. Ele, moleque, brincando o dia todo pela Enguaguaçu, pela Adolfo Lutz e outras ruas de areia da Ponta da Praia, sem medir consequências, seguiu a menina. Viu que ela entrou na casa da esquina que ficava quase em frente à fábrica de bananada que havia ali. Daí em diante, durante os dois anos seguintes, não houve um único dia em que não fosse até a esquina onde morava a ruivinha. Como um predecessor de Charlie Brown, ele amava a menina, amor do tipo que só garotos sentem, um pouco antes de começarem a sentir o outro, aquele que os torna audaciosos e invasivos. Durante dois anos ele a amou em silêncio. Nunca falou com ela, nunca chegou perto dela, passava pela rua, olhava de longe para o quintal, via a menina e ia embora quase feliz, quase realizado. Nunca soube se algum dia ela o viu também. Nunca ouviu a voz dela. Uma vez ouviu a voz da mãe que a chamou pelo nome: Ângela!&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="text-indent: 24.1pt;"&gt;Com esses pensamentos camuflados pelas pálpebras fechadas, ele acabou dormindo de verdade. Quando acordou, o ônibus estava chegando ao terminal da Ponta da Praia. A mulher já não estava no banco ao lado. Havia saltado do ônibus em algum ponto do caminho.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="text-indent: 24.1pt;"&gt;Ele tinha planejado passar parte do dia na praia, e depois, talvez passear pelo centro, subir o Monte Serrat, ver o antigo prédio da Prefeitura, ir até a praça dos Andradas pra ver se ainda tinha preguiças nas árvores, percorrer a avenida &lt;st1:personname&gt;Ana&lt;/st1:personname&gt; Costa em busca de um dos cinemas antigos, visitar o Aquário, quem sabe até passear de catraia até a Praia do Góes. Enfim, reviver a infância tão distante. Mas outras lembranças tinham se entranhado nele durante o sono. Enveredou pela Henrique Soler, chegou à praça Engenheiro José Rebouças, contornou, entrou pela Jurubatuba e logo estava no começo da rua Enguaguaçu. Não se lembrava direito da esquina, não sabia mais onde era a casa e se sentia quase como um adúltero por isso. Não se lembrar de onde morava a Ângela era praticamente uma traição. Mas já fazia mais de quarenta anos. A rua já não era de areia e sim de asfalto, as casas e chalés deram lugar a prédios, apenas algumas velhas residências ainda sobreviviam. Qual seria a esquina certa? Maria Máxima? Olavo de Paula? Egídio Martins? Nomes e imagens se misturavam na cabeça dele. Por cima de tudo a imagem dela. Ângela. A ruivinha da Enguaguaçu. Andou, olhou, chegou a perguntar para algumas pessoas mais velhas se por ali morava alguma “dona” Ângela. Afinal, ele pensou, ela era um ou dois anos mais nova do que ele, devia ter netos hoje em dia, como ele, devia ser uma senhora, talvez gorducha, cheia de rugas... Como ele.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="text-indent: 24.1pt;"&gt;Tinha esquecido a esquina. Qual seria? Sem a fábrica de bananada na frente da casa era impossível. E se ele a encontrasse, o que faria? Contaria tudo? Diria que ela foi seu primeiro amor, tão importante que ele nunca se esqueceu do nome dela nem da cor de seus cabelos? Não. Com certeza, não faria nada. Olharia de longe novamente, sentiria aquela fascinação novamente e não diria nada novamente. Achou melhor desistir. Voltar ao programa original. Passeou pela cidade, reviu lugares que aqueceram seu coração, mas, no fim do dia, voltou para São Paulo com uma frustração. Sabia que não ia adiantar procurar mais, talvez ela tivesse se mudado, talvez estivesse em outro bairro, em outra cidade, até em outro país! Talvez (pensamento assustador que ele imediatamente descartou) tivesse morrido! No ônibus de volta dormiu de novo. Mas sonhou com o trabalho. Nem no sonho ele reviu a ruivinha Ângela.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="text-indent: 24.1pt;"&gt;Algumas horas antes, quando o ônibus havia parado no Embaré, a mulher saltou, contente por se livrar daquele senhor que roncou durante quase toda a viagem ao lado dela. Atravessou a avenida, percorreu dois quarteirões por trás da igreja, chegou ao prédio em que morava com o segundo marido dez anos mais novo do que ela e o enteado de doze anos. Depois que o primeiro marido a deixou, tinha resolvido se cuidar, fez plástica para corrigir rugas e levantar queixo, passou a frequentar academia, modelou o corpo, rejuvenesceu física e mentalmente, ficou mais segura, ficou mais íntima de um dos instrutores que era divorciado e tinha um filho pequeno, se casou com ele e vivia feliz. Um dia por mês ia a São Paulo visitar parentes, mas voltava correndo pra casa que era seu mundo.&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="text-indent: 24.1pt;"&gt;Assim que entrou, já ouviu a voz do enteado, com quem se dava muito bem:&lt;/div&gt;&lt;div class="Livro" style="text-indent: 24.1pt;"&gt;- Pai! A tia Ângela chegou!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-2407611686646142416?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/2407611686646142416/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=2407611686646142416&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/2407611686646142416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/2407611686646142416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2010/01/ruivinha-da-enguaguacu_28.html' title='A RUIVINHA DA ENGUAGUAÇU'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-4781409347609312079</id><published>2009-12-22T06:41:00.001-08:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.865-08:00</updated><title type='text'>MAIS UM FIM DE ANO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Estamos chegando, de novo, a mais um fim de ano. As restrospectivas das TVs já devem estar prontas. Aquele povo que adora uma boa desgraça já levantou todas as tragédias que ocorreram em 2009 pra fazer um compacto de uma hora de duração, muito bem patrocinado, mostrando como nosso mundo está um caos, como tudo está perdido, como estamos à beira do cataclisma final, levantando a hipótese quase comprovada de que desse ano a gente não passa.&lt;br /&gt;Os maias, de repente, entraram na moda, com o fim do mundo marcado pra 2012. Com certeza vamos rir disso na passagem de ano pra 2013 e aí virão os estudiosos dizendo que 2012 dos maias não era exatamente 2012 da gente, como já fizeram com as profecias da Bíblia, de Nostradamus ou sei lá mais do que. Mas tudo isso é assunto pra crônica de daqui a dois anos.&lt;br /&gt;O fim do mundo de agora está por conta do Acelerador de Hadrons, brinquedão inócuo que custou o que daria pra garantir alimento, saneamento e cura pra milhões de seres humanos, mas que foi destinado a um propósito mais nobre: provar uma teoria sobre o começo do Universo que é tão maluca, mágica, sem significado e sem serventia pro comum dos mortais que a maioria das pessoas preferia ficar com o “Fiat Lux” e usar essa verba em piscinas ou cerveja.&lt;br /&gt;Os partidos políticos, pelo que dizem os jornais, surpreenderam a todos no país. Escândalos em todos eles. Nos governistas e nos de oposição. Quando olhamos em volta, vemos que os surpreendidos foram apenas os jornais, já que ninguém nas ruas achava que seria diferente. Nunca foi diferente. Ninguém entra pra política pra ser santo. O que chamam de “escândalo” é simplesmente prática milenar. Já era assim na Roma Antiga! A verdade é que pegaram práticas usuais, atos comuns a todos os partidos e tornaram públicos como algo errado. O habitual virou crime do dia pra noite e, claro, todo mundo pode acusar todo mundo. Fizeram isso no esporte, também. De repente, um remedinho comum virou proibido. E uma esportista que sempre foi exemplo pra milhões de crianças e adolescentes foi transformada em criminosa, numa acusação de dopping. É melhor que os jovens não sigam essa dopada, não pensem em ser iguais a ela. Mas a moça que esmagou a cabeça dos pais com uma barra de ferro já sumiu da mídia. Daqui a pouco sai por bom comportamento.&lt;br /&gt;Foi um ano em que o Apagão II foi mostrado na TV como uma desgraça que deixou 18 estados mergulhados na escuridão e eu sei disso porque durante as quatro horas que ele durou eu assisti a tudo pela televisão de um hotelzinho em uma cidade de interior a duas horas de São Paulo, onde faltou energia por exatos 40 segundos.&lt;br /&gt;Neste ano ouvimos que o calor nunca foi tão grande, com as mesmas palavras do ano passado, do anterior e de quando eu era criança.&lt;br /&gt;A gripe do porco veio, ia devastar a população, o estoque de remédios contra a gripe devastadora anterior, a das aves, foi desovado no mercado e a gripe, repentinamente, sumiu e não vai devastar mais ninguém.&lt;br /&gt;Os programas de TV continuaram informando que a nossa cultura está cada vez pior, citando frases imbecis supostamente escritas por jovens nas escolas, mas claramente fabricadas por velhos humoristas que apresentam ou acessoram esses programas. Já repararam que aquelas respostas não se encaixam em nenhum tipo de pergunta que realmente seria feita em escolas?&lt;br /&gt;Enfim, foi um ano mais ou menos igual aos outros, no fim do qual ainda conseguimos desejar coisas boas uns pros outros e acreditar que as coisas vão melhorar. Alguns de nós, mais velhos, conseguem até dar uma olhadinha pra trás e reparar que muitas coisas já melhoraram. Uns poucos conseguem até um tempinho pra agradecer por isso.&lt;br /&gt;É assim que quero terminar este papo. Agradecendo... Por tudo de bom que este ano trouxe. Se alguém preferir terminar o ano deplorando o que houve de ruim, paciência. Cada um escolhe a paisagem que mais gosta de olhar.&lt;br /&gt;Eu fico com a parte boa, obrigado. E assim consigo desejar, de verdade, um Natal muito feliz pra todo mundo e que todos tenham, em 2010, a força para ao menos ter esperança. Sem ela, o brasileiro não existe. E se não formos brasileiros não há mais nada que possamos ser. Pelo menos nada tão divertido!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-4781409347609312079?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/4781409347609312079/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=4781409347609312079&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/4781409347609312079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/4781409347609312079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2009/12/mais-um-fim-de-ano_22.html' title='MAIS UM FIM DE ANO'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-5679587377315923736</id><published>2009-06-06T08:08:00.001-07:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.865-08:00</updated><title type='text'>O MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE!</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Nos maços de cigarros vem escrito o mal que eles podem fazer. Advertência. A lei exige pra nossa segurança.&lt;br /&gt;Os comerciais de cerveja ou de qualquer outra bebida devem conter o alerta “Beba com moderação” e “Se for beber, não dirija”. A lei exige pra nossa segurança.&lt;br /&gt;Pra passear no seu carro você tem que se amarrar com uma tira resistente cuja função é, supostamente, manter você junto ao banco sem bater no vidro do carro em caso de acidente. Claro que a lei não comenta que no caso de você bater o carro a cem por hora, o carro para imediatamente mas seu corpo continua a cem por hora e, como qualquer aluno de ensino médio sabe, a toda ação corresponde uma reação contrária de igual intensidade, portanto, aquela tira vai pressionar o seu tórax a cem por hora e, sem dúvida, irá esmagar suas costelas perfurando seu pulmão. Mas isso é outro assunto. Todos têm que usar cinto de segurança em automóveis. A lei exige pra nossa segurança.&lt;br /&gt;Se você quiser saltar em bunggie jump, se quiser fazer alpinismo, tomar aulas de mergulho, fazer rapel, enfim, se você pretende pagar pra se colocar em risco em troca da emoção, a lei diz que você tem que assinar um monte de papéis pra empresa que vai proporcionar esse risco a você. Isso garante que você tem consciência do risco a que está se expondo e assegura tranquilidade à empresa que ganha um bom dinheiro com a sua maluquice. A lei exige pra nossa segurança.&lt;br /&gt;Caso você tenha que sofrer uma cirurgia séria, um papel é dado pra você assinar onde você declara que foi informado de todos os riscos da operação. A lei exige pra nossa segurança.&lt;br /&gt;Se você vai passear de barco, um barquinho qualquer, você tem que usar colete salva-vidas. Os donos do barco, ao fornecerem o colete, na verdade, estão te informando de que aquele passeio pode se tornar arriscado, que barcos afundam às vezes. Eles tem que fazer isso. A lei exige pra nossa segurança.&lt;br /&gt;Se você quiser andar de moto pela cidade, nada muito radical, só sair da sua casa e ir até a casa da sua namorada pra juntos irem ao cinema, por exemplo, os dois vão ter que usar capacete. Com isso, estão lembrando a você que moto é um veículo que tem que estar o tempo todo equilibrado em duas rodas e pode ser perigoso. A lei exige pra nossa segurança.&lt;br /&gt;Pois agora pensemos. Convidam a gente para a seguinte atividade... Vamos entrar em um artefato de metal onde todos vamos ficar sentados. A porta será lacrada hermeticamente e, do momento em que a atividade começar, ninguém sai até o final da atividade. Não existe possibilidade de dizer “não estou gostando, quero parar”. Aí esse artefato, que vazio já pesa toneladas, se enche com mais de duzentas pessoas e, sem cabos, sem suportes, sem redes de segurança, sobe a uma altura de dez mil metros. Isso a uma velocidade maior do que a de qualquer fórmula um, quinhentos, seiscentos quilômetros por hora. O artefato, com a gente dentro, se propõe a ficar lá no alto por horas. Velocidade espantosa, altitude brutal, todos trancados num tubo de metal gigante, à mercê de raios, turbulências do ar, qualquer falha, por mínima que seja, será mortal. Uma engrenagem que pare, mortal. Um chip queimado, mortal. Um parafuso solto, mortal.&lt;br /&gt;Não estava na hora das empresas aéreas advertirem em seus comerciais que viajar de avião é extremamente perigoso, que o mais leve acidente vai deixar seu corpo tão em pedaços que sua família vai ter que se contentar em fazer um funeral pra sua mão ou uma orelha, que eles não se responsabilizam pelo que acontecer porque não tem como ninguém se responsabilizar por uma coisa gigantesca de metal a dez mil metros de altura e a seiscentos ou setecentos quilômetros por hora, não devia ser avisado que as chances daquilo se manter no ar são infinitamente menores do que as chances daquilo despencar de lá? Afinal, a lógica e o bom senso mostram claramente que é mais absurdo aquele monstro ficar lá em cima do que uma asa delta se manter planando. Mas pra asa delta a lei exige informações e documentos.&lt;br /&gt;Enfim, não estaria na hora de jogar limpo e parar de inventar estatísticas pra apoiar a divulgação de que o avião é o meio de transporte mais seguro do mundo?&lt;br /&gt;A lei não vai exigir isso pra nossa segurança?&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-5679587377315923736?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/5679587377315923736/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=5679587377315923736&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/5679587377315923736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/5679587377315923736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2009/06/o-ministerio-da-saude-adverte_06.html' title='O MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE!'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-6486317641061153493</id><published>2009-04-02T06:56:00.001-07:00</published><updated>2012-01-02T02:28:15.080-08:00</updated><title type='text'>É PROIBIDO PROIBIR?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não se trata de defender este ou aquele mau hábito. Ninguém, em sã consciência, vai negar que o tabaco é prejudicial à saúde. Assim como os adoçantes de refrigerantes ou gelatinas, a fumaça de carros, o ar condicionado, os corticóides, os antibióticos, comida gordurosa, café, cachaça, enfim, quase tudo o que possa modificar nosso organismo para um estado diferente do nosso natural, o que significa que saudável mesmo, pelas regras vigentes, só um recém-nascido antes da primeira mamada.&lt;br /&gt;Mas de vez em quando pegam no pé de uma coisa dessas pra fazer dela um exemplo. Principalmente quando as tais estatísticas mostram uma concordância de grande parte da população e uma tolerância muda dos que não concordam. E, por exemplo, as pesquisas que perguntam pro não fumante se pode perseguir fumante e perguntam pro fumante se ele acha que deve ficar jogando fumaça na cara de todo mundo de maneira grosseira e deseducada, sempre conseguem uma grande maioria a favor de proibições.&lt;br /&gt;Assim está acontecendo com o cigarro, hoje em dia. Se a gente pensar só um pouquinho, vai perceber que se houvesse realmente uma preocupação com a saúde da população, bastava fechar as fábricas de cigarros. É evidente que, hoje em dia, isso não daria certo do mesmo jeito, Paraguai tá aí do lado mesmo, mas seria uma demonstração mais honesta de boas intenções. Só que a indústria tabagista gera uma boa grana em impostos. Não é um bom negócio fechar isso e perder essa arrecadação. Então, primeiro, tenta-se assustar a população com ameaças de danação eterna, primeiro pro pecador, depois pras gerações seguintes. Não se diz mais que pragas inexplicáveis virão, nem que a grama não crescerá mais no quintal do penitente, mesmo porque não há mais muitos quintais com grama por aí. Mas massacram a população com “informações” de que se você acender mais esse cigarro, até seu tataraneto vai ter câncer de pulmão, três amigos seus irão ter enfisemas, a vizinha gostosa do 315 vai emagrecer tanto que vai virar uma mocréia e o cachorrinho chato daquele vizinho esquisitão do seu andar vai ficar afônico, o que, afinal, pode até se tornar uma benção para o sono dos outros moradores. Todos os vizinhos do andar de cima ficarão em alerta pra denunciar você caso acenda o seu cigarrinho e, ó triste moral dos novos tempos, dormirão em paz após a delação, com a consciência do dever cumprido.&lt;br /&gt;Mas, dizia eu antes de me perder em divagações, não se trata de defender maus hábitos. A questão é que desde o tempo em que inventaram os tais “fiscais do Sarney” (Lembram disso?), ser delator se tornou um ato de cidadania. E as pessoas delatam, acusam, apontam, porque concordam com certas medidas.&lt;br /&gt;Proibiram carros com determinadas placas de circular em determinados dias. Proibiram a liberdade do cidadão de decidir se quer ou não ficar amarrado ao banco do seu carro pra dar um passeio com a família. Proibiram a liberdade do pai de família de colocar seu filho ao seu lado no carro pra dar uma volta no fim-de-semana. Quem não tem carro, aplaudiu.&lt;br /&gt;Proibiram o uso de bebida alcoólica, vendida legalmente e gerando outra fortuna em impostos, em determinadas circunstâncias. Primeiro em determinados dias, depois em determinados eventos, aumentando o número de dias, em seguida ampliaram para todos que têm carro em todos os dias. Quem não tem carro e quem não bebe aplaudiu.&lt;br /&gt;Agora essa perseguição com o cigarro. Primeiro em bares e restaurantes, depois em locais fechados (incluindo boates!), no Paraná já é proibido ao cidadão fumar dentro do seu próprio carro e tem um médico sugerindo que se proíba o cidadão de fumar até dentro da casa dele! Os não fumantes aplaudem.&lt;br /&gt;O que talvez não estejamos percebendo é que a cada vez que um grupo interessado aplaude uma proibição arbitrária dessas, está estimulando a arbitrariedade. Esses números vão sendo somados e, dentro de pouco tempo, aparecerá uma pesquisa qualquer por aí comprovando que a população do país, em sua grande maioria, aprova proibições em geral.&lt;br /&gt;Enfim, é disso que se trata. O medo de um excesso de proibições e de uma volta a um tempo onde tudo era ditado por quem criava as proibições e onde o cidadão só podia fazer, viver, pensar, o que estivesse autorizado pelos proibidores.&lt;br /&gt;Só que, desta vez, o pessoal daquele tempo que estava treinado para divulgar e aplicar a idéia de que “é proibido proibir”, hoje está criando ou apoiando todo tipo de proibição. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-6486317641061153493?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/6486317641061153493/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=6486317641061153493&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/6486317641061153493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/6486317641061153493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2009/04/e-proibido-proibir_02.html' title='É PROIBIDO PROIBIR?'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-1255630842796683399</id><published>2009-03-17T08:35:00.000-07:00</published><updated>2011-12-07T06:25:23.641-08:00</updated><title type='text'>ESTATÍSTICAS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Leio em jornal on-line: “Construção de casas nos EUA cresce 22,2% em fevereiro”.&lt;br /&gt;Colocam isso em letras grandes, na posição de título, o que nos dá a impressão desejada... Um grande avanço lá em cima, um crescimento de 22 por cento é uma coisa ótima, fantástica, coisa de primeiro mundo, só super-homens e super-administradores conseguiriam isso no meio de uma crise braba!&lt;br /&gt;Mas aí, deixando de lado um pouco as medidas em porcentagens e caindo no mundo real onde as coisas são medidas em quantidades reais, com números reais, começamos a pensar... O que significa essa frase?&lt;br /&gt;Vamos reduzir um pouco os zeros pra ficar fácil de raciocinar. Digamos que um país pequeno, mas muito pequeno mesmo, construa, em média 100 casas por mês. Aí, com perdão à ironia da expressão, a casa cai pra eles. Crise! Falências! Desempregos! Suicídios! Tentativas de fazer com que o mundo inteiro passe pela mesma coisa pra não ficar tão feio! Enfim, aquilo que é conhecido como “isso que aí está”. Aí em vez de 100 casas, eles constroem 50. No mês seguinte, o problema continua, até se agrava um pouco e, em vez das 50 do mês anterior, eles constroem 30. Vem outro mês, o bicho pega ainda mais, ninguém está comprando casa porque, na verdade, ninguém comprava casa antes, tinha a tal da hipoteca, o que significava que o banco comprava a casa que ele mesmo pagou pra construir e a família ficava pagando amortizações disso durante duas gerações e vivendo feliz achando que a casa era deles, imagina agora que a mamata acabou e o banco não vai comprar mais nada pra ninguém. Ora, se o banco não vai comprar dele mesmo, pra que construir? Então, cai mais um pouco, e se constroem só 10 casas!&lt;br /&gt;Aí, numa reviravolta de marketing, eles lançam a manchete em letras grandes e chamativas: A CONSTRUÇÃO DE CASAS CRESCEU 22 POR CENTO NESTE MÊS!&lt;br /&gt;Isso significa que em lugar das 10 casas do mês passado, agora construíram 12 e a areia e o cimento da décima terceira já foram descarregados no terreno! E todo mundo fica admirado de um crescimento de 22 por cento no meio de uma crise, sem parar pra pensar que isso significa só duas casas e mais um pedacinho!&lt;br /&gt;Eles não são geniais?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-1255630842796683399?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/1255630842796683399/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=1255630842796683399&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/1255630842796683399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/1255630842796683399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2009/03/estatisticas.html' title='ESTATÍSTICAS'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-3580307226132035683</id><published>2009-02-24T11:25:00.001-08:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.866-08:00</updated><title type='text'>NESTE CARNAVAL</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;É triste ver o sujeito anunciando que a escola de samba tal, no quesito não-sei-o-quê recebeu nota NOVE PONTO SETENTA E CINCO.&lt;br /&gt;Ponto? Que ponto? Como assim, “ponto”? Em qual dos nossos sistemas usamos ponto nesse lugar? Será que a última reforma jogou a boa e velha vírgula pra fora do nosso sistema decimal?&lt;br /&gt;Daqui a poucos carnavais deveremos ver desfilar, em São Paulo, a Go Go Samba School e no Rio da Janeiro a First Station of Mango Tree.&lt;br /&gt;Tem dia que dá vergonha.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-3580307226132035683?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/3580307226132035683/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=3580307226132035683&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/3580307226132035683'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/3580307226132035683'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2009/02/neste-carnaval_24.html' title='NESTE CARNAVAL'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-8863525121333226872</id><published>2009-01-22T05:45:00.001-08:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.866-08:00</updated><title type='text'>ARMAS EXCLUSIVAS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;É impressionante o número de informações de assaltos, ataques, incêndios, mortes, tiroteios, envolvendo algum tipo de artefado de “uso exclusivo do exército”. Fuzis, pistolas, granadas, o diabo, tudo nas mãos de gente mal intencionada. Afinal, se saiu de casa armado, boa coisa não pretendia fazer.&lt;br /&gt;Todo dia tem ao menos uma notícia onde um meliante qualquer está com alguma coisa de “uso exclusivo do exército”.&lt;br /&gt;Não estaria na hora de acabar com essa lenda? Afinal se essas ferramentas de matar estão por aí, nas mãos de qualquer um, todos os dias, não era bom cairmos na real e pararmos de acreditar que existem coisas de “uso exclusivo do exército” só porque alguém escreveu isso em algum papel?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-8863525121333226872?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/8863525121333226872/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=8863525121333226872&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/8863525121333226872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/8863525121333226872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2009/01/armas-exclusivas_22.html' title='ARMAS EXCLUSIVAS'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-2591629291826985958</id><published>2009-01-19T04:46:00.001-08:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.866-08:00</updated><title type='text'>KLAATU BARADA NIKTO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Amanhã todas as notícias serão irrelevantes.&lt;br /&gt;Será preciso que aconteça alguma coisa muito grave, mais grave do que simples problemas de trânsito, mais séria do que meros desabamentos de igrejas, mais diferente do que os constumeiros bombardeios, mais preocupante do que um grau a mais ou a menos na temperatura, um milímetro a mais ou a menos no nível do oceano, mais trágica do que quedas de aviões, para que os jornais do mundo tratem de outro assunto.&lt;br /&gt;Amanhã será um dia com cara de final feliz de filme. A tomada de posse de um sorridente democrata negro no trono do mundo! Um mundo que estava assustado, apavorado, estarrecido porque o Império parecia estar ruindo sob o comando de alguém com cara de vilão de filme de espionagem com sonhos de domínio universal que, sem o roteiro que garantisse efeitos cinematográficos, acabou enfiando as quatro patas pelas mãos como um centauro desastrado.&lt;br /&gt;Amanhã o mundo terá a sensação de que poderá respirar aliviado. A festa dará a impressão de que tudo está a caminho de uma solução. É uma posse inusitada. Um homem mais jovem do que a maioria dos antecessores. Um homem cujo discurso tem pinceladas humanistas, anti-preconceitos, ecológicas, um negro naquele trono, uma virada impressionante na história do mundo, nunca se imaginou que isso fosse possível. Afinal, o último negro que ousou ir ao mesmo local da posse pra falar dos sonhos que tinha, acabou levando um tiro, há muitos anos.&lt;br /&gt;Amanhã um novo rei tomará posse. O mundo andava desnorteado com crises econômicas, com Uniões de Nações que não mandam nada, com povos querendo erradicar outros povos trazendo lembranças assustadoras de outras tentativas não tão remotas, com graves problemas inter-raciais, com os vaticínios dos novos arautos do fim do mundo, tufões, terremotos, doenças incuráveis, os quatro cavaleiros rondando, choro e ranger de dentes. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No ar há uma sensação de que tudo irá mudar, o milagre aconteceu! O mundo ainda tem jeito, as flores irão voltar aos jardins, inimigos vão se abraçar, a fome irá desaparecer, finalmente a Era de Aquário chegou! Gudimórningue istarchaine!&lt;br /&gt;O homem é sorridente. O homem é democrata. O homem é politicamente correto. O homem é plurirracial. O homem é jovem e jovial. O homem é negro!&lt;br /&gt;Mas, mesmo correndo o risco de ser o chato a botar uma gotinha imperceptível e inócua de água na fervura, não vamos nos esquecer do dado mais importante: o homem continua sendo um americano!&lt;br /&gt;De qualquer maneira, nenhuma outra notícia deverá ocupar a mídia mundial. Teremos a impressão de que mais nada aconteceu.&lt;br /&gt;Dia 20 de fevereiro de 2009 será lembrado como o dia em que a Terra parou!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-2591629291826985958?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/2591629291826985958/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=2591629291826985958&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/2591629291826985958'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/2591629291826985958'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2009/01/klaatu-barada-nikto_19.html' title='KLAATU BARADA NIKTO'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-6971526078517371384</id><published>2009-01-16T08:34:00.001-08:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.866-08:00</updated><title type='text'>REFÓRMA-ÔRTOGRÄFICA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O mais engraçado dessa história de reforma ortográfica é ver todo mundo se queixando de que precisa aprender tudo de novo, resmungando que agora vai acabar escrevendo coisas erradas porque já habituou a escrever daquele jeito, enfim, uma necessidade de demonstrar publicamente em jornais, televisões, rádios uma séria preocupação com a correção do que vai escrever como se antes da reforma realmente escrevesse tudo direitinho, com os hífens nos lugares certos, com os tremas onde ainda existiam e tudo mais. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eita povinho mais besta, esse que saiu das faculdades achando que realmente aprendeu alguma coisa só porque foi aprovado. Nos jornais, na maioria dos livros dos últimos cinquenta anos e na Internet não se leem dois parágrafos seguidos sem algum erro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sigamos a boa e velha sexo-ministra... Relaxemos e gozemos quanto a essa reforma. Afinal, de que adianta saber com exatidão onde tem e onde não tem hífen se a maioria até hoje não sabe usar a crase nem a diferença entre ESSE e ESTE, coisas que não foram alteradas?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-6971526078517371384?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/6971526078517371384/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=6971526078517371384&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/6971526078517371384'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/6971526078517371384'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2009/01/reforma-ortografica_16.html' title='REFÓRMA-ÔRTOGRÄFICA'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-603887959909648952</id><published>2008-08-27T07:08:00.001-07:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.866-08:00</updated><title type='text'>A COISA TÁ PRETA!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Esta semana li uma matéria da psicóloga Roseli Sayão intitulada O QUADRO NEGRO DA EDUCAÇÃO ESCOLAR BRASILEIRA. Falava dos problemas que professores enfrentam nas escolas, falava de deficiências culturais no ambiente escolar, falava de passado e de futuro da educação no país e, como tudo isso está num blog, havia espaço para comentários dos leitores.&lt;br /&gt;Fiquei impressionado com a quantidade de gente que enviou comentários... sobre o título! Exatamente, sobre o título. Um monte de chatisticamente corretos escandalizados com o fato de uma psicóloga usar a palavra NEGRO com conotação de coisa ruim.&lt;br /&gt;Participei, há uns três anos, de um programa de entrevista de um sujeito que fazia questão de que tudo o que aparecesse na tela durante o horário dele fosse de negros, para negros, sobre negros e com negros. De repente, lá estava eu pra ser entrevistado, como sempre, sobre Chaves e pra fazer voz de Kiko. Quando o homem me viu, ficou possesso com a produção. Como? Então eu não era um negro? Não era ativista de movimentos pró-negros? E estava lá pra falar da dublagem de um personagem mexicano branco? Enfim, era o que ele tinha nas mãos pra fazer o programa e não podia cancelar a gravação. Mas antes ele passou uma hora e meia fazendo um verdadeiro interrogatório comigo, tentando, por todos os meios, me encaixar na luta dele. Por fim, me lembrei que dublei alguns filmes do Wesley Snipes e daí em diante, quem esperava ver uma entrevista com o dublador do Kiko ficou profundamente decepcionado. Depois do interrogatório, começamos a gravação. E fui apresentado como o dublador AFRO-AMERÍNDIO do Wesley Snipes!&lt;br /&gt;Tudo isso aí em cima é só pra mostrar que não sou exatamente branco, não sou exatamente índio, não sou exatamente preto, mas acho que entre meus antepassados só não tem orientais. Enfim, gosto de me classificar como pertencente a essa nova etnia (palavra chatisticamente correta para “raça”) denominada simples e orgulhosamente BRASILEIRO. Portanto, fico à vontade pra falar mal ou bem do que eu quiser nesse tema.&lt;br /&gt;Esses supostos anti-racistas (tão racistas quanto qualquer outro tipo que já vi) estão começando a exagerar. Antigamente a coisa era simples: preto era preto, branco era branco. Aí começaram a importar as idéias americanas, numa péssima versão brasileira, como num filme mal dublado, e passaram a dar a certas palavras um peso que elas não tinham. O preto não podia mais ser preto, a palavra, em si, se tornou pejorativa. Como se a palavra fosse a culpada pela ignorância de meia dúzia de racistas. Aí o preto passou a ser negro. Claro, não adiantou nada, quem tinha preconceito não exercia essa idiotice contra a palavra e sim contra pessoas. E as pessoas continuavam as mesmas. Como nada mudou, acharam de novo que a palavra não servia e aí veio o tal do afro-descendente. Claro, nenhuma dessas nomenclaturas mudou a vida do preto favelado, colocou o Gil no Ministério, tirou um menor abandonado da rua ou criou alguma mudança no saldo bancário do Pelé.&lt;br /&gt;Mas o mais bobo de todos os efeitos das atividades dos chatisticamente corretos é essa censura com o idioma no geral. Ora, preto, negro, escuro, não são palavras de propriedade de pessoas dessa ou daquela cor ou “etnia”. São palavras do idioma que servem para identificar TODAS AS COISAS daquela cor. E a ligação da cor preta com coisas ruins, assustadoras, maléficas, não tem nada a ver com movimentos racistas, nunca foi a partir de pessoas. É parte de uma cultura milenar. Começa na própria Bíblia, onde tudo o que é ruim vem “das trevas”. As origens disso se perdem no tempo, no medo da noite, nas lendas da escuridão. E, em português, sempre se disse que a coisa tá preta, que fulano entrou pra lista negra, e quetais. Nunca se referindo a pessoas. Na verdade, nem se referindo à cor de nada. São só palavras.&lt;br /&gt;Se continuarmos permitindo essas chatices, em breve não poderemos falar em “sorriso amarelo” porque os orientais vão se ofender. Teremos passeatas de índios protestando contra a expressão “vermelho de raiva”.&lt;br /&gt;O problema vai ser termos marcianos bombardeando cidades com raios destruidores em protesto contra a expressão “verde de inveja”!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/SLbN3L86EzI/AAAAAAAAACY/CwRU4INUKoI/s1600-h/Divulga.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5239601564476904242" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/SLbN3L86EzI/AAAAAAAAACY/CwRU4INUKoI/s400/Divulga.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-603887959909648952?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/603887959909648952/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=603887959909648952&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/603887959909648952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/603887959909648952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2008/08/coisa-ta-preta_27.html' title='A COISA TÁ PRETA!'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/SLbN3L86EzI/AAAAAAAAACY/CwRU4INUKoI/s72-c/Divulga.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-7815537011409713302</id><published>2008-06-25T04:55:00.001-07:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.867-08:00</updated><title type='text'>QUANTO TEMPO!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ele relutou por vários dias. Na verdade, relutou por várias noites. Durante o dia não pensava muito no assunto. Mas ao chegar em casa, à noite, depois do chope com os amigos, depois de cantadas, às vezes funcionais, às vezes frustradas, ele sempre acabava do mesmo jeito... Em casa. E sozinho. Bateu uma coisa por dentro. Ele não sabia direito o que era, só sabia que era uma coisa por dentro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fazia tempo... Quantos anos? Deviam ser uns... ele não sabia direito. Só sabia que fazia tempo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vasculhou pela Internet, procurou em listas telefônicas, caçou emails até que achou.&lt;br /&gt;Pegou o telefone. Ligou. Um toque... Será que ela mesma vai atender? Dois toques... E se ela se casou? Três toques... Se o marido atender, o que fazer? Desligar? Pode parecer suspeito. Fingir que é um engano? Com que cara? Mas precisa de cara pra mentir ao telefone? Quatro toques... Não deve ter ninguém em casa. Graças a Deus! Acho que é melhor desli...&lt;br /&gt;- Alô?&lt;br /&gt;Silêncio! Pânico!&lt;br /&gt;- Alô?&lt;br /&gt;Coragem!&lt;br /&gt;- Ma... Mara?&lt;br /&gt;- Sim... quem é?&lt;br /&gt;Ele sabia que era ela no “alô”. Ela perguntou “quem é”. Nem se lembra da voz. Talvez nem se lembre de nada.&lt;br /&gt;- Desculpe. Foi engano. – resolveu reforçar – Um brutal engano.&lt;br /&gt;- Anísio?&lt;br /&gt;Ela lembrou!&lt;br /&gt;- Só o Anísio diria “brutal engano”. – havia um sorriso divertido na voz dela. - Papo de filme.&lt;br /&gt;Lembrou de detalhes!&lt;br /&gt;- Como vai, Mara?&lt;br /&gt;- Nossa, quanto tempo!&lt;br /&gt;- Pois é... Faz tempo.&lt;br /&gt;- Quantos anos?&lt;br /&gt;- Devem ser uns...&lt;br /&gt;- Faz tempo.&lt;br /&gt;Silêncio. Alguns segundos? Horas?&lt;br /&gt;- E aí, o que tem feito?&lt;br /&gt;- Você ligou pra saber o que tenho feito, Anísio?&lt;br /&gt;- É... Não... Puxa, eu só queria falar com você. Depois de tanto tempo...&lt;br /&gt;- Pois é... Muito tempo.&lt;br /&gt;- Muito?&lt;br /&gt;- Casei.&lt;br /&gt;Mergulho no vazio.&lt;br /&gt;- Mas separei.&lt;br /&gt;Uma pedra onde se agarrar.&lt;br /&gt;-Estou namorando.&lt;br /&gt;A pedra estava solta. Silêncio. Alguns segundos? Horas?&lt;br /&gt;- Ah... Eu conheço?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Ah... Ele é bom pra você? – se arrependeu da pergunta assim que o ponto de interrogação se desenhou no ar.&lt;br /&gt;- Que pergunta de filme, Anísio. – ainda havia um sorriso na voz dela, mas já não parecia tão divertido.&lt;br /&gt;- Desculpa. É que ainda...&lt;br /&gt;- Anísio. Já faz tempo.&lt;br /&gt;- Ele... Ele é o que eu fui pra você?&lt;br /&gt;Silêncio. Alguns segundos? Horas? Quando a voz soou novamente, não havia mais sorrisos nela.&lt;br /&gt;- Ninguém vai ser o que você foi!&lt;br /&gt;Ela desligou. Ele ficou com o telefone na mão, olhando para o fone. Ela diria “Que atitude de filme, Anísio”.&lt;br /&gt;Largou o telefone. Se olhou no espelho. Num primeiro momento se sentiu lisonjeado.&lt;br /&gt;- Ninguém vai ser o que eu fui pra ela!&lt;br /&gt;Em seguida percebeu o que ela quis dizer e viu a verdade da frase nos olhos vazios do rosto que tinha à sua frente.&lt;br /&gt;- Nem mesmo eu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-7815537011409713302?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/7815537011409713302/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=7815537011409713302&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/7815537011409713302'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/7815537011409713302'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2008/06/quanto-tempo_25.html' title='QUANTO TEMPO!'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-8435619071035523570</id><published>2008-06-19T06:52:00.001-07:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.867-08:00</updated><title type='text'>ANTI-TABAGISMO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tenho um amigo que vive estressado. O Ascenço. Quando ele chega e pergunta “Sabe o que me deixa estressado?”, a gente já sabe que lá vem bomba.&lt;br /&gt;Esta semana ele mal chegou e já foi dizendo:&lt;br /&gt;- Sabe o que me deixa estressado? Campanha contra o cigarro.&lt;br /&gt;Ninguém entendeu muito bem. Afinal, o Ascenço não fuma. Alguns fumantes até dizem que é por isso que ele vive estressado.&lt;br /&gt;- Eu não fumo agora. Mas já fumei muito na vida. Parei há mais de dez anos. E não foi mole não. Mas parei de estalo, que eu sou é macho! Um dia resolvi e joguei fora o maço que estava no meu bolso. Parei! E nunca mais fumei. Só em sonho, porque ex-fumante vive sonhando que está fumando e acordando em pânico por ter fumado.&lt;br /&gt;- Ora, Ascenço, você parou porque achou que estava te fazendo mal. Por que se estressa com as campanhas? A função delas não é justamente levar outras pessoas a fazerem o que você fez?&lt;br /&gt;- Aí é que está o enrosco! Eu já acho que não.&lt;br /&gt;- Como não?&lt;br /&gt;- Raciocina comigo. A pessoa vicia no cigarro por quê?&lt;br /&gt;- Porque é burra? – arriscou um não fumante.&lt;br /&gt;- Não tem porquê. Vicia e pronto. – disse um com o cigarro no canto da boca.&lt;br /&gt;- Não! – cortou o Ascenço. – Vicia por dois motivos. Primeiro porque começa a fumar. Se não começar, não vicia. E segundo porque fumar pode causar todos os males que alegam mas é gostoso! O cigarro, amigos, é um companheirão!&lt;br /&gt;Mais dois fumantes acenderam seus cigarros com olhares de enternecido agradecimento ao parceiro de noites insones e manhãs mal humoradas devidas à tosse das noites insones.&lt;br /&gt;- Então é assim. Quem não está a fim de fumar, nem começa. Quem está a fim de começar, é só ir até o bar da esquina e comprar. Simples assim. Mas aí vem uma corrente e diz que as pessoas começam a fumar porque vêem a propaganda na TV. E proíbem a propaganda. Isso já estressou. Censura mesmo, na cara dura, disfarçada de preocupação com a minha saúde. Alguém conhece alguém que começou a fumar porque viu um cara correndo feito um louco dentro de um carro importado ou calejando a bunda em cima de um cavalo? Todo fumante que eu conheço começou a fumar porque o pai fumava ou porque os amigos fumavam. Vão proibir pais e amigos também?&lt;br /&gt;Os fumantes da roda concordaram e deram seus depoimentos. Nenhum deles começou a fumar por causa da propaganda, até porque, quando somos muito jovens, tem duas coisas que nos tiram da frente da TV: jornal e intervalo comercial.&lt;br /&gt;- Pois é. – continuou o Ascenço. – Aí não tem mais propaganda dizendo “Fumem”. Mas entupiram os horários de TV, de rádio, as páginas dos jornais e revistas com outra dizendo “Não fumem”! Ora, já concordamos que quem não quer começar nem pensa nisso. E quem quer não está nem aí pra isso. Sobram os que começaram e querem parar. Só quem parou de fumar sabe a tortura que é não querer pensar no cigarro e ser lembrado dele a toda hora. E é isso que a propaganda anti-cigarro faz! Fica lembrando as pessoas, de cinco em cinco minutos, que o cigarro existe! Não sei não... Pra mim essa campanha está sendo financiada pela indústria do tabaco. Já que não pode ir ao ar com o comercialzinho de trinta segundos, arrumaram um jeito de falarem de cigarro o tempo todo! Assim, pelo menos os que já fumam não conseguem esquecer do cigarro e não inventam de parar!&lt;br /&gt;Concordei com o Ascenço, mas fui embora. É que parei com o cigarro há 23 dias e aquela conversa começou a me dar uma comichão nos dedos, levando-os na direção dos maços de amigos que estavam em cima da mesa. Quando cheguei em casa, por via das dúvidas, não liguei a TV.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-8435619071035523570?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/8435619071035523570/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=8435619071035523570&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/8435619071035523570'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/8435619071035523570'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2008/06/anti-tabagismo_19.html' title='ANTI-TABAGISMO'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-1453106201930169410</id><published>2008-05-10T06:46:00.001-07:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.867-08:00</updated><title type='text'>MINHA MÃE</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Meu pai decretou: Homem que é homem é culto, inteligente e bem informado, sempre atualizado.&lt;br /&gt;Minha mãe me ensinou a ler aos cinco anos. Quando completei seis, tentou me matricular numa escola pública e não fui aceito por não ter os sete anos exigidos. Ela pesquisou até encontrar uma escola particular que me aceitasse. Era uma escola próxima da nossa casa, no bairro do Macuco, em Santos. Mas, poucos meses depois, nos mudamos. Pra outra cidade! Pra Vicente de Carvalho, que, na época, ainda chamávamos de Itapema. Não dava pra eu ir àquela escola todos os dias. Era longe demais. Envolvia até uma viagem de catraia, um pequeno barco a motor que ainda hoje é usado em travessias na baixada santista. Minha mãe fez um acordo com a escola. Eu iria uma vez por mês pra fazer uma avaliação. Mas como eu aprenderia o necessário pra essa avaliação? Minha mãe pegava o currículo do mês e me dava aulas em casa. Todos os dias! Com horário normal de aula! Passei pro segundo ano com nota excelente. E sabendo ler muito bem. Meu pai achava que ler era importante. Meu tio, o falecido Zé Vieira, trazia muita coisa pra eu ler. Mas minha mãe foi quem me deu os meios necessários para que eu pudesse fazer isso, com gosto, pelo resto da vida.&lt;br /&gt;Meu pai exigiu: Homem que é homem não depende de ninguém. É auto-suficiente!&lt;br /&gt;Minha mãe, quando eu tinha uns oito ou nove anos, insistia pra que eu fizesse trabalhos caseiros, todos os dias. Eu ficava irritadíssimo! Enquanto os outros moleques estavam brincando de mocinho, empinando pipas, jogando bola, taco ou espeto, eu estava vendo como se fazia arroz, estendendo um lençol na minha cama, lavando louça, colocando fronha em travesseiro, enxugando pratos, varrendo a sala, passando pano no chão da cozinha, descascando batatas, fritando ovos, temperando bifes. Claro que isso tomava apenas uma ou duas horas do dia, mas pra mim parecia toda uma vida! Na verdade, ela até refazia as coisas depois. A intenção não era usar meu trabalho. Só muito mais tarde, quando me vi distante, sozinho e por minha conta, é que percebi o valor do que tinha aprendido. Vi que sabia mais sobre organização de uma casa e preparação do meu alimento do que imaginava. Meu pai me incutiu o orgulho da não dependência. Mas minha mãe foi quem me deu o conhecimento das coisas práticas pra que eu pudesse manter esse orgulho.&lt;br /&gt;Meu pai determinou: Homem que é homem tem que ter uma profissão, um trabalho digno que ele faça muito bem feito, no qual ele seja, senão o melhor, um dos melhores.&lt;br /&gt;Minha mãe, quando eu estava com mais ou menos doze anos, me apresentou um mundo profissional do qual eu nunca me separaria. Ela me ensinou os caminhos, com palavras ou apenas vivendo. Deixou clara a necessidade da pluralidade no ramo do qual vivia, dublando um filme hoje, fazendo uma novela na TV no dia seguinte, um espetáculo infantil no fim de semana, escrevendo e apresentando programas de rádio todas as noites. Meu pai exigiu de mim a dignidade de uma profissão na qual eu fosse bom. Minha mãe não só me deu essa profissão, que na verdade é mais de uma, como me mostrou como exercê-la bem e como ser respeitado nela.&lt;br /&gt;Meu pai vaticinou: Homem que é homem constrói uma boa família e faz tudo por ela.&lt;br /&gt;Minha mãe já tinha dado todas as ferramentas necessárias pra isso.  A profissão com a qual manter a família, o apego aos componentes da família que faz com que se sacrifique qualquer coisa em nome dela, o amor que faz com que nunca pareça sacrifício, os paparicos compráveis como brinquedos, doces, roupas especiais, passeios, e os executáveis como um cheiroso, bonito e delicioso jantar.&lt;br /&gt;Meu pai me disse como é um homem que é homem.&lt;br /&gt;Minha mãe me ensinou a me tornar um. Passo a passo. Ano a ano. Pro resto da vida!&lt;br /&gt;Dá pra homenagear uma mãe assim? Impossível! Nada seria suficiente. Só dá pra agradecer.&lt;br /&gt;Valeu, mãe! Se você, alguma vez, já se sentiu amada por seus filhos e pelos descendentes deles, tenha certeza de uma coisa: é o mínimo que todos podemos fazer!&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-1453106201930169410?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/1453106201930169410/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=1453106201930169410&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/1453106201930169410'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/1453106201930169410'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2008/05/minha-mae_10.html' title='MINHA MÃE'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-7358491222174717062</id><published>2008-05-03T20:43:00.001-07:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.868-08:00</updated><title type='text'>BRASICANOS RIDÍCULOS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Estamos exagerando na americanice. Tudo tem limite. Acho que se pode até copiar os outros pra se parecer o que não se é, mas só até chegar à fronteira do ridículo.&lt;br /&gt;Honestamente, esse "lembrete" no final dos comerciais de cerveja, "Esse produto é destinado a adultos", não ultrapassou essa fronteira?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-7358491222174717062?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/7358491222174717062/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=7358491222174717062&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/7358491222174717062'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/7358491222174717062'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2008/05/brasicanos-ridiculos_03.html' title='BRASICANOS RIDÍCULOS'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-8043249262503700347</id><published>2008-04-08T17:40:00.001-07:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.868-08:00</updated><title type='text'>O VELHO SE FOI!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O velho se foi!&lt;br /&gt;Ele recebeu a notícia de uma das irmãs. Parou por um segundo antes de dizer qualquer coisa pra avaliar o que estaria acontecendo dentro dele. Era estranho... Não doía!&lt;br /&gt;Em seguida, uma enxurrada de conversas por telefone. Com os outros irmãos, com a filha casada... E continuava sem doer.&lt;br /&gt;Sentia-se triste. Afinal, era o pai dele! O Patriarca da família! A referência de todos, mas, principalmente dele. Os outros irmãos conheceram o pai já com mais idade, um homem diferente do que havia sido. Ele conhecera o pai em todo o vigor da juventude, em plena atividade nos mais variados ramos, das comunicações à política, da propaganda às viagens de férias para o meio do mato.&lt;br /&gt;Ele começou a se recordar do velho em detalhes. Do homem forte, grande e protetor de quando ele era uma criança de pouquíssimos anos de vida, dando os primeiros passos, saindo com ele pra passear em lugares fascinantes como a praia, que ele viu pela primeira vez ao lado do pai ou o interior de um canal de televisão. Lembrou-se da mão enorme do pai envolvendo a dele, fazendo com que ela desaparecesse completamente. Passou anos impressionado com o tamanho da mão dele.&lt;br /&gt;Daí pulou pra lembrança do homem importante, conhecido e querido por uma cidade inteira, dos tempos em que ele era pré-adolescente. Um homem agora famoso, com um nome a zelar, com cargos a manter e que, sem perceber, o massacrava com tudo isso. Ele queria brincar, andar pelas ruas como um moleque comum, fazer as molecagens comuns e até levar as broncas comuns. Mas não podia. Aquele homem todo poderoso, identificado em todo lugar, um semi-deus de uma cidade, era o pai dele! E além do pai, a cidade inteira cobrava... Como ele podia se comportar como um moleque comum sendo filho de quem era?&lt;br /&gt;As lembranças seguiram em frente e ele passou para a fase adolescente propriamente dita. Adolescentes sofrem muito. Adolescentes acham que só eles sofrem. Adolescentes acham que precisam mudar o mundo onde eles sofrem demais. E o começo dessa mudança é negar tudo o que viram, ouviram e aprenderam com os pais. Nesse período, ele se lembra, deixou de morar com o pai pra ir viver com a mãe, após uma separação traumática. Por alguns anos, nem queria ouvir o nome daquele homem que agora ele classificava como arrogante, prepotente, autoritário e injusto.&lt;br /&gt;Pulou logo essa fase de suas lembranças. Lembrou-se do primeiro casamento. E de começar a ver o velho de outra forma. Pra começar, ele não era tão grande. Na verdade, agora que ele era um adulto, o pai era menor do que ele! E a mão era quase metade da dele! No decorrer da vida adulta, foi compreendendo cada palavra, cada gesto, até mesmo cada resmungo e cada queixa do velho.&lt;br /&gt;Depois dos quarenta, percebeu que estava cada vez mais parecido com o velho. Não só fisicamente, mas em tudo. E percebeu como amava aquele homem. Como se orgulhava dele! Como se sentia feliz em dizer “Sou filho dele”! Como justificava cada coisa boa que fazia com o fato de ter aquele sobrenome!&lt;br /&gt;Mas agora o velho se foi. E não doía! Por que não doía?&lt;br /&gt;Repassou a vida. Não a própria vida novamente. Repassou a do velho. Nascido numa cidadezinha de interior, fugiu de casa ainda garoto, pulou de cidade em cidade, fez carreiras, mais de uma, angariou amigos, dezenas, centenas de amigos por toda parte onde passou. Em um momento da vida, lá no passado, se apaixonou por uma menina de uns quinze ou dezesseis anos. E ela se apaixonou também. O velho era casado. A paixão teve que arrefecer. Mas não morreu. Anos depois, já separado e sozinho com os dois filhos, a chama se reacendeu. E passaram a viver juntos. Desta vez sim, até que a morte os separasse. Com ela, o velho teve mais três filhos. Esses tiveram um outro pai, tão bom quanto o pai dos dois primeiros, mas diferente.&lt;br /&gt;O senso de família do velho era tão grande que, de todas as coisas que tentou deixar para os filhos, essa foi a mais forte! E apesar de não terem a mesma mãe, todos eram totalmente irmãos!&lt;br /&gt;Ele visitava pouco o velho. A distância entre as cidades era grande, era muito difícil conseguir dinheiro e tempo pra viagem, mas quando ia era uma festa! Afinal, ele era o primogênito! O velho gostava muito dele. Sentia saudade dele. E ele também sentia saudade do velho e dos irmãos.&lt;br /&gt;Aos setenta e nove anos, o velho perdeu a grande companheira. Aos oitenta adoeceu irremediavelmente, como sempre acontece aos homens que perdem seu grande amor. Há os que nunca acreditaram na capacidade do velho de amar uma mulher dessa maneira. Mas ele sabia! Conhecia o pai! Sabia como o pai agia e como sentia porque ele era igualzinho!&lt;br /&gt;No dia em que o velho comemorou seus oitenta anos, ele foi até lá. O velho já estava bem doente, às vezes não entendia direito o que estava acontecendo à sua volta, mas beijou o filho distante, sorriu com a presença dele e disse duas coisas que ele jamais vai esquecer. A primeira foi “Cheguei aos oitenta! Consegui!”. E a segunda foi “Tenho saudade da velha”.&lt;br /&gt;Agora, o velho se foi. E depois de repassar tudo, ele entendeu porque não doía. Não era pela obra do velho, por tudo que fez por tanta gente. Nem pela paz que talvez chegasse para a irmã dele que cuidou do velho dia e noite durante tanto tempo. Também não era pelo legado que o velho deixara para ele e para todos os irmãos, legado moral, familiar, cultural, social, exemplos de amor e de amizade. Não doía porque ele entendeu que a partida foi, no fundo, o último gesto de um grande amor, daquele amor que começou quando ele tinha trinta anos e ela dezesseis.&lt;br /&gt;Não doía porque ele sabe que, se houver mesmo algo do outro lado, o velho foi atrás dela. E ela está lá, a espera dele. E vão continuar a história deles, agora pra sempre. E deixam aqui cinco filhos, seis netos, quatro bisnetos que, se forem espertos, sempre se lembrarão de alguma coisa que ele disse ou fez e usarão o exemplo para viverem bem.&lt;br /&gt;O velho se foi! Não há mais dor nele. Não deve doer em nós. Ele viveu! Realmente viveu! E nos mostrou como realmente viver. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em respeito a ele, vivamos!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-8043249262503700347?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/8043249262503700347/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=8043249262503700347&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/8043249262503700347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/8043249262503700347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2008/04/o-velho-se-foi_08.html' title='O VELHO SE FOI!'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-9146256115790498137</id><published>2008-04-06T09:23:00.001-07:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.868-08:00</updated><title type='text'>DENGUE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;E agora é a dengue. Já foi o mensalão, o mensalinho, a dança na Câmara, os dossiês, as malas em hotéis, as cuecas milionárias, CPIs intermináveis e rentáveis, os aeroportos... Agora é a dengue!&lt;br /&gt;Uma coisa ficou clara. Nunca mais se deve votar no Homem neste país. Porque se o Homem ganha, todos os outros, sejam de que partidos forem, de situação ou de oposição, ficam ouriçados de tal maneira que gastam todo o seu tempo em ataques, defesas, denúncias, desmentidos, jornais e revistas enlouquecem e publicam qualquer coisa que alguém apenas sugere que talvez tenha acontecido. Meu Deus, como o Homem incomoda!&lt;br /&gt;E agora é a dengue. Culpa do Homem!&lt;br /&gt;Nesses tempos “cientifizados”, onde a Grande Seita dos Homens de Branco comanda e detém todo o conhecimento do Universo, definindo o Bem e o Mal, quem morre e quem vive, é muito estranho que as pessoas não percebam o que, mesmo sem querer, todos dizem no meio dos ataques e das defesas. O tal do mosquito é caseiro. Sem o mosquito, não tem dengue. É o que dizem. O tal do mosquito é limpinho. Gosta de água parada, mas tem que ser limpa. Sem água limpa parada, não tem mosquito, portanto, não tem dengue. É o que dizem. Ora, água parada limpinha não está lá desde a semana passada. Apareceu com a chuva de ontem. Se ela estiver no meio do mato, não serve pra nada pro mosquito. Ele é doméstico. A larvinha tem que virar mosquito e sair chupando, com todo o respeito. Portanto, não vamos nos enganar, o bichinho só vinga se estiver no interior de uma casa com gente dentro. Ou muito perto de uma. O resumo desse blá-blá-blá, pra mim, parece óbvio. A dengue não é uma questão de Saúde. É uma questão de Higiene! E não tem governo no mundo que tenha a obrigação de cuidar da Higiene de cada cidadão sob sua tutela. O sujeito é Presidente, Governador, Prefeito, o diabo, mas não é meu pai!&lt;br /&gt;Num programa de entrevistas da semana passada, um especialista no assunto disse algumas coisas bem interessantes. Uma delas foi essa: o mosquito é doméstico e se cuidar da higiene não tem mosquito. A outra foi esclarecedora: dengue se trata em casa! Não tem remédio. Não tem tratamento. Não tem cirurgia. Dengue se trata com hidratação (muita água e, em caso extremo, soro), alimentação e repouso (deixa-se o corpo forte e descansado pra que ele combata o vírus). Em casos extremos, se a febre não cede, se a coisa dura muito, sei lá o que seria exatamente o “caso extremo”, mas nesses casos, procura-se um hospital. Ora, foi um dos Sacerdotes de Branco quem disse isso. Por que escolhemos acreditar nos arautos do apocalipse e não nos anjos com a boa nova? O homem disse que se todo mundo que pega gripe corresse imediatamente pro hospital como estão fazendo com a dengue, teríamos noticiários de epidemia de gripe, as estatísticas iriam para a estratosfera e a boa e velha gripe que gostamos de usar pra dar o cano no serviço numa sexta ou numa segunda se tornaria uma vilã igual à dengue, com discursos inflamados da imprensa responsabilizando o partido cujos membros não fossem acionistas pelo desleixo com a saúde pública.&lt;br /&gt;Mas a dengue, ao que parece, é só o abre-alas. Ali atrás já vem o carro alegórico da febre amarela e já se ouve, à distância, o repenique da lepra! Enquanto isso, os jornais dizem que os números divulgados para a dengue são amenizados. Quando o oficial diz mil é porque são dois mil e quinhentos. Ou seja, se não fossem os jornais e revistas que tudo sabem e tudo vêem, talvez nem soubéssemos da dengue.&lt;br /&gt;E aí me pego pensando... Será que é mesmo “talvez”? O mosquito, o vírus, as condições climáticas, tudo isso é parte da natureza, igualzinho ao mico leão, ao golfinho ou ao pau-brasil. Sempre achei que o que sumiu, se sumiu, foi porque ia sumir mesmo, igual aos dinossauros. Sempre achei muita petulância do humano achar que tem tanto poder assim pra desfazer o que a natureza não quer que se desfaça. É só ver as ruas asfaltadas de uma grande cidade. Quando chove, aquele riozinho de nada, que nós cobrimos e impermeabilizamos pra fazer uma avenida, retoma seu espaço sem cerimônia, inunda tudo e diz claramente “Este lugar é meu, quem vocês pensam que são?”. Eu tenho a impressão de que a humanidade mata mais ratos e baratas do que qualquer outra espécie no mundo. E não se fala em extinção de ratos e baratas. Eu acho que não estamos com essa bola toda.&lt;br /&gt;Ora, o mosquito, o vírus e tudo o mais, estão no mesmo contexto. Acho que nada foi extinto ou, como gostam de dizer quando o ser vivo não é preservável pelos ecologistas, erradicado. Sempre esteve aí. Sempre existiu. A dengue pode muito bem ser confundida com uma gripe forte e, enquanto serviu a alguns propósitos, foi mantida assim. Não há mais dengue! Não, isso é gripe. Toma uma sopa bem quente, bebe bastante água, deita um pouco por causa da dor no corpo... Ah, claro, a nossa indústria tem aqui essa variedade de remedinhos pra gripe. Toma três vezes ao dia e, no máximo em três dias, você está de pé. Claro, o vizinho que não tomou nada já estava de pé um dia e meio antes, mas cada um é cada um.&lt;br /&gt;Podem me chamar de doido, mas pra mim nada foi “erradicado”. Tudo sempre esteve aí, nos corpos e nas casas das pessoas. Só não estava na mídia. Quando se faz necessário, divulga-se. Igual a gastos com cartões ou mensalidades pra parlamentares.&lt;br /&gt;Em todo caso, sugiro que mesmo que venham com o papo de terceiro mandato, não se vote no Homem. Não que eu ache que ele tenha culpa de a natureza insistir em se manter viva. É que sem ele, os deputados, senadores, prefeitos, governadores, revistas, jornais, televisão, rádio, Internet, se ocupam de assuntos mais variados. Com ele, o assunto é sempre um só: vamos derrubar ou defender o Homem.&lt;br /&gt;Coisa chata!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-9146256115790498137?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/9146256115790498137/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=9146256115790498137&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/9146256115790498137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/9146256115790498137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2008/04/dengue_06.html' title='DENGUE'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-4286030272136413480</id><published>2008-03-08T06:29:00.001-08:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.868-08:00</updated><title type='text'>UMA NOVA MULHER</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Casada há quinze anos, um filho de treze, uma filha de onze. Vida financeira não muito estável, mas confortável. O marido não ganhava mal. Providenciava tudo o que ela queria. Está certo que ela sempre quis pouco, nunca foi uma perdulária, uma consumista, mas tinha lá seus gostos e seus prazeres e eles estavam satisfeitos. Ela não vivia mal, era uma dona de casa contumaz, adorava arrumar coisas, enfeitar coisas, preparar eventuais pratos diferentes, manter os filhos asseados e, até onde era possível, educados. Não gostava muito dos trabalhos mais pesados, limpar a casa, lavar roupa, fazer comida todo dia, arroz, feijão, salada, não tinha muita paciência. Mas com o que o marido ganhava, podiam ter uma empregada.&lt;br /&gt;Ela mantinha um comportamento antigo, raras vezes dizia um palavrão, não tinha turmas, um ar nobre do tipo “sou uma senhora casada”, mesmo sendo tão jovem. Seu posicionamento respeitável e respeitoso era tal que, às vezes, quando alguém estava contando uma piada suja ou fazendo um comentário mais sacana, parava imediatamente de falar quando ela chegava. Respeito. Um tanto antigo. Um tanto exagerado. Mas respeito.&lt;br /&gt;Uma mulher da antiga só poderia atrair para si um marido da antiga. Homem honesto, preocupado, provedor, sempre atendendo a tudo o que “a patroa” e “as crianças” precisavam ou queriam, trabalhando cada vez mais para tentar corresponder a todas as expectativas. Quando amigas infernizaram dizendo que ela ao menos tinha que ter uma profissão para o caso de resolver sair da concha e, finalmente ter uma carreira, ele financiou todos os cursos pra que ela se tornasse uma profissional. Havia muito pouco que ele não fizesse para ver cada integrante da família feliz.&lt;br /&gt;Mas ele tinha o que ela chamava de lado mau e ele chamava de lado normal. Raras vezes saía do trabalho e ia direto pra casa. Sempre havia uma turma, a cerveja, um samba ao vivo, um rock na caixa, ele chamava de relaxamento depois do trabalho, ela chamava de gandaia. Ele a convidava pra ir junto, ela nunca ia, não gostava, era contra, mulheres não devem encher a cara, mulheres não devem se expor publicamente, mulheres não devem participar de farras e se misturar com homens que não sejam delas, jamais iria estar presente nesse tipo de coisa. Ela sempre achou que as mulheres se dividiam em duas classes básicas: as de casar e as de comer. Ela era de casar. Já havia casado. Cedo. As que freqüentavam aqueles ambientes eram as de comer. E ele sabia bem disso. A festa rolando, a música tocando, a turma rindo e se divertindo, e as tais de comer em volta. E ele solto, sem vigilância, no meio daquilo tudo. Podia até ser evitável, mas ele era um homem da antiga. Homens da antiga não evitam. Ela sabia. E relevava.&lt;br /&gt;A mãe dela tinha queimado sutiãs na década de sessenta. Tinha experimentado viagens alucinantes, roupas largas, longos cabelos e o sexo livre nos anos setenta. Não teve dinheiro pra ir a Woodstock, mas, nos anos oitenta, foi uma das primeiras a comprar o vídeo. Tinha uma foto da Betty Friedan no quarto e relia A Mística Feminina pelo menos uma vez a cada dois anos. Se angustiava com o que ela chamava de submissão da filha ao domínio masculino. Não percebia que isso explicava um pouco as coisas. À pobre da filha só havia restado ser uma dona-de-casa das antigas se quisesse renegar as coisas da geração anterior como fazem todas as gerações.&lt;br /&gt;Mas um dia...&lt;br /&gt;Um dia ela se cansou do marido. Na verdade, se cansou das falhas dele. Numa análise mais a fundo, se cansou mesmo de uma única falha dele. Todas as virtudes ficaram pequenas demais, irrelevantes demais, desimportantes demais diante daquela única e massacrante falha reincidente.&lt;br /&gt;Ela resolveu mudar tudo. Mudou o corte de cabelo, mudou a permanência em casa, começou a encarar com outros olhos o que as amigas e a mãe diziam sobre a nova posição da mulher frente ao mundo, em geral, e ao mercado de trabalho, em particular. Ela tinha formação, podia arrumar um emprego. Os filhos já estavam de bom tamanho, já não precisavam tanto da presença dela. Iria ter uma vida sua, só sua, sem ligações com ele. Havia cansado.&lt;br /&gt;Conseguiu logo um trabalho. O dono de uma empresa havia caído na real de que podia dispensar um homem que ganhava mil, contratar duas mulheres por seiscentos cada uma, dobrar a produção e gastar só duzentos a mais. E elas aceitavam isso desde que lhes fosse garantido o direito de reclamar em jornais e estatísticas quanto à discriminação contra as mulheres que ganham menos do que homens na mesma função, deixando de lado o fato de isso só acontecer porque elas topam.&lt;br /&gt;Agora ela tem uma vida, amigos e amigas, novos horizontes, novas visões do mundo, não é mais vista como “um apêndice de um homem”, como dizia a mãe. Mudou comportamentos, está mais liberal, agora as pessoas já se sentem à vontade pra falar qualquer tipo de sacanagem na presença dela. Tem até amigos que confidenciam pra ela o que gostam de fazer na cama. Ela mesma já está começando frases com “porra” e “puta”, “Porra, não dá pra fazer esse trabalho nesse prazo”, “Puta, você viu o que a Fulana fez?”. Tentou começar a beber com o pessoal, mas o corpo rejeitou. Depois de tantos anos de abstinência, já devia ser tarde pra começar.&lt;br /&gt;Não havia mais horários, não havia mais freios, não havia mais satisfações a dar, não havia mais submissão, não havia mais dependência financeira nem emocional. Uma nova mulher. Uma nova vida. As amigas acompanhavam e balançavam a cabeça em aprovação: “Agora sim!”.&lt;br /&gt;Só lá no fundo, uma vozinha a incomodava, à noite, pouco antes de adormecer na cama que, agora, ela não tinha mais a obrigação de compartilhar com alguém que se mexia e roncava a noite toda. Um segundo antes de dormir, no fim de um dia exaustivo e compensador, uma velha voz que lhe parecia muito familiar, talvez a voz da “antiga ela”, lhe dizia suave e maldosamente, como se cantasse uma anti-canção-de-ninar: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Parabéns. Agora você não é mais de casar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-4286030272136413480?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/4286030272136413480/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=4286030272136413480&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/4286030272136413480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/4286030272136413480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2008/03/uma-nova-mulher_08.html' title='UMA NOVA MULHER'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-7355182176402263598</id><published>2008-02-16T06:48:00.001-08:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.868-08:00</updated><title type='text'>MAIORIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando era garoto, todos os meninos da rua jogavam bola. Todas as mães dos meninos que estavam jogando, aparentemente, gostavam desse fato, já que não tentavam proibi-los e todo mundo sabe que mãe é um dos piores tiranos que um menino deverá enfrentar durante toda a sua vida. Mas apesar de todos os meninos gostarem de jogar bola, de todas as mães gostarem do fato de eles estarem ocupados com o jogo em lugar de ficarem dentro de casa comendo fora de hora e sujando tudo, apesar de nenhum pai brigar com eles por saber que tinham jogado bola, bastava uma vizinha chata e sem filhos reclamar, que lá vinha represália e o jogo acabava. Na rua dele, durante a infância, a maioria perdia.&lt;br /&gt;Depois veio a faculdade. Como ele fazia parte da maioria dos candidatos, não era preto nem branco nem índio, era só um brasileiro comum, misturado o suficiente pra não conseguir se classificar em nenhum dos tipos, e como não era miserável, almoçava e jantava como a maioria dos candidatos, tinha pais que trabalhavam e mantinham uma casa média em algum bairro médio como a maioria dos candidatos, como ele era comum e parte da maioria, tinha que ralar muito, estudar muito e fazer pontos de verdade pra entrar na faculdade. Mas o branco puro, filho de gente rica e tradicional, mesmo não podendo se declarar como tal, sob pena de ser acusado de prepotência ou o preto comprovado, que não pode mais ser chamado assim porque não é politicamente correto, o que, estranhamente, mostra que algumas pessoas que se dizem ativistas anti-racismo pensam que chamar o branco de branco é contar vantagem e chamar o preto de preto é ofensa, tinham, de alguma forma, vagas garantidas. No vestibular, a maioria perdia.&lt;br /&gt;Como perdeu sua vaga na faculdade, foi atrás de emprego. Como ele tinha os dois braços, as duas pernas, ouvia bem, enxergava normalmente e tinha um metro e setenta, como a maioria dos brasileiros, perdeu a vaga pra três empregos em empresas que tinham que cumprir cota imposta por lei de vagas pra deficientes, que é como resolveram chamar quem não faz parte da maioria como parte do processo de erradicação de alguns problemas físicos. Hoje em dia, por exemplo, há pouquíssimos cegos no Brasil. As pessoas continuam lá com seus cachorros, suas bengalas e seus problemas e soluções, mas a estatística diz que quase não há cegos no país. A denominação “deficientes visuais” resolveu o problema. Mas o importante para ele, naquele momento, é que por não ser um “deficiente” em qualquer coisa, exceto pela deficiência econômico-financeira, ele não tinha vaga pré-garantida. No mercado de trabalho, a maioria perdia.&lt;br /&gt;Enfim conseguiu um emprego. E ao sair do trabalho, cansado e irritado por ter sido obrigado a conviver em um lugar e com uma função que não queria, ia tentar se distrair. Os bares, restaurantes, lanchonetes da cidade ofereciam alívio aos seus problemas, ajudavam a relaxar para conseguir dormir e aturar o dia seguinte daquela vidinha mais ou menos, havia os amigos, a cerveja, o papo, as piadas, o jogo de sinuca, o samba tocado ao vivo, o sertanejo que vinha da maquininha de CDs, a mesa na calçada para as noites de calor e toda aquela gente, todo aquele movimento de freqüentadores, de passantes, garçons, gerentes, caixas, cozinheiros, faxineiros, engraxates, vendedores de amendoim torradinho ou de chocolates, três por um real, seguranças, manobristas, enfim, uma multidão que vivia na noite e da noite. Mas bastava um morador da região apelar para os conceitos de poluição auditiva, segurança, estabelecer relações entre os rapazes cantando num karaokê e o aumento da criminalidade, e tudo aquilo tinha que parar, que acabar, que deixar de existir para ele e centenas de outros que precisavam daquilo pra aliviar o corpo e a cabeça de um dia tenso e para outras centenas que precisavam daquilo como meio de vida. Na noite adulta da cidade, a maioria perdia.&lt;br /&gt;Chegou período de eleição. Todas as pessoas com quem ele convivia queriam aproveitar o dia pra fazer um churrasco em casa ou dar uma chegadinha até a praia. Mas não dava pra programar nada porque todos tinham que, democrática e obrigatoriamente, ir votar. E, às vezes, a fila era grande. Não se sabia o tempo que ia ser necessário. Ele foi votar. Escolheu o prefeito pra cidade dele. Ele e a maioria colocaram um dos candidatos na vaga. O prefeito foi empossado e poucos meses depois se mandou para um emprego melhor, como faz a maioria. No lugar dele ficou um sujeito de quem ninguém da maioria tinha ouvido falar e a quem a maioria não tinha escolhido. Na democracia, a maioria também perdia!&lt;br /&gt;Só muito mais velho ele conseguiu entender direito como eram as coisas. Sempre acreditou na história de que tudo na vida devia ser decidido pela maioria e acreditou que a maioria era a força, era o poder, era a vantagem e que isso era o justo.&lt;br /&gt;Ele achava que, por estar entre a maioria, gostar do que a maioria gosta e fazer o que a maioria faz, estava com seus direitos garantidos.&lt;br /&gt;Demorou pra perceber que ele era um não-branco rico, portanto era visto por essa minoria como o agressor potencial. E também era um não-preto pobre, portanto era visto por essa minoria como o opressor safado. Também era não-índio, não-gay, não-mulher, não-menor abandonado, não-velho, não-deficiente, portanto, visto por todas as outras minorias como o discriminador nojento. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele era maioria. Se sentia maioria. Se via entre a maioria. Mas percebeu que para a maioria tinha restado apenas um direito garantido por lei: “Você tem o direito de permanecer calado”.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-7355182176402263598?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/7355182176402263598/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=7355182176402263598&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/7355182176402263598'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/7355182176402263598'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2008/02/maioria_16.html' title='MAIORIA'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-7213082966583287519</id><published>2008-02-02T08:55:00.001-08:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.869-08:00</updated><title type='text'>LEI SECA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sábado de Carnaval! Todo ano é tudo mais ou menos igual. Muita gente pulando, saindo em blocos, indo assistir aos desfiles, indo atrás do trio elétrico, pessoas em casa, assistindo a tudo pela TV e os chatos de sempre tentando parecer melhores do que os outros, declarando a cada dois minutos o quanto não gostam de Carnaval e como têm pena do pobre povo que se deixa levar por ele.&lt;br /&gt;O Ary sempre gostou do Carnaval. Não é um folião. É garçom. Trabalha em um pequeno restaurante às margens da Dutra. Adora o Carnaval por causa do movimento e do faturamento em gorjetas.&lt;br /&gt;O Aurélio detesta o Carnaval. Todo ano enfia a mulher e os dois filhos no carro e vai pra casa do irmão em Guaratinguetá pra fugir do que ele chama de orgia pagã. Vai falando disso o percurso inteiro, com a mulher balançando a cabeça em aprovação e os filhos de 11 e 14 anos emburrados no banco de trás.&lt;br /&gt;O Antero nem se dá conta de feriados. Caminhoneiro, pra ele tanto faz se é Carnaval ou Dia de Finados. Ele trabalha por conta própria, se tem um frete, não está nem aí. Faz a entrega e pronto.&lt;br /&gt;Meio dia. Por mero acaso, os três estão no mesmo ponto da estrada. Aurélio acha melhor dar uma parada pra comer alguma coisa. Antero tem que parar pra almoçar porque “saco vazio não faz entrega”, ele adapta, sem muito sentido mas com grande verdade. E o Ary está lá, esperando todos, solícito, sorridente, atencioso e ansioso pelas gorjetas que sempre são mais volumosas nos feriados.&lt;br /&gt;Só que o Antero não vai ao restaurante onde trabalha o Ary. Ele não gosta de restaurantes de beira de estrada em feriados. Sempre muito cheios, muito turista, muito motorista de fim-de-semana se comportando como donos de locais que, por direito, deveriam pertencer a ele. Afinal, está trabalhando, o que, aparentemente, coloca um homem acima dos outros mortais na escala de importância e de prioridade. Estar trabalhando autoriza a qualquer coisa e outorga direitos que quem está passeando, se divertindo, não deveria ter. Antero passa por trás do restaurante, entra numa estradinha pequena e, em alguns minutos está em outro boteco, um lugar que também serve comida, bebida, docinhos, salgadinhos, mas não tem turista.&lt;br /&gt;O Aurélio pára no mais fácil. Ele está na estrada, o restaurante está ali, nem passa pela cabeça dele desviar para ir a outro lugar. Aliás, não passa pela cabeça dele sequer a existência de qualquer coisa no caminho. A Dutra, pra ele, é uma linha de asfalto que liga São Paulo a Guará. Não há mais nada depois disso, nem há nada que valha a pena durante isso. Mas um restaurante, ao meio dia, salta aos olhos. Ou ao estômago.&lt;br /&gt;Antero chega ao boteco onde pretende almoçar rápido e em paz. Encosta o caminhão na rua em frente e entra no bar, já falando com o português, velho conhecido, dono do estabelecimento.&lt;br /&gt;- Aí, manda um picadinho no capricho e uma cerveja bem gelada que o calor hoje tá demais!&lt;br /&gt;Enquanto fala, começa a cair na real. O local está lotado! Pequenas famílias com crianças barulhentas, rapazes e moças com roupas coloridas e festivas, casais com mochilas enormes, uma criatura, cujo sexo não consegue definir, fantasiada de odalisca, muito barulho e o português enlouquecido pra atender a todos.&lt;br /&gt;- Antero, vais ter que esperar. Não contávamos com tanto movimento e não estamos a dar conta.&lt;br /&gt;- Mas o que aconteceu? Este lugar nunca lotou assim!&lt;br /&gt;- A gente chama de “efeito emepê”. Depois da MP que proibiu a venda de bebida nos restaurantes das estradas, os de fora das estradas ficaram lotados, pá! Só esse governo cá de vocês acredita que o brasileiro vai abrir mão da cerveja no Carnaval. Eles acham que brasileiro vai virar suíço por decreto!&lt;br /&gt;Antero, chateado e faminto, encostou no balcão e ficou à espera de uma vaga pra almoçar. Tomando uma cerveja, claro.&lt;br /&gt;Já o Aurélio almoçou tranqüilo com a família. O restaurante, estranhamente, estava vazio. Havia muitas mesas vagas, apesar do movimento de carros lá fora.&lt;br /&gt;Antero, depois de duas garrafas de cerveja de espera, conseguiu almoçar.&lt;br /&gt;Aurélio foi atendido mais depressa, mas os filhos queriam mais coisas no final, doce, sobremesa, e isso retardou um pouco sua saída do restaurante.&lt;br /&gt;Quando Aurélio conseguiu fazer os filhos pararem de comer, a mulher sair do banheiro, colocar todo mundo dentro do carro e retomar a viagem, o Antero também já tinha terminado seu almoço, voltado pela estradinha e estava atingindo a Dutra.&lt;br /&gt;Por um daqueles acasos, Aurélio e Antero, por alguns minutos, ficaram lado a lado na estrada. Antero irritado por causa do reduto dele lotado de turistas sem nenhum respeito pelas tradicionais regras da estrada, Aurélio irritado com aquele bando de gente viajando em clima de Carnaval, uma festa abominável.&lt;br /&gt;Antero e Aurélio estão emparelhados. Aurélio tenta uma ultrapassagem, não falta mais nada, ficar preso atrás de um caminhão poluidor soltando fumaça na cara da família dele, Antero acha um desrespeito aquele domingueiro tentando ganhar dele, afinal “sapo de fora não ultrapassa”, adapta novamente. Aurélio acelera. Antero acelera. Por um segundo, um fica exatamente ao lado do outro. Antero olha pro turista abusado. Não o vê, pois o motorista fica encoberto pela capota do carro. Só vê a mulher do Aurélio balançando a cabeça. Ela está concordando com Aurélio que reclama desses caminhoneiros truculentos que acham que são donos da estrada e que, com certeza, dirigem bêbados o tempo todo. Mas também não vê o motorista do caminhão.&lt;br /&gt;Na verdade, os dois só vão ver um ao outro alguns metros à frente, por causa do acidente. Eles vão acelerando e disputando a primazia no asfalto, mas são obrigados a reduzir. Acabam parando seus veículos. Um ao lado do outro. Os dois descem. Olham para aquele mar de automóveis, ônibus e caminhões parados num enorme congestionamento. Olham um pro outro, primeiro com alguma hostilidade.&lt;br /&gt;- Deve ter sido um acidente provocado por algum caminhoneiro bêbado. – cutucou Aurélio.&lt;br /&gt;- Mais fácil ter sido um domingueiro que não sabe se comportar em estrada. “Quem semeia vento acaba se arrebentando”. – adaptou de novo o Antero, pra devolver.&lt;br /&gt;Depois passaram pra solidariedade. Afinal, entenderam que iam passar muito tempo ali. Um policial rodoviário veio no contra-fluxo, pelo acostamento, para dar acessoria a quem precisasse. Antero e Aurélio ficaram sabendo a causa do congestionamento. Um ônibus, cujo motorista, experiente em estrada e completamente sóbrio, havia perdido a direção, batera em um carro que se desgovernou e entrou na frente de um caminhão que tombou. Ninguém estava gravemente ferido, como dizem os policiais quando se referem a gente machucada, mas a confusão na estrada iria demorar muito a ser desfeita.&lt;br /&gt;Antero voltou pra boléia resmungando contra confusões de Carnaval.&lt;br /&gt;Aurélio voltou pro carro reclamando contra loucuras de Carnaval.&lt;br /&gt;Um pouco mais tarde, Ary sairia do restaurante e iria pra casa. Triste. O sábado de Carnaval não rendera nem um décimo do que renderia. Restaurante vazio o dia inteiro. No caminho, passou pelo boteco fora da estrada, o do português que estava morto de cansaço e feliz com o faturamento.&lt;br /&gt;Aurélio continuou sua vida detestando Carnaval.&lt;br /&gt;Antero continuou sua vida não ligando pro Carnaval, desde que tivesse um carreto.&lt;br /&gt;Ary não tinha mais tempo nem ânimo pra gostar ou não gostar de Carnaval. Medidas Provisórias ocuparam toda a sua capacidade de se preocupar. Elas eram muito mais perigosas para sua renda e o sustento da sua família.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-7213082966583287519?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/7213082966583287519/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=7213082966583287519&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/7213082966583287519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/7213082966583287519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2008/02/lei-seca_02.html' title='LEI SECA'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-2027422956089423230</id><published>2008-01-26T16:28:00.001-08:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.869-08:00</updated><title type='text'>HOMENAGEM TARDIA A UM GRANDE AMOR</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu queria escrever uma coisa bonita pro aniversário de São Paulo. Mas o aniversário passou. E eu não escrevi. Sem idéias. Cabeça vazia.&lt;br /&gt;Às vezes aquele truque, que parece coisa de livro, de sair por aí, sozinho, pensando, conversando consigo mesmo, tomando alguma coisa, resolve. Não resolveu. Andei, passeei, pensei, não veio nada. De repente, passo na porta de um boteco pequeno da Santa Cecília, bem perto do largo e vejo uma dupla caipira tocando lá. Que fique claro. Não era sertaneja, country, ou seja lá o nome que tenha hoje. Era uma dupla caipira mesmo! Dois violões, dois tiozinhos por volta dos cinqüenta anos e algumas músicas próprias. Não estavam trabalhando. Estavam sentados a uma mesa, pagando suas cervejas e cantando como dois rouxinóis, pra quem quisesse ouvir. Não resisti. Entrei e fiquei um pouco.&lt;br /&gt;Enquanto me deliciava com as músicas, olhei em volta. Alguns senhores solitários, uma ou outra mulher de meia idade, um bêbado, daqueles tradicionais, sentado lá no fundo, achando que estava acompanhando a música, mas batucando um samba no balcão enquanto os dois tocavam uma guarânia, e o Alcides!&lt;br /&gt;Não, eu não conhecia ninguém no bar. Nem o Alcides. Passei a conhecer. Vi aquele sujeito sentado num dos bancos do balcão. Olhava pros cantores com olhar perdido. Os olhos vermelhos que deixavam em dúvida: tinha bebido ou chorado demais? Ele olhou pra mim. Me pegou em flagrante na análise. Sorrisinho amarelo, comentário desnecessário:&lt;br /&gt;- Os caras são bons, né?&lt;br /&gt;Foi o suficiente pra ele pegar o copo e se aproximar. Precisava conversar. Eu abri a guarda. Regulamento de botequim... Agora escuta.&lt;br /&gt;Em pouco tempo fiquei sabendo que o Alcides tinha 65 anos. Me deu uma certa raiva. Mais de dez anos mais velho do que eu e, mesmo com os olhos injetados de cerveja e lágrimas, parecia ter, no máximo, a minha idade. Forte, movimentos seguros, pele firme, um rosto simpático, uma voz marcante. Desfiou suas mágoas. Tinha se apaixonado. Naquela idade! Por uma mulher muito mais nova. Trinta e nove anos. Não tinham nada em comum. Ela gostava de música clássica, ele de samba. Ela curtia anos oitenta, ele achava os anos oitenta um nada. Ela tinha milhões de amigos, parceiros de festas, ex-namorados com quem continuava tendo contato, ele gostava de botecos vazios, passeios a dois, vida mais calma. No entanto, como Eduardo e Mônica, os dois gostavam de ficar juntos. Se divertiam muito, adoravam a companhia um do outro, enfim, pelo que disse o Alcides, um romance maluco mas muito bom.&lt;br /&gt;- Mas por que está com essa cara então? E por que está sozinho aqui?&lt;br /&gt;- Porque ela resolveu sair com os amigos! Combinei com ela de sairmos hoje, ela disse até que queria, mas sei que ela achava que eu não ia poder, por causa do meu trabalho. Sou jornalista e tinha que preparar uma matéria grande para hoje à tarde. Trabalhei feito um louco pra terminar a tempo. Terminei até antes da hora. Quis fazer uma surpresa. Liguei pra ela e disse “Pronto, estou livre. O dia inteiro é seu!”. Aí ela me disse que não podia, que estava com gente em casa, que tinha combinado com o pessoal de saírem para comer e beber, que não contava com a minha presença. Um montão de desculpas, cara...&lt;br /&gt;- Chato, né? Mas foi só hoje. Aconteceu...&lt;br /&gt;- Não. Acontece sempre. Toda hora tem uma coisa qualquer. Até pra atender ex-namorado ela já me deixou falando sozinho no meio de um encontro!&lt;br /&gt;- Chato, né? – me repeti, sem argumentos.&lt;br /&gt;Fiquei com pena do Alcides. E de mim. Na minha idade, tenho me achado seguro e garantido contra alguns males que me acometiam na juventude. O Alcides me mostrou que não há idade pra se apaixonar. Não há idade pra sofrer feito bobo por uma mulher que se diverte ao perceber que tem o domínio. Não há idade pra se ser corno. Ou ao menos se sentir corno. E não há idade pra chorar num botequim ao ouvir uma dupla caipira cantando o João de Barro.&lt;br /&gt;Paguei uma cerveja pro Alcides. Era o mínimo que eu podia fazer por ter me dado uma crônica pronta.&lt;br /&gt;Não é sobre o aniversário de São Paulo. Mas é sobre os moradores de São Paulo. Gente que ama, que sofre, que sente raiva, alegria, tristeza, gente pobre, gente rica, gente que, por mais velha que fique, não se furta aos males do amor, seja por uma mulher que beija e engana, seja pela própria cidade que embala e devora. Cidade que se condensa em cada ambiente. Naquele bar estava São Paulo. Mulheres embelezando o local até quando estão só em busca de um preenchimento de um vazio, mesmo as que deixaram muita gente em casa pra ir lá. Homens procurando ou espalhando alegria com violões, com canto ou com a simples presença, mesmo os que deixaram tristezas para ir lá ou os que sabem que vão encontrar problemas na volta. Malucos que, pendurados num balcão ou sentados numa cadeira poderosa, batucam fora do compasso achando que estão agradando. Pessoas do outro lado do balcão, providenciando pra que tudo isso se harmonize num atendimento eficiente. Gente capaz de amar até o fim da vida, mesmo que não tenha motivos pra isso. E, inevitável, alguém prestando atenção em tudo pra registrar, popularmente chamado de fofoqueiro.&lt;br /&gt;Fica aqui minha homenagem, tardia, a esse grande botequim, palco de tantos amores, objeto do meu amor. Obrigado e parabéns, São Paulo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-2027422956089423230?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/2027422956089423230/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=2027422956089423230&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/2027422956089423230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/2027422956089423230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2008/01/homenagem-tardia-um-grande-amor_26.html' title='HOMENAGEM TARDIA A UM GRANDE AMOR'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-4638943666168714109</id><published>2008-01-18T07:26:00.001-08:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.869-08:00</updated><title type='text'>EM NOME DA SEGURANÇA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Pronto! A prefeitura de São Paulo agora, além de querer proibir garupa de motos quer proibir as motos!&lt;br /&gt;Maravilhoso! Soluções fantásticas! Proíbam garupas nas motos pra diminuir assaltos. Proíbam motos nas vias expressas pra diminuir acidentes. Se tirarmos os carros também, a estatística vai cair pra zero!&lt;br /&gt;Depois podemos mandar fechar restaurantes pra diminuir incidência de intoxicações alimentares.&lt;br /&gt;Que tal proibir a circulação de pedestres pelas ruas? Muita gente tropeça, cai, esbarra em outras, escorrega. Há que se evitar esse tipo de acidente.&lt;br /&gt;Cinemas são lugares escuros, há o risco de roubos, isso sem falar nas indecências que podem ocorrer naquele ambiente. Acabemos com os cinemas para garantir a segurança e a moral!&lt;br /&gt;Qualquer um que já andou de bicicleta sabe que, cedo ou tarde, se cai. E são cotovelos feridos, joelhos ralados, às vezes um hematoma no queixo. Essas coisas podem acabar infeccionando e levando à mutilação ou à morte! Bicicletas são perigosíssimas! Que se torne a venda desse risco à segurança de nossas crianças uma coisa ilegal em nossa limpa e organizada cidade!&lt;br /&gt;Uma onda assustadoramente crescente de doenças transmitidas por insetos grassa em nosso país. Em especial aquelas doenças que supostamente podem ser evitadas com vacinas que ficam estocadas sem uso e, portanto, sem que a indústria que a fabrica precise produzir mais e, conseqüentemente, vender mais. Mas só a vacinação não resolve. Sabemos que o povo, essa massa incauta que precisa de líderes que digam como viver, não comparece em massa. Erradicar o mosquito só com inseticidas também não é muito eficaz. O bom é eliminar de vez a possibilidade de procriação. E todo mundo sabe que os grandes culpados da multiplicação dos mosquitos que transmitem a doença que precisa da vacina que é feita pelo pobre laboratório que, de repente, precisa dobrar a produção e as vendas, são os vasos de plantas. Solução paulistana? Que se proíba o cultivo de plantas em geral na área urbana. Pensando bem, não adianta tirar as plantas do miolo da cidade. Estamos cercados por mato! É Serra do Mar de um lado, Serra da Cantareira do outro... Façamos melhor. Que se proíbam plantas onde proliferam insetos perigosos! Erradiquemos as matas!&lt;br /&gt;Os hospitais! Já fizeram uma estatística de quanta gente morre dentro de hospitais nesta cidade? Lugares perigosíssimos! Fechemos!&lt;br /&gt;E votar! Perigoso! Corremos o risco de votar em alguém que não pretenda permanecer no cargo, deixando sabe Deus que tipo de gente no lugar! Em nome da segurança, da moral, da limpeza, talvez devêssemos eliminar esse risco também! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-4638943666168714109?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/4638943666168714109/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=4638943666168714109&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/4638943666168714109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/4638943666168714109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2008/01/em-nome-da-seguranca_18.html' title='EM NOME DA SEGURANÇA'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-460332990391906244</id><published>2008-01-14T16:45:00.000-08:00</published><updated>2011-12-07T06:25:23.921-08:00</updated><title type='text'>O SENHOR E A MOÇA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O Antenor é garçom há trinta anos. Garçom dos bons. Defino: garçom dos bons é aquele que tem a capacidade de ver tudo, perceber tudo, conhecer tudo e todos, analisar tudo, ajudar quando pedirem, calar quando não querem ouvir nada e contar tudo pra todo mundo quando o envolvido vai embora sem que se possa acusá-lo de fofoqueiro. Só não é padre porque prefere trabalhar na noite. O Antenor é dos bons! E ainda por cima atende bem à mesa!&lt;br /&gt;Pois estava eu numa mesa sozinho, lendo a entrevista do Veríssimo na Caros Amigos, quando o Antenor chegou trazendo a cerveja pedida e uma dose de Cinzano com três gotinhas de gim. O gim tira o cheiro, diz o Antenor que é tão bom que além de garçom também é barman.&lt;br /&gt;Quando levantei a cabeça pra sorrir em agradecimento ao Antenor, vi, duas ou três mesas à frente, um casal. Casais pela cidade não são novidade e não chamam a atenção. Aquele chamou a minha, mais por inveja, reconheço, do que por qualquer outra coisa.&lt;br /&gt;Ele, uns cinqüenta anos, o que já o tornou um companheiro, um correligionário. Ela, uns vinte e cinco, no máximo, o que já me tornou um invejoso. Primeiro o despeito tomou conta. Coronel. Tiozinho cheio da grana, lourinha esperta ou encantada com as facilidades, a história de sempre. Não tenho certeza se disse isso em voz alta ou se meu olhar denunciou o pensamento. Só sei que o Antenor resolveu falar.&lt;br /&gt;- Eles vêm sempre aqui.&lt;br /&gt;- O que? Quem? – disfarcei.&lt;br /&gt;- Aquele senhor e aquela moça.&lt;br /&gt;Me senti vingado. Mesmo o Antenor, escolado, vivido, já viu de tudo pelos botecos da cidade, classificava o tiozinho de “senhor” e a gatinha de “a moça”. Bem feito, pensei. Dando pinta por aí com menininha que podia ser filha dele. Não se toca?&lt;br /&gt;O Senhor levou, levemente, a mão até a nuca da Moça. Ela não ofereceu resistência e os dois trocaram um beijo descarado, ali, na frente de todo mundo, um escândalo, uma exibição pública totalmente desnecessária, pensei eu enquanto salivava.&lt;br /&gt;- Toda segunda e toda quinta. – continuou o Antenor, como se nada estivesse acontecendo. – Sentam sempre naquela mesa de canto. Ela come sanduíches e batatinhas e ele toma chope. Depois vão embora, abraçados.&lt;br /&gt;- Coronel, né? – perdi as estribeiras.&lt;br /&gt;- Sabe que não é? – me surpreendeu o Antenor. – Ela gosta mesmo dele. Tem lá uns problemas com isso, já ouvi discussões deles por causa da diferença da idade e por causa da mulher do Senhor. A Moça, às vezes, reclama muito por ele ser casado.&lt;br /&gt;- Casado? O desgraçado, ainda por cima, é casado? E arruma uma gatinha daquelas, pequenininha, bonitinha, olhos verdes, loirinha, com jeitinho de carinhosa...&lt;br /&gt;- Prestou atenção mesmo, né? – cobrou o Antenor. – Ela chama mesmo a atenção. Mas ele é um duro. Não tem muita grana não. Os dois são jornalistas. O Senhor é velho no jornal, a Moça está lá há dois anos. Parece que ela se encantou com o velho mestre. E ele se encantou com a juventude. E com o papo dela. Ela só gosta de coisa antiga, anos sessenta, sei lá o quê. Mas não há interesses não. Os dois estão a fim um do outro mesmo. Todo mundo acha que ela é uma espertinha se aproveitando do tiozinho otário, mas rola uma coisa séria entre aquele Senhor e a Moça.&lt;br /&gt;- Vem cá, Antenor... – eu já estava irritado com a sorte do velhinho. – Se você sabe tanto a respeito dos dois, como é que não sabe os nomes deles? Por que se refere a eles como o Senhor e a Moça?&lt;br /&gt;- Se alguém souber que contei alguma coisa, posso dizer que não era sobre eles. Assim não perco os fregueses. E não perco minha novela. Gosto de assistir à história dos dois.&lt;br /&gt;Antenor... Grande garçom. Escolado. Sabe o que faz. Mas às segundas e às quintas não volto mais lá. Detesto passar raiva enquanto tomo minha cerveja!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-460332990391906244?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/460332990391906244/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=460332990391906244&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/460332990391906244'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/460332990391906244'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2008/01/o-senhor-e-moca.html' title='O SENHOR E A MOÇA'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-8005331035344006128</id><published>2008-01-10T20:50:00.001-08:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.869-08:00</updated><title type='text'>CULTURA AMERICANA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ken Burns. Documentarista americano. Realizou uma série chamada &lt;strong&gt;&lt;em&gt;The War, an Intimate Story&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. Uma série sobre a Segunda Guerra Mundial.&lt;br /&gt;Mais uma série sobre a Segunda Guerra? Pra quê? Qual seria novidade? O que mais há pra se dizer sobre esse assunto? Acho que a única novidade que se poderia dizer sobre isso seria negar alguma coisa que já foi dita e não acredito que alguém tivesse coragem de fazer uma série pra isso e nem que uma TV americana colocasse no ar.&lt;br /&gt;Ao que parece, Burns fez um documentário como se espera, mocinhos aliados contra o eixo do mal, um lado só com gente muito boazinha e bem intencionada o outro só com gente muito malvada, a guerra é uma coisa feia, devíamos evitá-la a menos que seja pra ajudar os pobres povos bárbaros que não conhecem nosso maravilhoso modelo de civilização, os povos não têm culpa do que fazem seus governantes, mesmo quando os povos têm a chance de não reeleger ou não apoiar mais o tal governante e não fazem isso, e tudo o que americanos esperam ver em suas TVs.&lt;br /&gt;O motivo de Burns pra fazer essa série não foi criar polêmica nem reinventar a História. Mas, no fim, a intenção foi trazer novidade. Ao menos para o público alvo: jovens americanos.&lt;br /&gt;Acontece que ele descobriu que QUARENTA POR CENTO dos estudantes de ensino médio dos Estados Unidos acreditavam que o país deles lutou, na Segunda Guerra, contra a União Soviética, AO LADO DOS ALEMÃES!&lt;br /&gt;Há que se notar que não estamos falando de quarenta por cento da população, incluindo jovens miseráveis (Oh! Tem miseráveis lá? Tem sim, mas os jornais deles não adoram ficar ressaltando isso pro mundo a toda hora.) ou delinqüentes que não freqüentam escolas. Estamos falando de quarenta por cento DOS ESTUDANTES DE ENSINO MÉDIO! Quase metade de quem está na escola!&lt;br /&gt;Isso, neles, não me causa espanto. Adoramos nos diminuir e sempre achamos que eles diziam que nossa capital era Buenos Aires por descaso. Eu, por outro lado, sempre tive a impressão de que era por ignorância a respeito de qualquer coisa que não se referisse ao quintal de cada um deles. Sempre achei que assim foi construída toda a força do Império. Fazendo com que o povo acreditasse de verdade que era não o maior mas o ÚNICO com algum grau de importância sobre a Terra. Auto-estima opera milagres. Até tira um país de uma profunda depressão e o coloca no domínio. Tudo começa com a idéia do direito de dominar. Quem é o maior e o melhor tem a obrigação de tomar conta do resto do pobre do mundo e ensinar como é que se vive. Nenhuma novidade e nada espantoso.&lt;br /&gt;O que me espanta somos nós! A quantidade de brasileiros que se mata para ir estudar lá! O quanto se desperdiça em dinheiro e em sonhos acreditando que se está indo aprender alguma coisa num lugar onde se ensina melhor.&lt;br /&gt;Quase metade dos estudantes estão aprendendo fora da escola, pela televisão, na série do Ken Burns, que Estados Unidos e Alemanha eram inimigos na Segunda Guerra! Muitos deles podem ser filhos de brasileiros que estão gastando uma nota pra lhes dar uma cultura que, ao que parece, eles poderiam adquirir aqui mesmo pelo custo de uma assinatura de TV paga.&lt;br /&gt;Com certeza, lá, como aqui, um diretor de uma série para TV é melhor remunerado do que um professor de ensino médio.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-8005331035344006128?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/8005331035344006128/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=8005331035344006128&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/8005331035344006128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/8005331035344006128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2008/01/cultura-americana_10.html' title='CULTURA AMERICANA'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-2074324283920147554</id><published>2007-12-31T12:04:00.001-08:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.869-08:00</updated><title type='text'>OS VOTOS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O fim do ano é a época de fazer votos. Pra gente e pros outros.&lt;br /&gt;Depois que a gente faz quarenta anos, além dos votos, no fim do ano, fazemos uma lista interminável de coisas que já sabemos que não vamos cumprir. Mas é importante ao menos declarar publicamente que são problemas a serem resolvidos. Assim, há mais de dez anos, pela primeira vez, resolvi parar de fumar, beber menos, dormir mais cedo, comer melhor e, claro, fazer exercícios.&lt;br /&gt;Evidente que essas decisões duram poucos dias e vão sendo abandonadas uma a uma até, no máximo, a metade de janeiro. Mas as tentativas, às vezes, deixam seqüelas. Por exemplo, a idéia dos exercícios, na primeira vez, me levou a uma academia. Bati um recorde e fiz um mês inteiro! Na segunda vez que fiz a promessa dos exercícios, já tinha decidido que andar já era um exercício maior do que o que normalmente faço. Sempre fiz muitos percursos a pé na minha vida, eu gosto de andar. Mas sair de casa e andar até um local de trabalho é uma coisa. Fazer uma caminhada, de meia hora que seja, com ritmo marcado, respiração controlada e tudo o que se exige é realmente um exercício. Mas sempre gostei de andar. E esse exercício acabou ficando como parte integrante da vida, mesmo sem as promessas de Ano Novo.&lt;br /&gt;Há mais de dez anos que, ao menos aos domingos, faço uma caminhada dessas. Moro no centro de São Paulo, próximo à praça Marechal Deodoro, um ambiente altamente urbano, cheio de carros, barulhos, fumaça e também cheio de bares, restaurantes, escolas, papelarias, tem até farmácias, prontos-socorros e hospitais pra quem curte. Afinal, é pra isso que se mora em São Paulo, não é?&lt;br /&gt;Meu grande prazer, por mais de dez anos, era sair da minha casa ir até a praça Marechal, usar a rampa de acesso que tem ali e ir pra cima do Minhocão aos domingos. Aquela imensa pista suspensa que, durante a semana, é palco de horríveis congestionamentos e fonte de enormes aborrecimentos para os que vivem à sua margem, aos domingos se tornava um grande parque! Se fosse um domingo de sol, então, era uma maravilha! Atletas de fim-de-semana com suas indisfarçáveis barrigas e o ar compenetrado de quem está iniciando um treinamento que, até o fim do ano, irá, com certeza, colocá-los entre os dez primeiros na São Silvestre. Casais românticos passeando de mãos dadas ao sol. Senhoras e seus cãezinhos. Lindas moças com exíguas blusas e justas bermudas, generosamente enfeitando as tardes. Crianças com suas bicicletas, disputando espaço com ciclistas maiores e com esqueitistas. E os senhores com suas fracas decisões de Ano Novo que, como eu, caminhavam por algum tempo e depois se deixavam preguiçar ao sol comendo alguma coisa, tomando uma cerveja, uma água de coco...&lt;br /&gt;Uma grande parcela da população local se divertindo e aproveitando tudo o que o Minhocão oferecia aos domingos. A segurança da ausência de automóveis só era quebrada de vez em quando por um carro de polícia, mas afinal, polícia é polícia, eles têm que fazer com que cumpram a lei mesmo que para isso tenham que deixar de cumpri-la.&lt;br /&gt;As pessoas subiam tranqüilas sem carregar grandes coisas porque sabiam que se ficassem com fome, havia de cachorro quente a baião de dois para comer lá em cima. Se ficassem com sede, podiam achar água gelada, batidas, refrigerantes, cerveja, água de coco. As crianças e os ciclistas tinham até a facilidade de manutenção imediata, com gente consertando e fazendo reposição de peças de bicicletas. Os que, como eu, gostavam de caminhar sozinhos, aproveitavam as curiosidades do caminho e havia até determinados marcos que eram esperados na jornada. Havia dois enormes anúncios, em placas que ocupavam as laterais inteiras de dois prédios. Curiosamente, as duas eram mais ou menos da mesma coisa. Uma era de calcinhas e a outra de cuecas. Numa havia uma linda moça gigantesca e na outra um rapaz enorme andando. A gente passava e, quase como uma tradição, cumprimentava mentalmente os dois, como velhos amigos que a gente encontra só aos domingos.&lt;br /&gt;Ontem, domingo de muito sol, quase 35 graus em São Paulo, foi o que disse o rádio. Uma camiseta, uma bermuda e direto pro Minhocão.&lt;br /&gt;Meu Deus, que tristeza. Um velho monumento à desolação feito em concreto e asfalto. Alguns meses antes alguém mandara retirar todas as placas, cartazes, luminosos, fachadas chamativas da cidade. E há duas semanas, os vendedores e prestadores de serviços do Minhocão tiveram todas as suas propriedades legalmente confiscadas. É assim que se chama o ato de tomar na marra o que é dos outros quando quem toma está do lado da lei que pode andar de carro no Minhocão aos domingos. Quando cheguei, neste domingo, havia um casal de velhos sentados na mureta. Um evidente candidato da São Silvestre dando uma treinadinha na véspera. Duas ou três moças andando. Um casal com duas crianças começando a descer a rampa. E eu. Nada mais. Sem as músicas das barraquinhas que usavam ritmos diferentes para atrair freguesias diferentes. Na verdade, nem as barraquinhas havia mais. Nada para comer. Nada para beber. Sem água, coca-cola, cerveja, churrasquinho, sem coco! Vou andar um pouco. Ao menos isso. Na primeira curva, onde está a moça enorme de biquíni? Mais uns passos e cadê o grandão de cueca? No lugar deles, paredes nuas de prédios velhos.&lt;br /&gt;Algumas pessoas dizem que a cidade está ficando mais bonita. Não se pode mais fumar nos locais onde a velha boemia se reunia, então os velhos boêmios devem estar se reunindo em casa. Como a geração saúde não freqüenta aquele tipo de ambiente esfumaçado onde se bebe muito e só se come o que não presta, é uma geração mais consciente que sabe que refrigerante de máquina e hambúrguer de minhoca é muito mais saudável, os tradicionais pontos de encontro da cidade estão começando a ficar às moscas. Não há mais luminosos, placas, cartazes, néons, outdoors, não se come nem se bebe barato e com tanta facilidade como sempre foi por aqui, tudo o que caracterizava São Paulo desaparece na velocidade de uma devastação. Pra mim, é como se alguém no Rio de Janeiro decidisse que o Cristo Redentor atrapalha a visão de um pedaço do céu e mandasse demolir!&lt;br /&gt;O Minhocão vazio num domingo de sol! Quem vai se sentar ao sol pra bater um papo sem uma cervejinha? Quem vai sair com crianças pra passear num lugar onde não se consegue um copo de água fresca?&lt;br /&gt;Meus votos pra 2008: que consigamos ter nossa cidade de volta, com espaços e direitos pra todos e não só pros castos amigos de olhos sensíveis de quem a comanda. E que a gente aprenda a lição e coloque no comando pessoas que tenham preocupações mais importantes e não decoradores de mau gosto que acham que prédios velhos e descascados são mais bonitos do que cartazes e luminosos tradicionais.Na verdade, a esperança pra 2008 é de que tenhamos lá alguém que tenha sido escolhido pela maioria de nós. Que nunca mais sejamos acometidos da burrice de escolher alguém que claramente não vai ficar, deixando no lugar alguém que absolutamente ninguém escolheu pra fazer coisas que clamorosamente descontentam a maioria.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-2074324283920147554?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/2074324283920147554/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=2074324283920147554&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/2074324283920147554'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/2074324283920147554'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2007/12/os-votos_31.html' title='OS VOTOS'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-1973236523764799481</id><published>2007-12-23T07:07:00.001-08:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.870-08:00</updated><title type='text'>O ESCRITOR</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Altair Araújo, com esse nome, podia ser duas coisas: escritor ou personagem de história em quadrinhos. Sabe, Bruce Banner, Lois Lane, Reed Richards, Mary Marvel, gente cujos nome e sobrenome começam com a mesma letra. Até o Clark Kent, embora não tenha a mesma grafia, tem o mesmo som.&lt;br /&gt;Como o Altair não tinha super-poderes só lhe restava escrever. E ele escrevia. Começou no segundo grau. Pequenos contos, roteiros para os amigos que desenhavam quadrinhos, um jornal no qual escrevia quase tudo com pseudônimos. Os amigos gostavam do que ele escrevia.&lt;br /&gt;- Você escreve como fala. Parece que a gente está ouvindo você contar a história.&lt;br /&gt;Altair tinha diversos planos na cabeça. Escrever era um deles, mas o mais remoto. O tempo estava passando, Altair já tinha se casado, já tinha um filho, precisava era de emprego e não de sonhos, como dizia a mulher dele.&lt;br /&gt;Teve vários empregos. Alguns muito agradáveis, outros nem tanto. E continuava a escrever. Não pra si mesmo, como alguns alegam fazer. Escrevia para os amigos lerem.&lt;br /&gt;Com o passar dos anos, Altair foi ficando mais velho, mais experiente, mais vivido e, conseqüência natural, foi escrevendo melhor. O que escrevia tinha mais conteúdo e forma mais elaborada.&lt;br /&gt;- Parece que você está sentado do lado da gente batendo um papo!&lt;br /&gt;Vez por outra, apareciam aqueles amigos que pegam carona no talento alheio.&lt;br /&gt;- Li a sua crônica. Você devia ter dito que...&lt;br /&gt;- Você devia escrever uma história sobre...&lt;br /&gt;- Olha aquele cara, seria um ótimo personagem pra...&lt;br /&gt;Caronistas!&lt;br /&gt;Altair ficava intrigado... Por que eles mesmos não escreviam? Altair sabia que desenvolver um tema dava trabalho, mas não achava que era coisa do outro mundo.&lt;br /&gt;- Quando a gente escreve, fica parecendo redação de escola. Quando você escreve, fica parecendo um bate-papo, é bom de ler.&lt;br /&gt;Bom de ler, mas não bom o suficiente para que pagassem por isso. Escreveu crônicas para pequenos jornais de bairro que adoravam o que ele mandava, desde que fosse como colaboração. Escreveu rádio-teatro, onde produtores elogiavam cada história, desde que ele aceitasse um trocadinho como ajuda de custo e assinasse um papel dizendo que a história era deles. Um dia escreveu um livro e mandou publicar às próprias custas. Não vendeu trinta. E os amigos que compraram deixaram bem claro que o estavam fazendo pra “ajudar”.&lt;br /&gt;Altair foi se conformando com a idéia de que poderia ser muita coisa na vida, já tinha sido várias, mas que, apesar do nome predestinado, não iria viver como um escritor.&lt;br /&gt;Parou de pensar na literatura e passou a se concentrar na palavra. Se não podia expor suas idéias e pensamentos ao mundo no papel, poderia fazer isso conversando. Afinal, todos diziam que o grande valor do seu texto era parecer um bate papo. Altair começou a elaborar melhor seus papos. E a expor o que pensava, o que achava, o que queria criticar, o que queria elogiar, passou a conversar mais com amigos e com a família.&lt;br /&gt;E desse momento em diante, as pessoas começaram a se afastar. Ninguém ouvia o que o Altair tinha a dizer. Ao menos não ouviam tudo. Sempre acabavam cortando no meio do papo, mudando de assunto, alguns passaram até a evitar que o papo começasse.&lt;br /&gt;Mas um dos amigos, percebendo a tristeza do Altair, resolveu colaborar e contar pra ele o que acontecia. Altair dava muitas voltas pra contar alguma coisa, pra fazer um comentário, pra emitir uma opinião. Ele fazia um preâmbulo sobre a influência da Igreja na política, tecia comentários sobre teologia, estabelecia correlações entre celibato e pedofilia para, lá no fim, contar que viu um padre tropeçar na rua, dizer um palavrão em alto e bom som, o que fez duas velhinhas que passavam se ajoelharem pra rezar pela alma do santo homem. Um fato curioso se tornava um tratado completo sobre o tema.&lt;br /&gt;Altair ficou pensando no que o amigo dissera por muito tempo. E um dia conseguiu chegar à conclusão que todos à volta dele já haviam chegado fazia tempo... Altair Araújo nunca escreveu como se estivesse batendo um papo. A verdade é que ele batia papo como se estivesse escrevendo um livro!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-1973236523764799481?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/1973236523764799481/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=1973236523764799481&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/1973236523764799481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/1973236523764799481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2007/12/o-escritor_23.html' title='O ESCRITOR'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-4638585926868863075</id><published>2007-12-22T04:13:00.000-08:00</published><updated>2011-12-07T06:25:23.984-08:00</updated><title type='text'>FESTAS!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tá legal... Escrever sobre Natal e Ano Novo de uma vez só. Pra ganhar tempo e espaço.&lt;br /&gt;Como falar de Natal e Ano Novo, idéias que sempre vêm acompanhadas de palavras como FELIZ, PRÓSPERO, e coisas desse tipo em tempos tão bicudos, como se dizia antigamente? Tá bom, MUITO antigamente!&lt;br /&gt;Foi um ano confuso e esclarecedor ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;Políticos do mundo inteiro deixaram claro que o Pelé estava mais certo do que pensava. Votar, realmente, não é uma das habilidades do povo. Não só o do Brasil. Qualquer povo! Alguns eleitos alegaram perigos inomináveis para a Humanidade só pra justificar suas maluquices e desejos de dominação do mundo, como verdadeiros vilões de filmes de espionagem. Outros, talvez menos ridículos, mas não menos perigosos, disputaram cargos, brigaram por posições, criaram e destruíram regulamentos apenas pra mostrar força, atrapalhar os oponentes e deixar claro que não estão nem aí pra nada além de seus sonhos pessoais de poder e a ansiedade de, no fim de cada dia, ir pra sua zeca-hora com bebidas caras e poder dizer “Ganhamos”, independentemente das conseqüências dessa vitória.&lt;br /&gt;A religião que hoje domina todas as outras, a Ciência, nos ameaçou com o poder de seres que não podemos ver e cuja existência deve ser aceita como dogma proferido por homens que vestem roupas ritualísticas, em geral brancas e usam palavras cabalísticas que só iniciados podem compreender. Além de terem uma letra péssima! Nos assustam com criaturas invisíveis, comprovando sua realidade através dos efeitos. Se o efeito acontece, o ser criador do efeito tem que existir. Como fazem todas as outras religiões. E, como fazem todas as outras religiões, nos ameaçam com a danação, doenças horríveis, a decomposição em vida, a morte de forma dolorosa. Outros sacerdotes apregoam o fim do mundo e o inferno por vir, com calor insuportável, as águas inundando toda a terra, o chão a tremer, chamas a envolver, choro e ranger de dentes, arrependei-vos e tomai providências comprando nossos produtos, usando o que dizemos que deve ser usado, agindo como doutrinamos que se deve agir, não fazendo o que dizemos que não deve ser feito, não consumindo o que não prescrevemos, não buscando ajuda ou lições em outro templo que não os nossos, garantí vossa salvação com nosso indulto. Como qualquer outra religião.&lt;br /&gt;O momento nos mostra que paz na terra é um sonho e homens de boa vontade estão cada vez mais raros.&lt;br /&gt;Mas o que seria de nós se não tivéssemos por quê sonhar? E que graça teria se todos os homens fossem de boa vontade?&lt;br /&gt;Então, sonhemos. Com tudo o que quisermos. E depois de sonharmos, vamos sair do berço esplêndido no qual nos deitamos pra isso e vamos fazer alguma coisa na direção do sonho. Assim, quem sabe nossos presentes acabem chegando? Se nos ameaçam com a inexistência do futuro, façamos com que nosso Presente seja o nosso presente. E, se quisermos, vamos poder até atribuir ao Papai Noel. Quem nos impede de qualquer coisa, se somos capazes de sonhar?&lt;br /&gt;Eu, aqui, vou ficar sonhando com um montão de coisas. Desde o meio de pagar meu próximo aluguel até a paz na terra! Sonhar é de graça.&lt;br /&gt;E se muitos sonharem com coisas parecidas, já que dois sonhos iguais é uma coisa impossível, talvez até consigamos uma vidinha mais calma, mais serena, um dia-a-dia sem a preocupação com déspotas malucos, oposições e governos mesquinhos, ameaças de fim do mundo vindas de Nostradamus ou do serviço meteorológico, mesmo que tudo isso continue à nossa volta. A isso eu chamaria de paz interior. Mesmo estando na Terra. E com alguma paz na Terra, talvez alguns homens se sintam com um pouco mais de boa vontade. As coisas poderão andar pra frente com mais serenidade e poderemos dizer com segurança: Feliz Natal e Próspero Ano Novo!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-4638585926868863075?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/4638585926868863075/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=4638585926868863075&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/4638585926868863075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/4638585926868863075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2007/12/festas.html' title='FESTAS!'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-9109896215776461439</id><published>2007-12-21T14:32:00.000-08:00</published><updated>2011-12-07T06:25:24.003-08:00</updated><title type='text'>PNL</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Domingo... Dia de sol. Dez da manhã. O Argemiro acordou, um pouco mais tarde do que o normal. Afinal, domingo é pra isso mesmo. Foi ao banheiro, lavou o rosto, penteou o cabelo e foi pra cozinha. A Marilda estava sentada em uma cadeira, cuidando da panela de pressão que estava sobre o fogão e lendo o livro novo que havia comprado sobre o assunto que a fascinara desde que vira uma matéria com um especialista num programa vespertino: programação neurolingüística. A idéia de se tornar uma nova pessoa, mais firme, mais forte, mais decidida, menos submissa e com opinião abria um mundo com novos horizontes para Marilda.&lt;br /&gt;Só que ser uma nova pessoa dava um trabalhão e requeria uma enorme força de vontade. O processo tinha que ser radical. Ser firme, forte, decidida, aparentemente, significava que toda e qualquer iniciativa que não fosse tomada por ela não podia ser aceita. Significaria submissão. E isso, às vezes, tinha lá suas conseqüências. Se o Argemiro dissesse que seria legal ir para a praia no próximo fim-de-semana, ela imediatamente dizia que queria ficar em casa pra descansar e, talvez, ir ao cinema. Mesmo se estivesse morrendo de vontade de ir para a praia e mesmo detestando cinema. Se a idéia não partisse dela, não podia ser aceita. Só assim romperia com a lavagem cerebral atávica que anos de submissão da mulher impuseram de geração em geração até chegar no cérebro dela. E ela precisava romper com aquela velha mulher pra se tornar uma nova. O único problema é que o Argemiro não só não estava interessado em trocar de mulher, como não tinha a intenção de virar um novo homem. O Argemiro estava contente com a vida que tinham.&lt;br /&gt;- Hoje é domingo!&lt;br /&gt;Marilda levantou a cabeça, olhou para ele e voltou a ler. Argemiro foi até a garrafa térmica, apertou o botão e, de dentro, saiu o café quentinho.&lt;br /&gt;- O café é preto!&lt;br /&gt;Marilda olhou pra ele de lado, estranhando. Argemiro foi até o quintal, tomou uma inspiração profunda e voltou pra dentro.&lt;br /&gt;- Está fazendo sol! – e foi para a sala. Ligou a TV e ficou assistindo enquanto consertava o aspirador de pó que havia quebrado no começo da semana.&lt;br /&gt;O almoço ficou pronto, Marilda avisou, Argemiro fez seu prato, novidade que Marilda havia implantado há alguns dias, dizendo não suportar a idéia de ficar servindo a comida para ele, mesmo que tivesse passado os últimos oito anos fazendo isso com um sorriso nos lábios e não deixando que ele mexesse no fogão porque fazia muita sujeira. Argemiro sentou-se à mesa e, antes da primeira garfada, disse:&lt;br /&gt;- Tem comida no meu prato.&lt;br /&gt;E assim Argemiro passou o domingo. No finalzinho do dia, com o aspirador consertado e a TV no mais alto volume, quando a expressão “Mais do que nunca...” foi dita pela quinta ou sexta vez, Argemiro virou-se pra Marilda, que continuava lendo o livro, e disse:&lt;br /&gt;- Está passando o Faustão.&lt;br /&gt;Marilda pousou o livro na mesinha de centro e olhou para Argemiro com firmeza e determinação.&lt;br /&gt;- Você passou o dia inteiro dizendo coisas óbvias pra mim! Não falou mais nada além do que era evidente! O que está acontecendo?&lt;br /&gt;- É que só assim eu consegui falar alguma coisa inteira com você, sem ser interrompido, sem ser combatido, sem ser retrucado. Foi a única forma que eu achei. Estou com saudade dos nossos papos de antigamente e não consigo mais dizer nada. Assim, pelo menos, eu falei um pouco e matei a saudade.&lt;br /&gt;O tom dele não era de discussão. Havia uma mágoa quase infantil na voz dele e a palavra “saudade” teve um som que, mais tarde, ela classificaria como “honesto”. Marilda lutou muito. Vozes na sua cabeça gritavam para ela não se render a impulsos que a fariam regredir, que a levariam para um caminho onde talvez ela se encontrasse com a velha Marilda. Mas, às vezes, a vontade é mais forte e vence qualquer reprogramação. Um beijo. Mais um. Um abraço mais longo. Dois corpos deitados no sofá. O Faustão falando sozinho, ninguém ouvindo.&lt;br /&gt;Naquela noite, nos intervalos, Argemiro preparou lanchinhos para os dois, Marilda abriu uma garrafa de vinho, comeram e beberam batendo um bom papo, os intervalos acabavam e tudo começava novamente.&lt;br /&gt;Talvez na segunda-feira, depois que o Argemiro fosse trabalhar, ela voltasse a ler o livro. Mas até lá, ele ficaria na mesinha da sala. O domingo não precisava ser reprogramado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-9109896215776461439?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/9109896215776461439/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=9109896215776461439&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/9109896215776461439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/9109896215776461439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2007/12/pnl.html' title='PNL'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-3048988998939203010</id><published>2007-12-21T07:50:00.000-08:00</published><updated>2011-12-07T06:25:24.016-08:00</updated><title type='text'>O CRÍTICO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Todo jornal da cidade tem um crítico. Acho que todo jornal do país. Aquele que não tem o crítico, o jornalzinho bem pequeno de cidade de interior, copia uma crítica de algum lugar. Aparentemente é muito importante haver um crítico. Quem não tem crítico teatral, tem crítico de cinema. Quem não tem um nem outro, tem um crítico literário ou gastronômico. Tem revista semanal que tem até um crítico do país! Não do governo ou da política. É um crítico do povo, que ele julga desagradavelmente pobre e ignorante, das artes em geral que ele julga desnecessárias de tão ruins, da geografia que ele reconhece desconhecer por puro desinteresse neste país cujas cidades, vales, montanhas, rios, lagoas têm o péssimo hábito de ter nomes em português, idiomazinho tão sem charme no qual o obrigam a escrever, ou até (que nojo!) em tupi-guarani!&lt;br /&gt;Seja como for, toda publicação tem um crítico. Às vezes não tem um colunista esportivo ou político. Umas não falam de economia, outras não falam de jardinagem, mas todas têm um crítico.&lt;br /&gt;Aparentemente, mais uma cópia de hábito americano. Afinal, é lá nos esteites que a figura mais importante de uma produção, seja teatral ou cinematográfica, o elemento mais definitivo de uma editora, o sujeito que vale mais do que qualquer cozinheiro ou garçom, é o crítico. Não importa quanto se gaste numa produção, não importa quem esteja nela, não importa quem fez cenários ou músicas, não importam técnicos e câmeras, cardápios ou tema de um livro. Se o crítico não gostar, na estréia, pode esquecer. Seja o que for, vai à falência, e o distinto público simplesmente não vai usufruir, porque o crítico disse que não devia.&lt;br /&gt;Aqui no Brasil, graças a Deus, a crítica não é tão levada a sério. É só um bom assunto pra se conversar na roda de amigos que gostam de posar de intelectuais.&lt;br /&gt;Americanos lêem as críticas primeiro e depois decidem se vão ou não vão assistir à obra. Americanos levam o crítico a sério e ele dita o que deve e o que não deve diverti-los. É como um deus, uma entidade acima do comum dos mortais, com o poder de vida e morte sobre filmes, espetáculos, livros, restaurantes. Mas, felizmente, parece que não é assim por aqui. Aqui, felizmente, parece que as pessoas lêem as críticas para saber o que o crítico pensa e só. Isso não faz com que não assistam ao filme, não leiam o livro, não vão ao teatro ou não jantem no restaurante.&lt;br /&gt;Às vezes, a coisa funciona até de um modo bem típico do Brasil. Encontrei o Alarico...&lt;br /&gt;- Rapaz, leu a crítica do Romão de Montesuma sobre o filme que estreou ontem? Ele desceu o pau! Tô indo já pro cinema.&lt;br /&gt;- Ué... vai ver o filme?&lt;br /&gt;- Claro! Se o Romão desceu o pau, o filme deve ser ótimo! O Romão só elogia filme chato!&lt;br /&gt;No fundo, acho que nossos críticos gostam do nosso jeito. Aquele poder divino e aquela autoridade sobre do que as pessoas devem ou não devem gostar, pra brasileiros, tem cara de censura e isso traz péssimas lembranças. E nossos críticos, mesmo quando não gostam da idéia, são brasileiros!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-3048988998939203010?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/3048988998939203010/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=3048988998939203010&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/3048988998939203010'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/3048988998939203010'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2007/12/o-critico.html' title='O CRÍTICO'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-7049563749541825106</id><published>2007-11-17T10:42:00.001-08:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.870-08:00</updated><title type='text'>DIVIDINDO O SERVIÇO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;- Ué, mas ela não está viva?&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Agenor já tinha visto a Cecília. No trabalho. Mas foi no churrasco de aniversário do doutor Clóvis que eles, mais soltinhos pelo chope, começaram a conversar sobre suas vidas. Ela comendo um contra bem passado, ele devorando uma picanha sangrando, ela do setor de expedição, ele do RH, ambos jurando que o trabalho era temporário. Tinham planos. No fim da festa, ele de carro, ela a pé, sopa no mel. Ela morava sozinha, num apartamento na Lapa de baixo. Sopa no mel.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;- Está viva! Claro que está viva, Agenor.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Cecília já estava de olho no Agenor muito antes. Só não houve chance de aproximação, trabalhavam em setores diferentes, se viam, mas pouco se falavam. Depois do churrasco, da carona e do café da manhã com presunto e ovos (“Como os americanos”, disse ela sorridente.) começaram a visitar o setor um do outro com mais freqüência. Depois, um começou a esperar o outro na saída do trabalho. Quando começaram a chegar juntos de manhã, todas as manhãs, com o cheiro do mesmo sabonete em seus corpos, foram demitidos. O doutor Clóvis não gostava de relacionamentos entre funcionários, como explicou a secretária e amante do doutor Clóvis. Não ligaram. Sempre souberam que aquele emprego era temporário.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;- E a filosofia?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Morarem juntos, além de uma questão sexo-sentimental, era um alívio econômico. Um aluguel só, uma conta de luz, uma conta de telefone. Os dois não ficaram desempregados por muito tempo. Por razões de segurança, cada um foi trabalhar em uma empresa diferente. Por isso e porque foi o que apareceu. Agenor não tinha a menor vontade de chefiar embaladeiras de uma pequena indústria de cosméticos e Cecília não gostou de cuidar da contabilidade da central de uma rede de oficinas mecânicas autorizadas. Talvez se fosse o contrário... Mas eles precisavam de dinheiro. Tinham planos. E foi o que apareceu.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;- Que filosofia, Agenor? Isso é hora de filosofia?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;O tempo é um chato. Faz duas coisas desagradáveis com as pessoas, além de envelhecê-las: torna defeitos evidentes e faz com que elas mudem com ele. Os defeitos do Agenor foram saltando aos olhos da Cecília, junto com as manchas de queimado que o cigarro dele colocaram nos móveis, com a necessidade cada vez maior de ganhar dinheiro pra tentar colocar em prática os planos que tinham, o que fazia Agenor estar a cada mês mais tempo fora de casa. Além disso, ele comia carne mal passada! Cecília podia agüentar tudo, menos aquele sangue pingando na toalha da mesa e na camisa branca do Agenor. Ela só comia carne bem passada, quase torrada, justamente pra evitar aquela sujeira. E foi esse defeito do Agenor que fez com que a Cecília, com o tempo, fosse mudando. Cecília começou a pegar nojo do Agenor. Não sempre. Só quando ele comia carne mal passada. Bastava um bife sangrento no almoço de domingo pra ela não conseguir dar nem um beijo nele até segunda à noite. Mas ela não podia contar que estava com nojo do marido. Gostava dele. Queria viver com ele. Tinham planos.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;- Ser vivo é ser vivo!&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Se pelo menos o Agenor não comesse mais carne na frente dela... Era isso! Se a Cecília não comprasse mais carne, ele não ia poder comê-la mal passada. A carne. Mas como não ter carne? O Agenor adorava bife! Mas o Agenor também adorava a Cecília. A solução era Cecília tornar muito importante não ter carne em casa. Agenor respeitaria se fosse importante para ela. Uma noite, tomou coragem e despejou as palavras. Havia ensaiado por dias e sabia como chegar ao ponto. Era uma crueldade matar os animais para comer. Os animais eram seres vivos e necessários na natureza. Eram como nossos irmãos na vida. A maneira como eram abatidos apenas pro nosso prazer era uma indignidade! Agenor ainda tentou argumentar que gente também era ser vivo e que ele, se não fosse assim tão necessário na natureza, ao menos a parte dele era necessária nas contas da casa, que não era uma questão de prazer e sim de ingestão de proteínas e que, afinal, não estavam falando do gatinho da vizinha ou do poodle da irmã dela. Um bife mal passado, uma boa picanha ou um franguinho assado não criavam exatamente um desequilíbrio ecológico. Cecília, em nome da manutenção da relação, bateu o pé. Não iria mais colaborar com aquela barbárie. Abaixo os comedores de seres vivos!&lt;br /&gt;Cecília conseguiu retomar o romance. Os outros defeitos do Agenor até pareciam inexistentes. Não havia mais bifes sangrentos pingando. Beijos tórridos voltaram a preencher as noites do casal. Só que a criação foi tomando conta da criadora e Cecília, descontroladamente, foi ampliando a área de ação. Não bastava proteger os bois. E as pobres das aves? Criaturas com direito à vida. Nossos irmãos! E a maravilhosa fauna aquática? Peixes, camarões, lulas... Salvem as ostras!&lt;br /&gt;Os sentimentos do Agenor não arrefeciam. Ele amava Cecília. Mas a hora do jantar estava ficando insustentável. A mesa era verde demais pra ele. E o que não era verde era soja! Agenor jantava fora de vez em quando, pra comer um contra-filé, uma picanha, até de um picadinho ele tinha saudade.&lt;br /&gt;Mas um dia, apareceu a barata. Cecília mudara muito, estava espiritualizada, a pele estava linda e Agenor dizia que ainda bem, já que só ela cobria os ossos. Cecília tinha até entrado para uma ONG. Só que lá dentro daquela nova Cecília vivia a velha Cecília. E a velha Cecília tinha pavor de baratas! E a barata apareceu. No meio da sala! Descaradamente, sem a menor cerimônia! Cecília recolheu as pernas pra cima do sofá e começou a tremer. O Agenor, sentado ao lado dela assistindo ao jornal na TV, tinha que fazer alguma coisa. Era uma barata!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;- Não tem comparação, Agenor. Mata essa barata!&lt;br /&gt;- Vamos cuidar do planeta, amor. Do direito à vida. Mas não dá pra cuidar de tudo de uma vez. Então a gente divide o serviço. Você evita a morte de bois, frangos, camarões, peixes. Eu evito a morte de baratas, ratos e aranhas. Vamos manter o equilíbrio do planeta e a dignidade dos nossos irmãos em vida.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;O casal se mudou pra Florianópolis. Foi lá que apareceu a chance de abrir um negócio, como era o plano do Agenor. Então ninguém da turma ainda viu de verdade. Mas dizem que o negócio do Agenor é uma churrascaria e quem cuida da contratação de pessoal, do caixa e da contabilidade é a Cecília. E que na casa deles, hoje, barata que conseguir vencer a dedetização é tratada a golpes de chinelo número 42. Elas que não façam planos!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-7049563749541825106?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/7049563749541825106/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=7049563749541825106&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/7049563749541825106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/7049563749541825106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2007/11/dividindo-o-servico_17.html' title='DIVIDINDO O SERVIÇO'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-2182519918035520363</id><published>2007-11-09T01:39:00.001-08:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.870-08:00</updated><title type='text'>TUCANÊS</title><content type='html'>Devo estar velho mesmo. Tem muita coisa destes nossos tempos que não consigo entender. Uma delas, que chega a me irritar, (e deixaria meu amigo Ascenço bem estressado, diga-se de passagem) é a nova mania de gente comum usando termos técnicos, maneiras de falar que não se usam normalmente, palavras que só são usadas por determinados profissionais.&lt;br /&gt;Não sei qual é a intenção das pessoas, se é dar uma idéia de cultura ampla, se acham que vão ser mais bem compreendidas se forem mais técnicas, só sei que o fato é que acabam complicando o que sempre foi simples e que estava muito bom quando era simples.&lt;br /&gt;Por exemplo, é uma coisa boba, mas já ficou comum o fato de que policiais e gente ligada de alguma forma às leis nunca ENTRAM em lugar nenhum. Eles ADENTRAM. Também ninguém SE MACHUCA. Todos SE FEREM. Já políticos não sabem nem o que é DINHEIRO. Eles só mexem com NUMERÁRIO e, preferencialmente, com RECURSOS.&lt;br /&gt;Que os integrantes de determinado grupo usem essas expressões bobas pra se sentirem diferentes do comum dos mortais, ainda vá lá. Mas agora, o tal do comum dos mortais anda fazendo questão de usar essas expressões, sabe-se lá por quê!&lt;br /&gt;Repórteres de rádio e de TV adoram esse camaleonismo lingüístico. Numa mesma reportagem, o garoto ENTROU na casa em chamas pra pegar alguma coisa e o bombeiro ADENTROU à mesma casa pra retirar o garoto de lá. Numa matéria sobre acidente em estrada, ao entrevistar o motorista, repórteres perguntam sobre as condições do CARRO dele, mas falando com o policial rodoviário, só se faz referência ao VEÍCULO.&lt;br /&gt;Mas hoje em dia, isso já não é mais prerrogativa de repórteres. Todo mundo está falando assim, fazendo questão de usar palavras que não usariam num papo normal e até fazendo questão de expressões que, para o tal do papo normal, não tem significado algum. Nem necessidade.&lt;br /&gt;Nesta semana, uma velha companheira de trabalho faleceu. O que já é outra das nossas bobagens idiomáticas. Estranhos e vilões de filmes MORREM. Parentes e amigos FALECEM.&lt;br /&gt;Até bem pouco tempo, essa informação era tudo de que precisávamos para nossas reações habituais: chorar, pensar na finitude humana, meditar sobre a transitoriedade de todas as coisas do Universo, não ligar, fazer de conta que se importou, sofrer de verdade, correr em casa e dar um beijo na avó se quem morreu foi uma velhinha ou um beijo na filha se quem morreu foi uma criança, enfim, o fato importante era que a pessoa havia morrido.&lt;br /&gt;- Soube quem morreu? A Fulana!&lt;br /&gt;- Nossa! Tinha só 42 anos! Morreu do quê?&lt;br /&gt;- Parece que foi coração.&lt;br /&gt;Era suficiente. Vai ver nem tinha sido coração. Mas não fazia diferença. Ou então...&lt;br /&gt;- Morreu? Quando?&lt;br /&gt;- Ontem.&lt;br /&gt;- Já estava doente há um tempão, né?&lt;br /&gt;- Pois é.&lt;br /&gt;- Pelo menos descansou.&lt;br /&gt;Tristeza acompanhada de uma esperança de alívio, o desejo de que, caso seja com a gente, que não se sofra muito, mas caso se sofra, que o fim represente um descanso. Ou...&lt;br /&gt;- Eu ouvi falar. Morreu mesmo, então?&lt;br /&gt;- Foi.&lt;br /&gt;- Já estava velhinha, né?&lt;br /&gt;- Mais de setenta.&lt;br /&gt;Não que isso seja um bom motivo pra alguém morrer, mas para a maioria das pessoas, nunca foi estranho alguém com mais de setenta anos morrer. Essa sempre foi a idade dos nossos avós e todo mundo sabe que avós são bem velhinhos e, pela ordem natural das coisas, vão primeiro.&lt;br /&gt;O importante sempre foi o verbo: MORREU.&lt;br /&gt;Só que a mania atual das expressões técnicas e da utilização de jargões fez com que a notícia da morte da velha companheira de trabalho fosse divulgada assim: &lt;strong&gt;&lt;em&gt;“Faleceu de falência múltipla dos órgãos, choque cardiogênico e miocardiopatia isquêmica”&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;! E não foi divulgada assim por técnicos no assunto. Foram amigos e colegas que espalharam a notícia e o desnecessário diagnóstico.&lt;br /&gt;Bom, no máximo consigo entender a primeira parte. Depois de passar por diversos velhinhos mortos e depois de ouvir falar, em todos os casos, dessa tal “falência múltipla dos órgãos”, já consegui entender que é a maneira moderna de dizer que a pessoa morreu de velha. Claro, se os órgãos vão parando, um a um, é por uma questão de desgaste, máquina bem usada, as peças vão se estragando. Antigamente se dizia que o sujeito morreu de velho. Hoje é de falência múltipla dos órgãos. Expressão que, honestamente, só substitui a outra e deixa claro o que sempre foi claro, o fato de haver duas coisas que a ciência absolutamente não consegue entender nem explicar: a vida e a morte.&lt;br /&gt;Agora, quanto àquele resto todo, pode ter até um som elegante, mas é puro jargão dos sacerdotes de branco que não faz o menor sentido saindo da boca de uma pessoa comum.&lt;br /&gt;E, afinal, para amigos e inimigos, parentes e desafetos, colegas e concorrentes, que diferença faz todo esse palavrório na informação? O importante é que a pessoa MORREU.&lt;br /&gt;No caso dessa velha companheira, se é pra homenagear os que se vão, aposto como ela acharia uma maluquice toda essa verborragia no comunicado. Morreu porque viveu. Viveu muito, em quantidade e intensidade. Não o suficiente. Nunca é suficiente. Mas viveu.&lt;br /&gt;E mesmo que o nome deste blog seja MUDANDO DE ASSUNTO, preciso deixar registrado, nem que seja pra mim mesmo, um grande beijo de despedida pra Vilma Flintstone, pra Endora, pra Maureen Robinson, pra Uhura, pra dona Clotilde e tantas outras que cabiam numa Helena só.&lt;br /&gt;E que ela mantenha aquele usual bom humor, aquela invariável simplicidade e (por mais paradoxal que pareça) aquela alegria de viver que sempre teve, onde quer que ela esteja agora.&lt;br /&gt;Uma esperança que todos nós gostamos de cultivar. A de que estaremos em algum lugar depois que não estivermos mais neste.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-2182519918035520363?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/2182519918035520363/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=2182519918035520363&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/2182519918035520363'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/2182519918035520363'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2007/11/tucanes_09.html' title='TUCANÊS'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-990958468148140208</id><published>2007-10-31T08:33:00.001-07:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.871-08:00</updated><title type='text'>O DIA ESTÁ LÁ FORA</title><content type='html'>O dia está lá fora e eu estou com ele!&lt;br /&gt;Essa frase vem logo depois da decepcionante “No momento não posso atender”. As duas estão gravadas na secretária eletrônica de um amigo meu. O que vem em seguida é o de sempre, aquela chatice de “depois do sinal, etc...”, que deixa a gente por um ou dois segundos fazendo Hã... É... Ah... pra depois começar como tinha planejado no caso da pessoa em pessoa atender: Oi, tudo bem?&lt;br /&gt;Como se esperássemos uma gravação subseqüente que dissesse: Tudo, e você, cumé que tá, mano véio?&lt;br /&gt;O dia está lá fora e eu estou com ele!&lt;br /&gt;A frase, em princípio, parece até meio frescura literária. Significa, na verdade, que meu amigo está ralando em algum estúdio pra pagar todas as contas que contraiu para ter uma vida compatível com quem rala em estúdios em lugar de ralar em fábricas ou escritórios. Mas, num segundo momento, a frase nos causa inveja. A idéia de estar com o dia que está lá fora é irresistível!&lt;br /&gt;A gente olha pela janela e vê um dia como o de hoje. Um belo sol brilhando sob um céu que, exceto por umas pequenas nuvens, está azul como aprendemos na aula de desenho do jardim de infância que um céu deve ser. Ou quase tão azul. Afinal, estamos em São Paulo, uma das poucas cidades do mundo onde se vê o ar que se respira e um filó cinza embota um pouco o azul de lápis de cor.&lt;br /&gt;Mas o que importa é que o dia está com aquela cara de quem diz “Vem! Vem ficar comigo!”.&lt;br /&gt;Nesse momento eu percebo que estou sentado em um quarto, numa enorme e confortável cadeira que meu subconsciente me convenceu a comprar, alertando que eu iria passar mais tempo nela do que em qualquer outro lugar do planeta e que era bom que ela me acolhesse como um colinho de mamãe, único tipo de colinho em que macho que é macho se permite se sentar. Percebo que estou sentado ali, que estou em frente ao computador, que estive trabalhando naquele lugar e na mesma posição nos últimos três ou quatro dias, saindo dali apenas para ir ao banheiro ou para ir me deitar.&lt;br /&gt;O dia está lá fora e eu não estou com ele!&lt;br /&gt;A janela está aberta, o calor entra por ela quase como uma enorme mão que quer me puxar pra fora. Adoro calor. Sou fascinado pelo sol. Acho que sou o único habitante de lugar civilizado com acesso a informações que conheço que não está em pânico com os novos arautos do apocalipse alertando a Humanidade desavisada da catástrofe do aquecimento global. Por enquanto, contanto que esse negócio reduza os períodos de inverno, pra mim está tudo bem.&lt;br /&gt;Mas o calor é bom na praia, dizem os que têm tempo pra ir à praia ou os que têm praia na porta de casa pra fazer inveja aos que estão a quilômetros do mar. Eu digo que o calor é bom porque não está frio. Já é suficiente. Se não posso ir à praia, que pelo menos eu não tenha que vestir uma camiseta por baixo da camisa e uma blusa de lã por cima, que eu não tenha que andar de luvas e cachecol. E, criado ao sol desde pequeno, exposto a ele desde a mais tenra idade e dono de uma pele com cinqüenta e três anos de uso que ainda está firme e forte, não consigo engolir como verdade as ameaças que os sacerdotes do século XXI atribuem ao velho astro rei.&lt;br /&gt;O dia está lá fora e eu queria estar com ele!&lt;br /&gt;Meu amigo está. Mesmo que esteja dentro de um estúdio gelado, cercado pelo ar condicionado e as neuroses de um trabalho que era pra ser divertido e virou emprego rotineiro. Antes de entrar lá, ele viu o dia. Esteve com ele! Inveja...&lt;br /&gt;Mas, afinal, por que eu estou aqui na velha cadeira e não com o dia que está lá fora? Hábito? Preguiça? Desânimo? Seja pelo que for, não é por necessidade. Não estou trabalhando. Não tenho nada a fazer hoje. Tudo o que eu tinha pra realizar, pra cumprir, pra preparar ou pra entregar está feito.&lt;br /&gt;Então, por que estou aqui? Por que não estou com o dia lá fora?&lt;br /&gt;Tenho amigos que posso visitar, negócios novos que posso propor, tenho todas as ruas, bares, casas, restaurantes, calçadas, museus, parques, tudo o que essa enorme cidade pode oferecer à minha disposição. Tenho até os velhos lugares próximos e cômodos para ir. Então por que estou aqui, me roendo de inveja da secretária eletrônica do meu amigo?&lt;br /&gt;Pensei por alguns instantes antes de continuar a escrever e não achei uma boa resposta pra pergunta. Então, que seja. Chega de elucubrações e teorias. Vou postar isto aqui, me levantar e trair minha cadeira.&lt;br /&gt;O dia está lá fora... e o mínimo que eu posso fazer é estar com ele!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-990958468148140208?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/990958468148140208/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=990958468148140208&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/990958468148140208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/990958468148140208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2007/10/o-dia-esta-la-fora_31.html' title='O DIA ESTÁ LÁ FORA'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-4005008003193779954</id><published>2007-10-22T09:10:00.001-07:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.871-08:00</updated><title type='text'>CTRL+Z</title><content type='html'>Não interessa como foi que aconteceu. Se eu tentasse explicar em detalhes, com todas as minúcias ligadas à informática, ao esoterismo e à física quântica, esse relato iria se transformar num tratado bem chato e numa prova irrefutável de que não sou tão bom assim com informática, não sou lá muito esotérico, não sei nem o que é física quântica e não tenho a menor idéia de como foi que aconteceu.&lt;br /&gt;Como diria Chicó, não sei, só sei que foi assim.&lt;br /&gt;Um belo dia, Abelardo acordou e descobriu o CTRL+Z. Bela porcaria, diria o amável leitor, em especial porque está lendo isso numa tela de computador e, sem dúvida, conhece o CTRL+Z há décadas! A combinação de teclas que desfaz a última ação realizada na máquina. Mas Abelardo descobriu que o teclado dele fazia isso com a vida!&lt;br /&gt;Ele estava digitando um relatório, trabalho levado pra casa pra ocupar o tempo e não ficar pensando na Marisa. O gato estava deitado numa cadeira próxima. De repente, sem aviso, o gato pulou da cadeira para o colo do Abelardo. Com isso, ele digitou umas três letras erradas. Imediatamente, pressionou CTRL+Z. As letras erradas desapareceram da tela e o gato desapareceu do colo dele! Assustou-se, estranhou, olhou para a cadeira e lá estava o gato. Abelardo não entendeu, mas desconfiou. Desistiu da desconfiança, que negócio maluco, afinal, a vida não é um episódio de Além da Imaginação. Mas Abelardo estava sozinho. A Marisa não estava. Fazia três meses que não estava. Nem estaria mais. No apartamento, primeiro andar de frente pra rua, só Abelardo e o gato. Abelardo parou o trabalho, levantou-se, andou um pouco, olhou pela janela, viu um cachorro de rua fazendo cocô perto do poste enquanto acendia um cigarro. O Abelardo, não o cachorro. Abelardo não se conteve, voltou para o teclado e digitou CTRL+Z. Maluquice? Mas ninguém ia saber mesmo.&lt;br /&gt;Abelardo chegou a ficar zonzo. Não havia mais um cigarro na mão dele. Olhou para o poste pela janela e não havia cocô ali!&lt;br /&gt;Era muita loucura! O comando do teclado fazia exatamente o que devia: desfazia a última ação. Só que fazia isso fisicamente, no mundo real e não só na tela. Tudo o que fosse feito imediatamente antes do CTRL+Z era desfeito.&lt;br /&gt;Abelardo, a princípio, ficou sem saber como usar o que tinha nas mãos. Fez só molecagens. Quebrou um copo. CTRL+Z. Lá estava o copo inteiro no armário. Rasgou um documento importante que havia levado pra casa. CTRL+Z. Lá estava o documento dentro da pasta, intacto. Exagerou: esmagou a cabeça do gato com uma estatueta de madeira, presente de aniversário que tinha recebido da Marisa no ano passado. CTRL+Z. Lá estava o gato, dormindo na cadeira.&lt;br /&gt;Também não sei direito o que se passou pela cabeça do Abelardo. Aliás, não sei nem por que estou contando uma história sobre a qual sei tão pouco. Só sei que o Abelardo achou que, de alguma forma, aquilo podia ajudá-lo a recuperar a Marisa.&lt;br /&gt;Um ano e meio de convivência. Tinha conhecido a moça numa festa na casa do amigo Wanderson. Ela estava com uma turma da academia, a Luzia, instrutora de aeróbica, o Osvaldo que fazia musculação, o Alex, cuja vocação era o balé, mas o pai insistia em pagar aulas de boxe pra ele. O Wanderson tinha acabado de se matricular na academia porque todo mundo que pára de fumar acha que tem que fazer exercício. Aquela era a nova turma de amigos dele. Dois meses depois, o Wanderson tinha voltado a fumar e parado com a academia. Mas Abelardo e Marisa já tinham trocado telefones, já tinham saído umas duas vezes como amigos, já tinham se beijado e se amassado no cinema e perdido metade do filme, já tinham transado pela primeira vez quando Marisa foi ao apartamento dele e a chuva não deixou que ela fosse embora, já estavam morando juntos e vivendo, Abelardo acreditou, felizes para sempre.&lt;br /&gt;Abelardo pensou primeiro em dar CTRL+Z milhares de vezes, fazendo tudo voltar ao que era três meses atrás, antes de Marisa simplesmente ir embora, depois de um ano e meio de “felizes para sempre”. Não deu grandes explicações. Só disse “Descurti” e saiu. Abelardo achou que ela voltaria no dia seguinte. Não voltou. Nem na semana seguinte. Ele telefonou muitas vezes. Só pra ouvir muitas vezes “Descurti”. Fazia um mês que ele tinha desistido de ligar. Fazia um mês que só trabalhava, dia e noite, pra tentar não pensar na Marisa. Fazia um mês que ele trabalhava dia e noite só pensando na Marisa.&lt;br /&gt;Telefonou. Ela atendeu de má vontade. Ele disse que tinha uma coisa fantástica pra mostrar pra ela. Marisa relutou. Ele insistiu. Marisa desligou. Ele ia ligar de novo, mas agora tinha uma arma poderosa. Sem desligar o telefone correu para o teclado. CTRL+Z. Marisa ainda não havia desligado. Ele inventou um assunto interessante para mantê-la na linha. Ela desligou de novo. CTRL+Z. Lá estava ela na linha. Depois de muito CTRL+Z, Abelardo conseguiu convencer Marisa a dar uma passada na apartamento pra conversar. Ela disse que não iria sozinha. A Marcela vem junto, pensou Abelardo. Toda vez que Marisa tinha alguma coisa importante pra resolver, levava a irmã pra ajudar na decisão. Isso deixou Abelardo esperançoso. Se a Marcela ia, era porque ainda havia alguma decisão a ser tomada.&lt;br /&gt;Tomou um banho apressado, vestiu uma roupa limpa e abriu uma garrafa de vinho. Ouviu o barulho de um carro parando. Uma beleza morar no primeiro andar, de frente pra rua, pensou ele. Correu para a janela e viu a Marisa já fora do carro. A porta da esquerda estava se fechando. A Marcela não vai subir, pensou Abelardo. Tanto melhor. Feliz ao ver a Marisa atravessando a rua em direção ao seu prédio, Abelardo não se conteve. Acenou da janela e gritou: Marisa!&lt;br /&gt;Marisa parou no meio da rua, olhou pra cima e, por um instante, se distraiu. Tempo suficiente para um ônibus apanhá-la em cheio e atirá-la a uns dez metros de distância, rolando pelo chão, se esvaindo em sangue e imediatamente sem vida!&lt;br /&gt;Abelardo enlouqueceu! Não! Marisa! Não pode ser! Mas sabia o que tinha que fazer. Sem olhar de novo pra rua, correu para o teclado. CTRL+Z.&lt;br /&gt;O carro estava parando. Mas, desta vez, Abelardo estava na janela. Sem aparecer. Apenas olhando pelo canto. Não queria distrair a Marisa. Não queria que ela parasse no meio da rua. A porta direita do carro se abriu. Mas em seguida, a esquerda também. De um lado, desceu a Marisa. Do outro lado, desceu o Osvaldo! O musculoso da academia! Ele abraçou a Marisa pela cintura. Trocaram um beijo que quase matou o Abelardo. Osvaldo perguntou: Quer que eu vá com você? Marisa disse: Não precisa. Eu me livro dele rapidinho. Só vim mesmo porque quero pegar o gato de volta.&lt;br /&gt;Primeiro andar. De frente pra rua. Se ouve tudo!&lt;br /&gt;A dor, o despeito, a raiva não cegaram Abelardo o suficiente. Ele ainda conseguiu ver a Marisa atravessar a rua e dar uma corridinha, conseguiu ver o ônibus passar por trás dela, conseguiu ver a Marisa atingir a calçada do outro lado e se encaminhar para a porta.&lt;br /&gt;Nas sessões de análise, o Abelardo diz que não sabe por que fez aquilo. Diz que normalmente ele não é assim. O analista tenta convencê-lo de que aquilo não aconteceu, que ele só está em choque pela perda. Mas Abelardo sabe que antes que a Marisa atingisse a porta do prédio, ele correu para o teclado. CTRL+Z. Voltou para a janela. Quando o Osvaldo entrou de volta no carro, fechou a porta e a Marisa começou a atravessar a rua, Abelardo acenou e gritou: Marisa!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-4005008003193779954?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/4005008003193779954/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=4005008003193779954&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/4005008003193779954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/4005008003193779954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2007/10/ctrlz_22.html' title='CTRL+Z'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-850806256286579205</id><published>2007-10-18T14:10:00.001-07:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.871-08:00</updated><title type='text'>ALEVINO</title><content type='html'>- Nome?&lt;br /&gt;- Alevino...&lt;br /&gt;Empurrão contra a parede da padaria fechada.&lt;br /&gt;- Nome inteiro, rapaz!&lt;br /&gt;- Alevino de Oliveira&lt;br /&gt;Tapa na cabeça.&lt;br /&gt;- É malaco, né? Inventando nome. Dá o documento!&lt;br /&gt;Do bolso de trás, sai uma carteira. Meio gasta, uma carteira já bem usada que o irmão mais velho tinha dado de presente de Natal pra ele em 2003, quando fez quinze anos. De dentro da carteira, o documento de identidade.&lt;br /&gt;- Aí, Gonçalves! O cara chama Alevino mesmo.&lt;br /&gt;- Isso lá é nome de gente?&lt;br /&gt;Mão na parede, abre as pernas, revista geral.&lt;br /&gt;- Cadê a maconha?&lt;br /&gt;- Não uso não senhor.&lt;br /&gt;Tapa na cara.&lt;br /&gt;- Não mente pra mim, safado. Cadê a maconha?&lt;br /&gt;- Já falei que não uso!&lt;br /&gt;Alevino, na hora, não soube dizer se foi a ousadia de começar uma resposta com “já falei”, se foi o tom quase valente que normalmente é usado por quem está repetindo a verdade, ou se foi simplesmente porque eles estavam com vontade de se divertir. Mas logo depois da resposta, outro tapa. Outro empurrão contra a parede. Bateu com o rosto. Ficou de costas. Sentiu o metal encostando com força nos seus pulsos e se fechando até marcar a pele. Dor.&lt;br /&gt;- Vamos averiguar se não usa mesmo, ô Jafalei!&lt;br /&gt;Pelo menos isso ficou esclarecido. Foi o começo da frase.&lt;br /&gt;Empurrado pra traseira do carro. Porta fechada, detido o indivíduo que, embora sem drogas e desarmado, tinha uma aparência de alta periculosidade. Afinal, teve a ousadia de cometer a transgressão de estar numa rua movimentada, quase à uma da madrugada de um sábado, cheirando a cerveja. Mas antes de fechar a porta, era preciso garantir que ele não conseguisse fugir, já que a porta de um carro trancada e algemas não seriam nada para um meliante capaz de começar frases dirigidas a gente importante com “Já falei”.&lt;br /&gt;- Ô, Jafalei, deita aí.&lt;br /&gt;Calças retiradas. Agora sim, o Jafalei estava seguro. Trancado, algemado e de cueca.&lt;br /&gt;Assim ele chegou ao prédio branco. Assim ele foi colocado em um banco no corredor. Assim todos que passavam o viam. E riam. E ameaçavam.&lt;br /&gt;- Chi, esse não sai tão cedo.&lt;br /&gt;- Aí, ô Jafalei, vai contar onde compra o bagulho que você dispensou na boa ou vai ter que passar pelo tratamento?&lt;br /&gt;- É melhor guardar ele junto com o Manivela. O negão vai gostar dessas perninhas brancas.&lt;br /&gt;Minutos... Pareciam horas. Horas... Pareciam anos.&lt;br /&gt;Frio. O corredor era muito frio. Ele perguntou se podia ter as calças de volta. Ganhou um sorriso simpático e um cascudo na cabeça pra deixar de ser folgado.&lt;br /&gt;Por um vitrô, percebeu que estava amanhecendo. Ainda conseguiu se lembrar de que o horário era de verão e calculou que deviam ser umas seis e meia. Exausto, com frio, se encolheu como pôde no banco de cimento e pegou no sono. Por menos de dez minutos. Um pano molhado jogado na cara fez com que se lembrasse de onde estava e que ali ele podia até ter o direito de ficar calado mas jamais pensar em ter o direito de ficar confortável.&lt;br /&gt;- Não pegou nada, Jafalei. Dessa vez você vai pra casa.&lt;br /&gt;Se levantou meio sonado, esfregou os olhos e, ao fazer isso, percebeu que tinham tirado as algemas dele enquanto cochilava. O que mais teriam feito? O pano molhado que ele recebeu no rosto estava caído em seu colo. Pensou que, não fosse por estar tão molhado e imundo, aquele pano se parecia muito com suas calças.&lt;br /&gt;- A gente precisou enxugar o chão lá dentro e não tinha outro pano perto. Tudo bem, né?&lt;br /&gt;- Tudo bem.&lt;br /&gt;Enquanto murmurava a resposta, Alevino começou a vestir as calças. Molhadas. Geladas.&lt;br /&gt;- É que um maluco se mijou todo e a gente não podia deixar o chão daquele jeito, né?&lt;br /&gt;Alevino, cujo nome o pai tinha escolhido de uma embalagem de comida pra peixes, ia dizendo “Já falei que tudo bem”. Mas achou melhor vestir logo as calças e sair dali.&lt;br /&gt;Quando alcançou a calçada, do lado de fora, sentia revolta, humilhação, nojo das calças, mas acima de qualquer coisa, sentia vida! Toda vez que aquilo acontecia com ele, achava que seria a última. Achava que não ia sair vivo de lá. Já tinha entendido que enquanto não fizesse uns vinte e cinco anos, iria passar por aquilo muitas vezes. Ele e vários amigos dele já eram fregueses. Não andavam armados, não tinham amigos perigosos, não trabalhavam pra gente da pesada, não ofereciam nenhum tipo de ameaça, exceto, talvez, uma resposta malcriada que prontamente seria usada para uma acusação de desacato. Eram um prato cheio.&lt;br /&gt;A juventude é uma benção! Na noite do mesmo dia, Alevino já não guardava mais nenhuma das sensações da madrugada anterior, já tinha contado o ocorrido pra todos os amigos, já tinha tomado um banho, trocado de roupa, já tinha até bebido outra cerveja no bar perto da casa dele. Mas uma só. Ele queria voltar logo pra casa. Tinha combinado com uns amigos que iriam assistir juntos ao DVD que o irmão tinha trazido. Filme de ação. Filme de macho. No final, como em todo filme, os mocinhos prendiam os bandidos depois de trocar alguns tiros e bater muito neles. Mas só nos bandidos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-850806256286579205?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/850806256286579205/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=850806256286579205&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/850806256286579205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/850806256286579205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2007/10/alevino_18.html' title='ALEVINO'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-781991181903196599</id><published>2007-10-15T05:52:00.001-07:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.871-08:00</updated><title type='text'>O MICÃO</title><content type='html'>- Truco!&lt;br /&gt;- Seis, ladrão!&lt;br /&gt;E a tarde corria solta na cidadezinha. Uns jogando cartas, outros batendo papo num canto, alguns paparicando o Velho que completava oitenta anos. Apenas um par de mãos não segurava um copo de cerveja: o da filha mais velha, correndo de um lado pra outro, providenciando copos, trazendo mais carne pro churrasco, um olho na casa e nos convidados, outro no bem estar do Velho.&lt;br /&gt;O Velho não tinha vivido sempre naquela cidadezinha, mas já estava ali há tempo suficiente pra ser considerado como um “amigo de infância” por todos. Dois de seus filhos e um neto já adulto tinham nascido ali.&lt;br /&gt;No dia do aniversário do Velho, a filha chamou a turma toda pra comemorar. E foram todos os amigos, os companheiros de pescarias, viagens e botequim. Dos cinco filhos do Velho, três estavam presentes. Um até tinha ido de São Paulo só pra isso! O Velho estava velho, estava alquebrado, meio doentinho, se cansava à toa, mas estava feliz “feito pinto no lixo”.&lt;br /&gt;Todo mundo de copo na mão, a cerveja providenciada pela filha evangélica com a resignação de quem já concluiu que o máximo que cada um pode salvar é a própria alma.&lt;br /&gt;Depois de muito papo, muita piada, carne, lingüiça, coxinha de frango, depois que mais da metade da cerveja se foi e que a gritaria do jogo de cartas cessou, o Velho foi se deitar um pouco pra descansar da animação e das emoções, incluindo o choro habitual do "cumpade" Carneiro, a simpatia permanente do radialista local Oscar Parente, “o seu comunicador, levando amizade e boa música pro aconchego do seu lar”, as piadas contínuas do Cleidinaldo que o tempo e a pronúncia interiorana foram transformando em Dinardo para virar simplesmente Nardo e o discurso aberto, largo e em voz sempre bem alta do quarto filho, Carlão.&lt;br /&gt;Carlão já tinha sido Carlinho, mas isso foi há muito tempo. Quando ele infernizava a população da pequena cidade com suas peraltices de criança e suas safadezas de adolescente. Quando ele corria do velho sargento Pereira, nas madrugadas, depois de aprontar brigas no bar do Décio ou na única casa noturna da cidade, o Hollywoode Naite, escrito dessa forma mesmo na porta, no começo com tinta fosforescente mas hoje com néon para orgulho do seu proprietário. Com quase quarenta anos, Carlinho já tinha virado Carlão, um homem sério, trabalhador, respeitado por todos na cidade e até amigo do antigo sargento Pereira, hoje capitão aposentado.&lt;br /&gt;Mas havia muito mais gente naquele quintal. Quando os amigos souberam que o Velho fazia oitenta anos e que a filha tinha preparado uma festinha, todos foram e levaram outros amigos. Foi isso que ocasionou o desastre. Isso e o Nardo. Todos concordam que quem começou a fazer piada de corno foi ele. Daí para as histórias de cornos do passado foi um pulo. “In vino veritas”, é o que se diz, mas na cerveja, além da verdade moram também o exagero e o exibicionismo. E Carlão sempre foi um grande bebedor de cerveja.&lt;br /&gt;O filho número quatro do Velho não se contentou em contar a sua história de corno como todos os outros estavam fazendo. Afinal, ele tinha a cidade na palma da mão, nascera ali, crescera ali, não estava na faixa etária dos amigos do pai mas tinha coisas a contar aos mais jovens que estavam em volta. Para avalizar o seu “causo”, ele precisava apoiá-lo em nomes, datas e locais. E começou a contar a história do Rogério e sua esposa Clarice, ele com trinta e dois, ela com vinte e oito anos. Contou como a cidade inteira sabia que Clarice “costurava pra fora”, “jogava água fora da bacia”, “era caridosa” e outros supostos eufemismos para o fato de que ela plantava um belíssimo par de chifres na testa do pobre Rogério sempre que tinha oportunidade. Contou tudo o que o Paulo Roberto, amigo do casal, fazia com Clarice. Nardo se divertia com a riqueza dos detalhes com que Carlão contava sua história. O Carneiro chegou a chorar de tanto rir. Os rapazes da turma, os jovens a quem Carlão se sentia na obrigação de orientar, urravam e aplaudiam a cada imitação, cada gesto exagerado que Carlão usava para ilustrar o que Paulo Roberto fazia com Clarice apoiada na churrasqueira, numa parede isolada de uma festa, no interior da própria casa quando o marido saía pra ir comprar alguma coisa. Todos se divertiam muito com a história, adoravam o fato de ser real, de ter acontecido com alguém que todos conheciam e, principalmente, por não ter acontecido com cada um deles. Todos estavam felizes. Menos o Oscar, “a voz de ouro da região”. Esse se remexia, acenava levemente, até que uma hora não agüentou, se levantou, passou pelo Carlão e o levou pelo braço pra cozinha.&lt;br /&gt;Quando Carlão voltou, estava lívido. Parecia ter sido atropelado por um caminhão.&lt;br /&gt;- Vocês ficam rindo aí e ninguém me diz nada?&lt;br /&gt;- Uai... Dizer o que? – perguntou o Nardo.&lt;br /&gt;- Aquele “véio"que levantou dali de trás e foi embora agora a pouco! Era o pai da Clarice! Ninguém me avisa que o “hóme” estava aí!&lt;br /&gt;Ainda não se sabe se o ultrajado pai cortou relações com a família do Velho, se foi pra casa e deu uma surra na filha por expor a própria família numa cidade tão pequena ou se foi embalar o genro com piedade no coração. O que se sabe é que o Carlão viajou no dia seguinte bem cedo avisando a irmã evangélica que talvez só voltasse dali a uns três meses, quando outra história qualquer já tivesse ocupado o lugar da mancada dele no folclore dos fofoqueiros de botequim.&lt;br /&gt;E o Velho, que estava dormindo, nem ficou sabendo do ocorrido. Os bons amigos, piedosamente, evitam comentar na frente dele. São amigos de verdade. Quase “de infância”!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-781991181903196599?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/781991181903196599/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=781991181903196599&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/781991181903196599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/781991181903196599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2007/10/o-micao_15.html' title='O MICÃO'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-8108743112452807797</id><published>2007-10-12T06:33:00.001-07:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.871-08:00</updated><title type='text'>ANA VITÓRIA</title><content type='html'>Ana Vitória odiava o próprio corpo.&lt;br /&gt;Não como as outras mulheres, que odeiam o próprio corpo porque ele não é do jeito que elas queriam que fosse. Quase toda mulher acredita que é a alma de uma deusa da perfeição encarnada, por castigo, em um corpo ruivo quando o certo era ela ser morena, baixo quando o certo era ela ser jogadora de basquete, num corpo gordo demais, num corpo magro demais, num corpo fraco, musculoso, flácido, estrábico, peludo demais, com seios pequenos, com seios grandes, com pés esquisitos, nariz assim, queixo assado, unhas sei-lá-o-quê, enfim, se um dia surgir uma mulher plenamente satisfeita consigo mesma, Deus irá, finalmente, suspirar aliviado e dar a Criação por concluída.&lt;br /&gt;Mas Ana Vitória não odiava o corpo por nada disso. Desde muito criança tinha aprendido que os destaques são perniciosos. Muito pequena já recebia da mãe um treinamento diário e severo para o desaparecimento. Não se destacar, não aparecer, não brilhar, não ser notada. Essa era a virtude maior de um ser humano. Nunca parecer mais do que os outros para não dar a impressão de querer humilhar os menos dotados pela vida.&lt;br /&gt;Assim cresceu Ana Vitória. Sem sofrimento. Afinal, aquela maneira de viver, sempre transparente nos ambientes em que estava, além de ser a coisa correta e decente a fazer, lhe proporcionava uma certa diversão que outras mulheres raramente cultivavam. Enquanto todas estavam, escandalosamente, aparecendo, com suas roupas ousadas, seu riso alto, com atitudes que atraiam olhares, principalmente de rapazes, Ana Vitória observava. Nunca estava com roupas que chamassem a atenção, nunca falava em voz alta, nunca fazia grandes movimentos. As pessoas nem notavam que ela estava lá, nem mesmo as que a levaram lá. Com isso, ela observava a todos como se fosse invisível. Ninguém se preocupava com o que dizia nem com o que fazia na frente dela. E assim Ana Vitória passou a vida. Adquirindo informações sobre tudo e sobre todos e acrescentando mais aversão ao destaque a cada observação. Gente que se destacava era ridícula, era escandalosa, era fútil, era digna de observação silenciosa e recriminações posteriores.&lt;br /&gt;Enquanto crescia e amadurecia, Ana Vitória percebeu que a maneira mais fácil de não se destacar era fazer as coisas certas. Aos olhos dela só saltavam as atitudes erradas ou, ao menos, moralmente reprováveis. Ninguém presta atenção em quem atravessa na faixa de pedestre com o farol fechado para os carros. Mas basta uma pessoa atravessar correndo fora da faixa, com os carros em movimento, e todos os olhares se voltam pra ela. Jamais apareceu no jornal o nome dos milhões de pessoas que pagam seus impostos em dia sem ao menos se queixar. Mas um bom sonegador sai na primeira página. Por isso, Ana Vitória desenvolveu uma fixação pela coisa certa. Fosse o que fosse. Bastava ser um regulamento, ele devia ser seguido. Ou, pelo menos não discutido.&lt;br /&gt;Com a maturidade, internamente, ela foi percebendo que ninguém sobre a face da Terra consegue se manter vivo seguindo todos os regulamentos e fazendo só o que se diz que é o certo. Mas quando ela transgredia alguma regra, tinha desenvolvido uma técnica pra que isso parecesse um acaso, um acidente. Um acidente bem pequeno. Tão pequeno que nem era notado. Perfeito.&lt;br /&gt;Mas uma coisa escapou do estilo perfeito e sem destaques construído por Ana Vitória. Os homens. Ela não contou com um regulamento básico, natural, milenar: homens gostam de mulheres. Ponto. Para ela, o regulamento era, quando muito, “namorados gostam de namoradas”. Se bem que o correto mesmo seria “maridos gostam de esposas”. Não levou em conta o regulamento anterior e superior que diz que antes de namorar ou de casar, homens e mulheres se atraem.&lt;br /&gt;Ana Vitória se casou cedo. Mesmo não querendo se destacar, atraiu homens. Alguns ela quis e não teve. Outros ela não quis e se absteve. Um ela quis, teve e manteve. Os anos que se seguiram não foram exatamente o inferno na Terra, ela era amada e sabia disso. Mas o amor que recebia não era o que estava escrito no livro de regulamentos, portanto, devia estar errado. E, em lugar de aproveitar, usufruir ou colaborar para melhorias, viveu a vida recriminando, cobrando a devida correção e se desencantando. Até que um dia, como estava escrito no livro, ela decidiu que o certo era terminar com aquilo. O marido não era mau, ela já tinha visto, entre parentes e amigas, o que era um mau marido de verdade. Mas ele não seguia o regulamento. E combatia o regulamento. E se esforçava por eliminar o regulamento e fazer uma vida com regras próprias. E ele adorava chamar a atenção. Adorava ser o centro dos olhares. E a estava arrastando para isso! Sim, com certeza ela sabia do regulamento que diz que os opostos se atraem, mas havia o choque com outro regulamento que dizia que só a atração é um motivo rasteiro para duas pessoas ficarem juntas.&lt;br /&gt;Ana Vitória se separou. Em cada dia da nova vida ela não conseguia entender a tristeza em que estava, o vazio que sentia, já que tinha feito o que era certo. Como é possível seguir o regulamento e sofrer conseqüências por isso? Achou que era porque não estava seguindo direito o regulamento. Na regra da separação, a atração tem que desaparecer. E, ao que parecia, ele continuava atraído por ela.&lt;br /&gt;Ela se deixou engordar. Se permitiu parecer mais velha do que era. Fez cortes estranhos no cabelo. Depilações cada vez mais esporádicas. As unhas das mãos e dos pés foram esquecidas como uma planta velha que ficou atrás de um banco na varanda e ninguém mais se lembrou de regar. Mas tudo era feito de uma forma descuidada, ao acaso, atribuído à falta de tempo ou à idade. Nada disso acontecia por ódio do próprio corpo.&lt;br /&gt;Ana Vitória só começou a odiar o próprio corpo quando viu que nada afastava o “falecido”, como as mulheres costumam chamar ex-maridos quando querem fazer de conta que eles não têm importância. O homem devia ser doido. Mesmo com aquele descaso, mesmo com a falta de vaidade, mesmo com todo o mau trato, ele continuava atraído. Sempre aparecia. E tentava. E ela, deixando claro que estava agindo por bondade, quebrando um regulamento mas fingindo estar seguindo um outro que diz que não se nega um copo de água a ninguém, cedia.&lt;br /&gt;E cada vez que cedia, Ana Vitória tinha crises violentas de ódio contra seu próprio corpo. Crises que não se traduziam em auto-mutilação nem em flagelações purificantes. O ódio explodia em um clímax convulsivo, numa mistura do velho prazer bem-vindo com uma recusa em permitir que ele viesse, mãos crispadas, corpo contorcido, olhos fechados de gozo e de vergonha. Por que aceitei? Por que deixei? Por que estou gostando? Não é certo. É contra o regulamento. Pare de sentir. Pare de gostar. Demonstre desconforto. Diga que chega!&lt;br /&gt;E o corpo nem aí com o tal do regulamento nem com as ordens expressas. Ela dizendo com a mente que não. E cada célula do corpo dela deixando claro que sim, sempre sim, cada vez mais sim, cada poro, cada pelo, cada mamilo, cada fluido, todos se destacando, aparecendo, fazendo barulho, chamando a atenção.&lt;br /&gt;O corpo de Ana Vitória não cumpria o regulamento. E Ana Vitória o odiava por isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-8108743112452807797?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/8108743112452807797/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=8108743112452807797&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/8108743112452807797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/8108743112452807797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2007/10/ana-vitoria_12.html' title='ANA VITÓRIA'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-6787217802950903358</id><published>2007-10-09T05:30:00.001-07:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.872-08:00</updated><title type='text'>OS DOSSIÊS</title><content type='html'>O Ascenço estava estressado. O que não era lá grande novidade, já que qualquer coisa deixava o Ascenço estressado. A frase que ele mais repetiu na vida foi “Sabe o que me deixa estressado?”.&lt;br /&gt;Tudo estressava o Ascenço. O trabalho, a esposa, os três filhos, o fato de ainda torcer para a Portuguesa Santista, mesmo não morando mais em Santos há quase trinta anos (“Sabe o que me deixa estressado? É esse coração mole. Não consigo trair o velho time”).&lt;br /&gt;Mas o que mais deixa o Ascenço estressado é a política. Não a nacional, especificamente. Qualquer uma! O Ascenço sempre acha o lado ruim de alguma coisa pra poder se estressar.&lt;br /&gt;A eleição do Collor deixou o Ascenço estressado porque o povo não sabe votar. Depois, a saída do Collor deixou o Ascenço estressado porque o povo não sabe o que quer. A implantação do Plano Real deixou o Ascenço estressado porque ele tinha umas economias em dólar e no pau-a-pau ia sair perdendo. O real deixar de valer o mesmo que o dólar deixou o Ascenço estressado porque sem uma moeda estável o país não vai.&lt;br /&gt;Há alguns anos, ele repetia quase que diariamente:&lt;br /&gt;- Sabe o que me deixa estressado? O caso da Lady Di.&lt;br /&gt;- Qual caso?&lt;br /&gt;- Qualquer um deles! Escolhe aí!&lt;br /&gt;O Bill Clinton estressou demais o Ascenço:&lt;br /&gt;- Sujeito mais burro! Um cara bonitão, cheio da grana e todo poderoso! Vai se ferrar todo por causa de uma baranga daquelas? Uma criatura capaz de guardar um vestido todo melecado por dois anos! Feia e porca!&lt;br /&gt;O pessoal achava que o Bush e o Bin Laden tinham esgotado toda a capacidade do Ascenço de se estressar. Tanto que, ultimamente, ele nem se alterava. Não levantava assuntos polêmicos, não criava aquelas intermináveis discussões onde todos falam, todos acham que têm razão, ninguém muda de opinião e só quem lucra é o dono do bar a quem sempre se pede mais uma e mais uma e mais uma.&lt;br /&gt;Mas ontem o Ascenço chegou com a velha cara. Nem cumprimentou o pessoal. Chegou, sentou e ficou ali, com uma cara perdida, pensativo, olho fixo em sabe Deus o quê. Ninguém se atrevia a perguntar o que ele tinha. Devia ser alguma coisa muito séria.&lt;br /&gt;De repente, ele deu um suspiro enorme, parecia que estava tomando fôlego para dar um mergulho e talvez fosse isso mesmo, ele estava prestes a ir até o fundo de alguma coisa.&lt;br /&gt;Deu uma boa olhada em volta. Todos ficaram em silêncio esperando a velha frase inicial. E, para alívio do suspense geral, ela veio:&lt;br /&gt;- Sabe o que me deixa estressado?&lt;br /&gt;Foi a vez do pessoal de suspirar.&lt;br /&gt;- Essa história de dossiê.&lt;br /&gt;- Que dossiê, Ascenço?&lt;br /&gt;- Esses todos que vêm aparecendo nas notícias. Já repararam que a moda agora é preparar dossiê? O sujeito tem um desafeto. Em vez de ganhar do desafeto na razão, no direito, ou até no grito, na porrada, o camarada vai lá e prepara um dossiê sobre o tal desafeto. Contrata uns detetives, bota umas escutas, faz umas fotos e deixa um dossiê prontinho. Aí chega no desafeto, diz que tem o tal do dossiê e que se o desafeto não ficar na dele vai divulgar tudo o que a pasta contém. Já repararam que toda hora tem uma história assim?&lt;br /&gt;- Tá, mas e daí? Na maioria das vezes o tal do dossiê nem aparece. O chantagista é pego com a boca na botija, a coisa fica feia pro lado dele e pronto.&lt;br /&gt;- Pois é exatamente esse “pronto” que me deixa estressado!&lt;br /&gt;- Como assim?&lt;br /&gt;- Ora, o sujeito que preparou ou tentou preparar o dossiê não passa de um chantagista mesmo. Tem mais é que se ferrar, ser desmascarado e até ir pra cadeia. Mas e o cara sobre o qual se fez o dossiê?&lt;br /&gt;- Ué... O cara fica livre da chantagem.&lt;br /&gt;- Da chantagem e de tudo o mais! Meu Deus, vocês não se tocam? Ninguém faz um dossiê pra chantagear um sujeito que é bom pai de família, cumpridor de seus deveres, um exemplo de honestidade. Num dossiê desses não tem um relatório de quantas vezes o cara foi à missa, quantas obras de caridade ele fez, quantos pobres ajuda. Não vem descrito o amor dele às crianças do mundo nem a preocupação dele quanto à preservação do mico leão dourado. Só se faz dossiê sobre alguém que tenha coisas a esconder. No dossiê só tem os podres do “dossiado”.&lt;br /&gt;- É... Isso é verdade!&lt;br /&gt;- E aí? O que acontece com ele? Nada! Pega-se o tal do dossiê e nem ao menos se investiga o que está lá. E só dá pra fazer chantagem com informações verdadeiras, não é? Mas o chantageado fica sempre impune. Parece que ninguém tem nem a curiosidade de dar uma lida rápida no tal dossiê. Nunca!&lt;br /&gt;Foi a nossa vez de ficarmos de olho parado, olhando pra nada. Ficamos lembrando das últimas histórias de dossiês. Houve umas três ou quatro nos últimos dez anos. E aí, pouco a pouco, fomos levantando nomes de “vítimas” de dossiês. E fomos reparando onde elas estão agora, os cargos que ocupam, as posições de destaque que têm.&lt;br /&gt;- É ou não é pra ficar estressado?&lt;br /&gt;Todos concordamos. E, pra aliviar o estresse geral, pedimos mais uma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-6787217802950903358?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/6787217802950903358/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=6787217802950903358&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/6787217802950903358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/6787217802950903358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2007/10/os-dossies_09.html' title='OS DOSSIÊS'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-5433604663017127632</id><published>2007-10-05T08:32:00.001-07:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.872-08:00</updated><title type='text'>A INTERNET E OS "PROCESSAMENTOS"!</title><content type='html'>Que maravilha! Leio no “Últimas Notícias” do UOL que no estado de Minesotta, lá na corte, uma mulher foi processada pela Associação Americana da Indústria Fonográfica por ter baixado e compartilhado 24 músicas! Perdeu o processo e vai ter que pagar 220 mil dólares por isso!&lt;br /&gt;Quando não havia Internet, nós tínhamos aqueles bons rádios que vinham acoplados a gravadores cassete. E havia emissoras que faziam blocos de seis músicas sem intervalos e anunciavam: “Para você gravar”! Emissoras de rádio nunca compraram discos ou CDs. Elas ganham como material de divulgação. Transmitir para milhões de ouvintes, acredito eu, é COMPARTILHAR! Portanto, muito antes de existir Internet, já havia quem “compartilhava” músicas e quem “baixava” só as que queria. De graça! Mas a indústria dos processos lá da matriz resolveu que o caminho para a salvação da Indústria Fonográfica moribunda é esse: tomar dinheiro grande de jovens e donas de casa que deixaram de usar o rádio e o gravadorzinho e passaram a usar a Internet.&lt;br /&gt;Até o momento, mais de dez mil processos já foram “vencidos”, cada um gerando uma média de cinco mil dólares de lucro para a indústria fonográfica. O engraçado é que todos os processos são abrigados pelos tribunais como “transgressões à lei do direito autoral”! Sem vender nada e sem um CD completo na mão do freguês, a indústria fonográfica americana já faturou 50 milhões de dólares! E já recebeu! Gostaria que noticiassem que parcela dessa quantia foi para as mãos dos autores, dos cantores e dos músicos.&lt;br /&gt;Dá pra pensar que, finalmente, encontrou-se a solução para lucrar com música na rede. Aqueles sites ridículos que supõem que a garotada vá pagar dois dólares por música pra baixar “oficialmente”, como já era de se prever, não deram certo. Então poderá ocorrer a alguém fazer assim: Gravo as músicas no estúdio que eu já tenho. Não gasto nada com isso. Digo aos músicos e aos cantores que eles só recebem de acordo com as vendas. Mixo tudo, deixo tudo prontinho, libero material de divulgação para emissoras de rádio, mando os artistas para as emissoras de TV, o que ainda é de graça e, em seguida, EU MESMO SOLTO AS MÚSICAS NA REDE. Deixo a molecada baixar à vontade, rastreio e, daqui a dois meses começo a mover os processos. Aí faturo alguns milhões, mas isso ainda não foi venda! E o contrato diz que os artistas ganham porcentagem de VENDAS! Ninguém recebe nada e eu fico com os milhões! Negócio da China! Não, espera aí... O país que inventou mais essa não foi bem a China. Nada como um bom processo pra mostrar ao distinto público o que é decência!&lt;br /&gt;O distinto público mundial aplaude de pé, achando que está dizendo “NÃO À PIRATARIA” e vendo aquele garoto com um MP3 no bolso e foninho no ouvido como um sujeito com um papagaio no ombro, uma perna de pau e um tapa-olho, um vilão de sabre em punho que aponta canhões para a sociedade dos homens de bem.&lt;br /&gt;O distinto público local, logo vai começar a achar que essas coisas deviam ser implantadas aqui, já que adoramos nos desdobrar para ficarmos parecidos com nossos mestres do Norte. A nossa mídia é recheada de mainardis, uns mais radicais, outros mais disfarçados, mas todos tentando dissimular suas origens nacionais, alegando desconhecimento das coisas daqui, seja o nosso cinema, a nossa comida ou a nossa geografia, e se orgulhando disso, fazendo parecer que conhecimento tupiniquim é conhecimento menor. Logo revistas de grande circulação e programas de entrevista vão elogiar a medida e fazer com que a população dos homens de bem se movimente para que seja implantada aqui. E nós, o distinto público, que já temos a tendência de achar que tudo o que fazem os mocinhos da luta contra os índios, contra os alemães, contra os japoneses, contra os coreanos, contra os soviéticos, contra os vietcongs, contra os iraquianos, contra muçulmanos, enfim, tudo o que fazem os mocinhos que lutam contra tudo e contra todos é bom, é certo, é heróico, vamos embarcar em mais essa.&lt;br /&gt;Depois a gente reclama que os políticos do mundo só fazem safadezas e negociatas. Ora, um país é governado por advogados. Outro por militares. Outro pela mídia. Os pobres dos políticos, que deviam legislar e governar, ficaram meio sem função. Como não têm o que fazer, ocupam o tempo beliscando um dinheirinho aqui, fazendo uma jogada com uma empresa ali, passeando com um carrinho oficial mais adiante e se divertindo um pouco com estagiárias ou futuras coelhinhas da Playboy. Estão à toa mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-5433604663017127632?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/5433604663017127632/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=5433604663017127632&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/5433604663017127632'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/5433604663017127632'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2007/10/internet-e-os_05.html' title='A INTERNET E OS &amp;quot;PROCESSAMENTOS&amp;quot;!'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-1461726265036935219</id><published>2007-10-03T08:13:00.001-07:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.872-08:00</updated><title type='text'>NA AVENIDA ANGÉLICA</title><content type='html'>Tomei um ônibus na avenida Angélica, no primeiro ponto da parte “de cima”. É engraçada a divisão que existe nessa região. O valor, o nível, a classe, a categoria das coisas são medidos pela avenida São João. Embora não seja uma divisão formal, oficial, cartográfica, é uma divisão tradicional. Acima da São João é Higienópolis, abaixo da São João é Barra Funda. Higienópolis, quando não é alta elite, pelo menos é chique. Barra Funda quando não é sub-mundo, pelo menos é proletário. Na verdade, tudo é praticamente um bairro só, dividido por uma única rua. Tirando um ou outro artista de TV que se acha o máximo da cultura nacional ou alguns ex-qualquer-coisa na política que vivem beliscando um troco alto em outros países e se recusam a perceber que são ex por aqui, o resto da população de ambos os bairros é formado pela boa e velha classe média B, aquela que rala de dez a doze horas por dia pra ganhar o suficiente pra comprar o carro do ano a prestação e manter o direito de morar na mesma região onde artistas megalomaníacos e ex-políticos vivem. E pra pagar as pessoas que trabalham em suas casas e que também moram pela região.&lt;br /&gt;O começo da Angélica fica numa situação peculiar. Está na parte baixa, na Barra Funda. Mas é a Angélica e se a avenida Angélica fosse um rio, seria um afluente do Rio Paulista. Mesmo não chegando diretamente até lá. É como um “atrium”, um pátio ritualístico preparatório para o Nirvana que é o mundo dos grandes negócios e da vida elegante. Na avenida Angélica, mesmo os que só trabalham para a classe média reinante se comportam com alguma pompa e circunstância.&lt;br /&gt;Na Toca da Angélica, um antigo bar que fica quase à margem da São João, na parte Barra Funda, todos conversam em voz baixa, os casais até namoram, mas comedidamente e mesmo quando a maldita maquininha de CDs (que em português moderno é chamada de “djuquebocs”) toca um forró, um samba ou um rock em volume ensurdecedor, ninguém sai dançando. As mesmas pessoas, quando estão dois quarteirões abaixo, quando a Angélica deixa de ser Angélica e se torna Eduardo Prado sem nem ao menos fazer uma curva, já comem churrasquinho de gato na calçada e caem no sambão!&lt;br /&gt;A avenida Angélica é única.&lt;br /&gt;Pois estava eu sentado dentro do ônibus que tomei na Angélica quando quatro rapazes começaram um papo nos bancos à minha frente. Se aquele ônibus estivesse passando por uma rua da Brasilândia ou da Penha, fatalmente os quatro estariam discutindo futebol ou a próxima balada. Mas estávamos na Angélica! Um deles resolveu puxar um tema mais engajado. Cidadania, direitos... Ele tinha escutado em algum lugar que a prefeitura estava pensando em exigir que todos os carros que circulassem pela cidade tivessem um chip através do qual seriam controladas as infrações e, conseqüentemente, aplicadas as multas. Dois dos amigos entraram no debate sobre o tema com ele.&lt;br /&gt;- Isso é inconstitucional! – disse um deles, o que tinha uma cara de quem normalmente diria apenas que “isso não tá certo”, mas estávamos na avenida Angélica e na Angélica um “inconstitucional” pega bem.&lt;br /&gt;- Nós já estamos vivendo o “Big Brother” – e olhou pros lados pra ver se alguém havia notado que ele estava se referindo a George Orwell e não a programas populares cuja citação seria incabível em um ônibus que está rodando pela avenida Angélica.&lt;br /&gt;- Eles querem controlar tudo! Querem saber de cada passo!&lt;br /&gt;- A questão é econômica. Só mais um modo de tomar dinheiro da população.&lt;br /&gt;- Claro. Com esse chip nada vai passar despercebido. Cada infração vai ser verificada imediatamente e cobrada logo em seguida.&lt;br /&gt;- Alguém tinha que fazer alguma coisa.&lt;br /&gt;- Brasileiro não faz nada. – disse o mais moreninho, o mais baixinho, com aquele tom que sempre usamos ao falar do tal do “Brasileiro”, deixando claro que “o Brasileiro” é qualquer um de todos os outros habitantes do país, menos nós.&lt;br /&gt;- Num país sério a população se revoltaria contra isso e não ia deixar acontecer.&lt;br /&gt;E continuaram no debate sobre os direitos do cidadão, sobre a interferência do Estado, sobre o cerceamento do direito de ir e vir, sobre a indecência do controle das autoridades.&lt;br /&gt;Já estavam chegando às cartas para jornais e emails para vereadores, deputados, senadores, à criação de uma comunidade no Orkut que se chamaria “Eu não me submeto ao chip”, quando o ônibus chegou ao alto da Angélica, virou à direita, fez uma volta completa em torno da entrada para a Rebouças e entrou na Doutor Arnaldo.&lt;br /&gt;Como que tirado de um torpor, o quarto amigo, que não havia falado nada até ali, entrou no assunto:&lt;br /&gt;- Mas o chip não é pra pegar gente que faz coisa errada? Quem não pára no farol vermelho, quem estaciona em calçada, quem corre demais, quem pára em cima da faixa de pedestre?&lt;br /&gt;Os outros três olharam pra ele com cara de “Sim, e daí?”&lt;br /&gt;- Então não é só não fazer coisa errada? Se fizer tudo certinho é como se o chip não estivesse ali, não é?&lt;br /&gt;Fez-se um silêncio que só terminou no ponto seguinte, já em frente ao Cemitério do Araçá. Foi onde um deles perguntou:&lt;br /&gt;- E o coringão domingo, hein?&lt;br /&gt;- Não vejo jogo de time da segunda divisão! – provocou o palmeirense.&lt;br /&gt;- Vocês falam como se tivessem time. – se gabou o são-paulino.&lt;br /&gt;- Eu não vi jogo nenhum no domingo. Voltei da balada às seis da manhã e dormi quase o dia todo.&lt;br /&gt;Ali desci do ônibus e não fiquei sabendo do resto do papo. Mas saí com a certeza de que a avenida Angélica, definitivamente, tem efeitos curiosos sobre as pessoas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-1461726265036935219?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/1461726265036935219/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=1461726265036935219&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/1461726265036935219'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/1461726265036935219'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2007/10/na-avenida-angelica_03.html' title='NA AVENIDA ANGÉLICA'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-5626310561166599956</id><published>2007-10-01T06:29:00.001-07:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.872-08:00</updated><title type='text'>MARCÃO E OS CAMELÔS</title><content type='html'>No começo, achei esquisito. Aquele tipo de discurso vindo logo do Marcão?&lt;br /&gt;O Marcão é um velho conhecido da Barra Funda. Normalmente os velhos conhecidos nos bairros são antigos comerciantes ou renomados pinguços. O Marcão não. Ele é vendedor em loja de auto-peças desde o tempo em que o quatro-sete-sete da Barão de Limeira era o “já famoso”. E quase não bebe. Uma ou duas cervejas às sextas-feiras com alguns amigos e nada mais.&lt;br /&gt;O Marcão é conhecido pela sua freqüência a sebos. É o Rei do Sebo. Conhece todos, desde um bem pequeno e recente na esquina da Brigadeiro Galvão com a Eduardo Prado recheado com Dans Browns, Rowlings e auto-ajudas até os tradicionais na região da Sé com seus velhos livros de capa dura e lombadas com letras douradas.&lt;br /&gt;Compra muito, lê de tudo. Mas sua paixão sempre foram os heróis populares. Seus discursos, durante a cerveja de sexta-feira ou nas portas de sebos, sempre foram mais entusiasmados quando o assunto era a luta do oprimido contra o opressor. Não as de verdade, muito recentes. Nada que tivesse acontecido há menos de cem anos. Nada de Papas Docs, Pinochets ou Salazares. Os opressores que ele gostava de ver derrotados eram os Médicis (“Os de lá!”, ele sempre ressaltava), o príncipe John e seu xerife de Nothingham, os espanhóis na Califórnia. E o tema era sempre o mesmo. O quanto eles roubavam do povo desvalido e como os heróis se esforçavam por equilibrar a balança.&lt;br /&gt;- Robin Hood... As pessoas se enganam no que dizem. Todo mundo acha que ele roubava dos ricos para DAR aos pobres. Não tinha nada a ver! Ele DEVOLVIA aos pobres. Ele tomava do coletor de impostos e devolvia ao povo da região em que o coletor tinha passado.&lt;br /&gt;E criava elos, embasamentos históricos para personagens inventados.&lt;br /&gt;- Essa prática já era usada na Gália, meu amigo! Quatro séculos antes de Cristo! Quando a Gália estava ocupada e oprimida por Roma, muitos gauleses atacavam os coletores de César para tomar de volta os impostos e devolver às povoações.&lt;br /&gt;Não se importava muito se esse embasamento histórico estivesse fundamentado, às vezes, apenas em quadrinhos clássicos que ele havia adquirido em um sebo da São João, embaixo do Minhocão. O importante era a filosofia. E o herói!&lt;br /&gt;- Sabe o Zorro? Qual era a luta dele? Livrar o povo da Califórnia da exploração espanhola. O cinema só mostra o camarada riscando a letra Z na barriga de militares gorduchos, mas o âmago da questão eram os impostos. O Rei da Espanha tomava tudo o que o povo da Califórnia produzia. E o Zorro cuidava pra que isso não acontecesse. E quando acontecia, ele agia igual ao Robin Hood. Ia lá, pegava de volta e entregava na mão do povo.&lt;br /&gt;Até Tiradentes, os Inconfidentes, D. Pedro I, Andradas e Ghandi entram na lista de heróis anti-impostos do Marcão.&lt;br /&gt;Foi por isso que, no começo, achei esquisito quando o Marcão começou a criticar camelô. Não por criticar, isso todo mundo faz. Todo mundo vai lá e compra coisas neles, mas todo mundo acha de bom tom reclamar da existência deles.&lt;br /&gt;- Esses caras vendem o trabalho de artistas e nada vai pro artista. O sujeito lança uma obra, não sabe quantas cópias estão espalhadas por aí e não vê um centavo de direitos! Não está certo!&lt;br /&gt;Só pra provocar, cutuquei o Marcão.&lt;br /&gt;- Ué... Mas o sebo também vende livros e os autores não vêem um centavo dessa segunda venda, não é? Xerocar o livro pra estudante duro não pode, mas revender o mesmo livro dezenas de vezes pode?&lt;br /&gt;Marcão ficou parado, segurando o copo da cerveja semanal no meio do caminho entre o balcão e a boca. Me olhou como se eu tivesse cometido um crime de lesa-majestade, como se eu tivesse proferido a maior de todas as blasfêmias.&lt;br /&gt;Pousou lentamente o copo de volta no balcão, emitiu o já conhecido pigarro preparatório das suas argumentações e mandou:&lt;br /&gt;- Mas o sebo paga impostos, meu caro! Camelô não contribui! E quem não paga imposto é criminoso. Tem que ir pra cadeia!&lt;br /&gt;A pessoal da rodinha de sexta fez um silêncio instantâneo. Todos ficaram tão surpresos quanto eu. Marcão olhou em volta, se certificou de que tinha dado a palavra final, definitiva, pegou o copo, bebeu tudo de um gole e se despediu.&lt;br /&gt;- Gente, eu vou indo. Comprei um livro novo sobre Barrabás e estou louco pra ler. Esse autor defende que o cara não era só um bandido e ladrão como a lenda fez questão de eternizar. Ele apenas se recusava a “dar a César o que, na verdade, não era de César”. E foi-se embora.&lt;br /&gt;No começo, realmente achei esquisito. Depois, pensando melhor, acho que devíamos lançar a candidatura do Marcão a deputado. Que melhor representante do pensamento da nossa classe média poderíamos ter?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-5626310561166599956?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/5626310561166599956/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=5626310561166599956&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/5626310561166599956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/5626310561166599956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2007/10/marcao-e-os-camelos_01.html' title='MARCÃO E OS CAMELÔS'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-5365520208424992906</id><published>2007-09-30T13:18:00.001-07:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.872-08:00</updated><title type='text'>SOZINHA</title><content type='html'>Domingão besta, tempo feio, tarde xexelenta.&lt;br /&gt;Ela se levantou do sofá onde esteve quase que o dia todo. Acordara tarde. Descongelara alguma coisa pra comer. Metade de um bife à parmegiana. Sobra de um jantar com ele, há uma semana. Depois disso, pegou um velho cobertor, ligou a televisão, se deitou no grande sofá e ali ficou, permitindo que o tempo passasse à toa. O fim de tarde jogou sobre ela a irritação e a culpa de ter passado o dia sem fazer nada. “Carpe diem” foi dito a ela por um padre na infância e a idéia se tornou uma obrigação, às vezes social, às vezes religiosa, mas sempre acompanhada de auto-recriminações. Como alguém se deixa ficar um dia inteiro sem fazer nada? Só pensando! E, na maior parte do tempo, pensando nele!&lt;br /&gt;Levantou-se, tomou um banho, vestiu uma roupa nova que havia comprado e não havia estreado. Comprara pra sair com ele, em algum dia especial. E os dias especiais não vinham há um bom tempo.&lt;br /&gt;Resolveu arrumar um pouco o cabelo. Foi ao quarto para pegar a escova que estava ao lado da foto. Olhou pra ela. Uma foto antiga, colocada em um porta-retratos. Ela e ele na praia. Dias felizes. Dias de sonhos. Começo de tudo. Cada instante era a explosão de uma paixão eterna. Como ela havia aprendido num poema que lera na faculdade, paixão eterna enquanto durasse. E naquela foto ela viu o rosto de uma mulher que acreditava que duraria para sempre.&lt;br /&gt;Pegou a escova, voltou para o banheiro e se olhou no espelho. Comparou mentalmente com a imagem da foto. Dez anos haviam se passado. Alguns lembretes da passagem desse tempo estavam escritos naquele rosto do espelho. Mas ela não via. Só via uma mulher com seus quarenta e poucos anos de corpo, seus vinte e poucos anos de vontades e sonhos e não sabia mais quantos anos de decepções e ausências.&lt;br /&gt;Quando ela o conhecera, em uma festa, não tinha idéia de que ele fosse casado. Que tivesse uma família. Quando ficou sabendo disso, era tarde. Já estava girando no redemoinho de fantasias que sua vida tinha se tornado. Profissão nova, namorado novo, amigos novos, tudo havia mudado. E mudado para o sonho. Para aquilo que ela sempre desejara, desde que voltara da pequena cidade de interior pra onde seus pais tinham ido quando ela ainda era criança. Tudo era uma grande festa, um grande sonho do qual ela não iria acordar jamais.&lt;br /&gt;Mas em poucos anos o sonho havia acabado. A nova profissão já não era tão nova. Havia virado rotina e trabalho. Os novos amigos, em sua grande maioria, já não eram uma festa. Eram um fardo de fofocas, mau humor e conversas repetidas a ser carregado pra manutenção de uma vida social e de um trabalho. A festa virou dia-a-dia. As noites ficaram longas demais, cansativas demais. Só percebeu o quanto estava cansada daquilo tudo quando parou pra pensar por que havia comprado um sofá tão confortável e tão grande pra uma pessoa que vivia sozinha.&lt;br /&gt;Sozinha. Ele também já não era mais a eterna paixão. Existia, se mantinha em sua vida, mas também já era uma rotina. Talvez um pouco mais agradável do que as outras, mas uma rotina.&lt;br /&gt;Passou a escova pelos cabelos se irritando com seu último pensamento quanto a tudo ter virado uma rotina: “Ainda bem”.&lt;br /&gt;Jamais sairia de casa, nem que fosse pra ir ao mercado, sem passar um batom nos lábios. E ela não estava disposta a ir ao mercado. Estava disposta a fazer alguma coisa, ir a algum lugar, conhecer um ambiente diferente, sair da rotina. E daquela solidão que, embora existisse por opção, embora fosse quase sempre bem-vinda, não deixava de ser solidão.&lt;br /&gt;Era domingo. Ele não viria mesmo. Aos domingos ele sempre ficou com a família. Uma vez uma amiga disse: “Ele nunca vai deixar a família”. Ela até acreditou. Mas não ligou.&lt;br /&gt;Passou o batom, conferiu o quadro geral, gostou do que viu. Até sorriu pro espelho e ele correspondeu à gentileza.&lt;br /&gt;Enquanto procurava a chave pra guardar na bolsa, lembrou-se dos Natais sem ele, dos aniversários, dele e dela, em dias diferentes pra não dar na vista, das férias na praia sem ele. Da mãe perguntando, ano após ano, com palavras e com o olhar: “Você não vai arrumar um namorado?”. E ela morrendo de vontade de contar que já havia arrumado, que não era uma mulher abandonada pelos homens, desinteressante, que não era a tia solteirona das filhas da irmã mais nova. Mas teria que explicar a eterna ausência dele. E como explicar isso a uma mãe tão religiosa? Mas também lembrou-se dele no bar, nas festas, na casa dela, de tudo o que já haviam dito um para o outro, de tudo o que já haviam vivido juntos, de problemas e alegrias que já haviam compartilhado. E de como se sentia quando ele chegava.&lt;br /&gt;Banho tomado, cabelo penteado, roupa nova, batom passado, chave na bolsa, uma passada de um espanador de tristezas na mente e ela estava pronta para ir pro mundo. Talvez aquele final de domingo pudesse trazer novidades para aquela vida que não estava parada mas parecia muito monótona. Talvez fosse assistir a uma peça boa, um filme novo. Talvez fosse tomar um chope em um novo bar. Talvez comesse alguma coisa nova em um novo restaurante. Talvez conhecesse alguém novo! Apagar o passado, recomeçar, tatear e ser tateada, desbravar o desconhecido e ser desbravada! Novamente!&lt;br /&gt;Um pouco antes de abrir a porta, o telefone tocou. Ainda ficou em dúvida se atendia, mas podia ser algum chamado de trabalho, mesmo num domingo. Acontecia com freqüência. Voltou e atendeu.&lt;br /&gt;Ele estava na rua. Ele queria vê-la. Ele ia passar pela casa dela. “Tudo bem? Você vai ficar em casa?”&lt;br /&gt;Ela não sabia se estava ligeiramente irritada ou aliviadamente feliz quando percebeu que, depois de trocar a roupa nova pela confortável roupinha de ficar em casa, o sapato bonito por uma meia quentinha e depois de se enfiar sob um cobertor no enorme sofá da sala pra esperar, pensou: “Ainda bem”.&lt;br /&gt;“Carpe diem”, às vezes, pode significar aproveitar um finalzinho de dia pra fazer com que uma tarde xexelenta de um domingão besta com tempo feio valha a pena.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-5365520208424992906?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/5365520208424992906/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=5365520208424992906&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/5365520208424992906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/5365520208424992906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2007/09/sozinha_30.html' title='SOZINHA'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-7764474700186860854</id><published>2007-09-28T06:58:00.001-07:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.872-08:00</updated><title type='text'>RECORD NEWS</title><content type='html'>É impressionante! Leio na Folha Online que ontem às 20 horas, estreou a Record News, canal 42, emissora aberta só de notícias. E leio a crítica de que a emissora começou não divulgando &lt;strong&gt;&lt;em&gt;“a principal notícia da noite”&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; (sic), o desabamento de uma casa de três andares no Rio de Janeiro, que aconteceu às 19 horas! Curiosa uma categoria que acha a morte de um deles (tipo Tim Lopes) muito mais importante do que a morte de milhares de outras pessoas, a agressão a um deles mais importante do que qualquer outra agressão (sempre ouvimos &lt;strong&gt;&lt;em&gt;“ATÉ os jornalistas foram agredidos”&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;) e não acha que a notícia mais importante da noite foi justamente a estréia de uma emissora de TV aberta voltada apenas para o jornalismo, uma nova visão de jornalismo, claro, compromissada com alguma coisa (não nos enganemos) mas com um OUTRO compromisso, diferente daqueles com que já estamos habituados.&lt;br /&gt;E já começou bem. Sem fazer força, só por começar a existir, já mostrou que um grande jornal de São Paulo acha que uma grande emissora centrada em São Paulo deveria considerar a notícia mais importante da noite o desabamento de um pequeno prédio no Rio de Janeiro. Lá morreram duas pessoas. Triste. Trágico. Lamentável. Mas aqui abriu-se uma nova emissora de caráter nacional, empregos, meio de vida para centenas de famílias e de informação para milhares. Só que os velhos jornais sempre consideraram a morte um negócio bem melhor, mais vendável, do que a vida. Os velhos meios de notícias sempre se pautaram pela política do “quanto pior, melhor”. Se não for MÁ notícia, não compensa divulgar.&lt;br /&gt;Enfim, damos as boas-vindas ao novo canal e que ele mostre realmente o que diz que está disposto a mostrar: uma nova alternativa de informação. Já que é impossível o tal do “jornalismo não comprometido”, que esse canal se comprometa ao menos com coisas diferentes. Assim a gente tem como comparar e concluir sozinho, que é como sempre se deve encarar uma notícia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-7764474700186860854?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/7764474700186860854/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=7764474700186860854&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/7764474700186860854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/7764474700186860854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2007/09/record-news_28.html' title='RECORD NEWS'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-6852419520367099879</id><published>2007-09-27T07:22:00.001-07:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.873-08:00</updated><title type='text'>O ÍNDIO</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Era um índio. Não muito grande. Não muito forte. Com cabelo cortado normalmente, com certeza em algum dos barbeiros da Santa Cecília que, mesmo tocando um salãozinho daqueles bem antigos, quase que já tradicionais, insistem em se denominar “Cabeleireiro Unissex”.&lt;br /&gt;Era um índio. Não de tanga. Estava com uma calça jeans e uma daquelas camisetas com gola (Chamava “Polo”. Ainda chama?).&lt;br /&gt;Era um índio. Não com um arco numa mão e uma flecha na outra. Na esquerda ele tinha um celular e na direita um copinho de café.&lt;br /&gt;Era um índio. Mas não estava no meio do mato, pescando com uma lança, subindo em uma árvore, fazendo danças rituais ou observando o vôo de um tuiuiú. Estava na porta de um bar da rua das Palmeiras, tomando um cafezinho, se preparando para ir para o seu emprego urbano, bem no meio de São Paulo.&lt;br /&gt;Era um índio. Mas todos o olhavam não como um índio. Era uma aberração. Uma afronta. Um acinte. Uma ofensa e uma ingratidão. Depois de tudo o que nós, civilizados engajados e conscientes, já fizemos e fazemos por eles!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ora, estudantes universitários já fizeram movimentos em favor deles. ONGs já se manifestaram em prol de seus direitos. Homens bem vestidos fizeram contatos com governos. Governos de gente muito culta ou de gente nem tanto se preocupou em criar leis específicas para cuidar de suas terras, sua vida, sua cultura, seu passado. Principalmente seu passado!&lt;br /&gt;Que ingratidão do índio deixar o mato que reservamos pra ele, as penas e peles por cujo direito de uso sobre o corpo lutamos tanto, as danças de quinhentos anos atrás, o idioma de quinhentos anos atrás, a comida de quinhentos anos atrás, as cobras, os mosquitos, as doenças, a vida extrativista sem preocupações de produtividade, deixar todas essas coisas tão boas das quais temos tanta inveja e que só não temos porque somos burros. Que falta de consideração do índio, sair do lugar que, por dignidade e consciência cívica, nós, não índios, dissemos que pertence a ele e que, portanto, é onde ele devia ficar.&lt;br /&gt;- Que índio nada! Índio de jeans?&lt;br /&gt;- Olha lá... Celular na mão! Hum... Índio... Sei!&lt;br /&gt;E o índio nem aí. Afinal, ele não fez nenhuma daquelas lutas que universitário e esquerdista de piscina fazem para preservar vidas que eles não querem ter, lugares nos quais não querem viver e culturas das quais nem querem saber. O índio simplesmente acabou de tomar seu café. E, em seguida, o horror dos horrores! A rua das Palmeiras virou cenário de um espetáculo absurdo, uma tela de pintura cubista, tudo de cabeça pra baixo, fora do lugar, sem qualquer tipo de sentido: o índio acendeu um cigarro!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Teve um executivo, com um maço de Marlboro no bolso da camisa, que se recusou a ficar no mesmo bar!&lt;br /&gt;E o índio nem aí. Fumou seu cigarrinho, batendo papo com um motorista de táxi, falando do tempo, das dificuldades financeiras da vida, das mulheres que passavam pela frente do bar...&lt;br /&gt;Quando o cigarro acabou, fez o que todos fazem. Colocou a bituca entre a polpa do polegar e a unha do dedo médio. Empurrou o dedo médio com força para frente e a bituca voou por alguns metros, descrevendo uma parábola e caindo no meio da rua. No instante seguinte, um ônibus passou por cima dela e não se conseguiu chegar a uma conclusão comprovadamente científica se ela grudou no pneu e foi embora ou se o deslocamento de ar a empurrou pra outro lado fora das vistas horrorizadas dos observadores politicamente corretos e ecomaníacos. Um mais alarmista jurou que a viu cair dentro de um bueiro e não se furtou a oportunidade de comentar que se mais 258.324 pessoas jogarem uma bituca no mesmo bueiro nas próximas 24 horas, a enchente será inevitável no próximo dia de chuva.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Uma senhora passeava com seu cachorrinho, uma das mãos ocupadas com a correia que supostamente deveria manter o bichinho sob controle e outra mão ocupada com um saquinho cheio de coco de cachorro fresco, colocado bem a mostra dos passantes para que todos pudessem constatar os saudáveis hábitos de higiene da senhora e do seu cão que, eu juro, olhava pro índio com uma expressão mista de companheirismo e inveja. O índio estava sem coleira.&lt;br /&gt;Um moto-boy que estava perto do índio, no balcão, comendo um pastel, não olhou para a mulher, mas passou a cheirar o que tinha na mão, pensando que o odor que estava sentindo vinha do recheio. Por um segundo, pensou em não comer o pastel, mas mudou de idéia.&lt;br /&gt;Quando a mulher viu a bituca passar voando, se dirigiu indignada para o homem que a lançou.&lt;br /&gt;- Que horror! Que falta de consciência ecológica! Me admira o senhor, um índio, fazer uma coisa dessas. O senhor não sabe o tempo que essa bituca vai levar pra desaparecer depois de ser lançada assim, na natureza? O senhor não tem respeito pelo meio ambiente?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O índio olhou para a mulher com condescendência, para o cão com piedade e solidariedade, para o saquinho na mão da mulher com algum nojo, não disse nada, voltou-se para o balcão e pagou o cafezinho, não com espelhos ou quinquilharias, mas com uma nota de um real.&lt;br /&gt;Um pouco antes de sair do bar e se dirigir para o trabalho, teve uma recaída, um pensamento de índio, daquele tipo de índio que não entende o mundo do homem branco. Virou-se para o motorista de táxi e comentou:&lt;br /&gt;- Não entendo por que em cidade grande as pessoas pensam que só está “jogado na natureza” o que vai pro lixo. Vocês acham que o que está na geladeira, no bolso, em cima do balcão ou dentro de um cinzeiro está “fora da natureza”? Não é “meio ambiente”? Eu, hein!&lt;br /&gt;E foi andando pela calçada assobiando um funk.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-6852419520367099879?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/6852419520367099879/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=6852419520367099879&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/6852419520367099879'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/6852419520367099879'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2007/09/o-indio_27.html' title='O ÍNDIO'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8347477524117114631.post-3245176603794181665</id><published>2007-09-22T19:50:00.001-07:00</published><updated>2011-12-17T16:06:18.873-08:00</updated><title type='text'>QUARTO PODER SANTIFICADO</title><content type='html'>Tenho ficado muito em casa. Tenho tido muito trabalho escrito, passo muito tempo ao computador e, hábito adquirido na infância com meu pai, com o rádio ligado. Só emissoras falantes. Nada dançante ou cantante. Ouço notícias o dia inteiro. Leio notícias na Internet o dia inteiro. Vejo jornais na TV sempre que há um.Com isso, percebi que jornalistas ficam escandalizados com tramóias políticas. Um jornalista (que, ao que parece, atualmente, é outro título para detetive, policial, juri e juiz acumulados) fuça uma fonte qualquer, descobre o que pode ser um podre de alguém, publica essa possibilidade. Aí as antigas e obsoletas autoridades, tipo policiais, juízes, legisladores, investigam, analisam, julgam e dizem que a coisa não era como foi noticiada. E todos estão errados, só os jornais estão certos.Além da parte política, tenho percebido como jornalistas se escandalizam e como cobram da população quando atiram lixo no Rio Tietê, quando fazem todos os percursos de carro, poluindo a cidade, quando furam filas, quando comem coisas na rua, quando não devolvem troco recebido a mais, quando puxam tapetes pra subir no emprego, quando transam sem camisinha, quando bebem, quando fumam, quando não fazem exames médicos dia sim dia não, quando usam drogas, quando traem esposas ou maridos, quando compram CD ou DVD mais barato no camelô, enfim, quando fazem qualquer coisa que a mídia decidiu divulgar que é errada. Chego à conclusão de que estamos perdendo tempo e somos todos cegos. A solução para o país e para o mundo é muito simples... De hoje em diante, faremos nossos filhos cursarem a Faculdade de Jornalismo. Mesmo que depois façam Medicina, Direito ou resolvam ser mecânicos ou donos de bar. Vamos fazer com que seja parte da educação básica se formar como jornalista. Afinal, alguma coisa deve acontecer nessa faculdade pra que todos saiam de lá tão imaculados, sem falhas, tão politicamente corretos, tão preocupados com o próximo!&lt;br /&gt;As próximas gerações, todas compostas de jornalistas purificados, fariam deste mundo um paraíso!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8347477524117114631-3245176603794181665?l=papocomomachado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://papocomomachado.blogspot.com/feeds/3245176603794181665/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8347477524117114631&amp;postID=3245176603794181665&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/3245176603794181665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8347477524117114631/posts/default/3245176603794181665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://papocomomachado.blogspot.com/2007/09/quarto-poder-santificado_22.html' title='QUARTO PODER SANTIFICADO'/><author><name>Nelson Machado</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_5mMyNA88TVQ/S97v_zOrraI/AAAAAAAAAFE/TpZ8bLQbqLg/S220/Nelson-Fundo-Verde.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
